Futebol e literatura com Roberto da Matta na Bienal
sábado, 17 de maio de 2014 - Foto: Roberto Joia / Secom
Bate-papo na noite deste sábado do Espaço Café Literário, na 8 Bienal do Livro

Filho de flamenguista, o antropólogo e escritor Roberto da Matta tornou-se tricolor ainda menino, “convencido” por um amigo na escola. Virou anti-flamenguista e “dono” do Fluminense, ao montar seu próprio time de botões, com escalação completa, incluindo os botões reservas. “É da própria vida, da nossa memória, faz parte da formação pessoal do homem, do menino nascido no Brasil”.
Essa e outras histórias são contadas no bate-papo do Espaço Café Literário, na 8 Bienal do Livro, onde da Matta divide o palco, na noite deste sábado, com o pesquisador Bernardo Buarque de Hollanda, da Fundação Getúlio Vargas. Na conversa com o público, mediada pelo jornalista Wesley Machado, Bernardo homenageia o jornalista Mário Filho, que dá nome ao Maracanã. “Um dos grandes decifradores do fenômeno cultural do futebol brasileiro”, define. Para Bernardo, o futebol, uma das “modas” da Europa que chegou ao Brasil república e tornou-se parte da identidade do brasileiro. No encontro dos gramados com a literatura, os escritores falam da mulher no estádio, do negro no futebol e, claro, de Copa do Mundo.
Um dos temas mais abordados no espaço lotado de amantes da literatura e do futebol foi sobre o momento das torcidas organizadas e a violência nos estádios. “As torcidas eram lideradas por carismáticos que formavam uma espécie de apoio ä polícia dentro dos estádios”, lembra Bernardo, comparando com o cenário anterior ao que ocorre hoje, em um reflexo do momento de banalização da violência. “A torcida fica mais importante que o próprio jogo. Não vai ao estádio ver o jogo, mas vai ao confronto. A derrota é o outro lado da moeda da vitória. É fundamental entender isso na sociedade democrática”, acrescenta da Matta.
De Lima Barreto a Graciliano Ramos, os escritores e pesquisadores deram aula de história sobre futebol brasileiro e identidade cultural.
Roberto da Matta é historiador, antropólogo, escritor e estudioso do Brasil. Leciona na PUC-Rio. Bernardo Buarque de Hollanda é doutor em História Social e pesquisador da cultura brasileira e história do esporte e torcidas organizadas de futebol . É professor da PC-Rio e Fundação Getúlio Vargas.