segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 - Foto: Divulgação

Desde a sua construção, há 64 anos, o Maracanã nunca deu lucro, diz o governo do estado. O problema parecia resolvido com a concessão do estádio à iniciativa privada. Mas a nova administradora, Maracanã S.A., também enfrenta dificuldades para não fechar no vermelho. O novo equipamento tem custos maiores, mas a ocupação continua baixa. Ao contrário da Copa do Mundo, em que sempre lotou, o estádio recebeu em média 17.623 pagantes no último Campeonato Brasileiro, número insuficiente para cobrir custos de abertura e manutenção do estádio ao longo da temporada.
Excluídos os gastos com a manutenção mensal — só o gramado consome R$ 100 mil por mês —, abrir o estádio custa algo em torno de R$ 300 mil por partida. Cada jogo do Campeonato Brasileiro disputado no estádio ocupou, em média, apenas 20% dos lugares disponíveis. A situação se complica no Campeonato Carioca, cuja ocupação média é de só 8%, com uma média de apenas 2.828 pessoas comprando ingresso por jogo.
Para tentar compensar a falta de receitas geradas pelo futebol, a Maracanã S.A. tentou, ao longo de 2014, diversificar suas atividades: foram 157 eventos entre casamentos, festas privadas e de aniversário, bar mitzvah e até piqueniques na grama sintética que fica em torno do campo de jogo. Além disso, 300 mil pessoas fizeram o tour do Maracanã.
Apesar disso, a administradora diz que com a impossibilidade de construir um complexo comercial no estádio, que pelo projeto original teria lojas e estacionamento, fechar a conta é tarefa impossível. O equipamento comercial iria gerar um retorno estimado de R$ 19 milhões por ano.
Com a limitação de fazer apenas dois grandes show por ano, as oportunidades de gerar receita se reduzem, ficando praticamente limitadas aos eventos de futebol protagonizados pelos clubes do Rio. Por isso, a concessionária pediu reajuste do contrato. O governo analisa a proposta. Dos estádios utilizados na Copa do Mundo, o Maracanã é o único que não recebe subsídio governamental para se manter.