
O 12º Fórum Intersetorial de Saúde Mental apresentou para debate na tarde desta quinta-feira (5), o tema “Internação Compulsória”, no auditório da Prefeitura. Realizado pela Gerência do Programa de Saúde Mental, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o evento teve como palestrantes a diretora de Alta Complexidade da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (SMDHS), Anne Caroline Cardoso; a apoiadora de Saúde Mental do estado para o Norte e Noroeste Fluminense, Célia Martins; e o defensor público Tiago Abud.
Com vasta experiência na assistência social do município, atuando junto à população em situação de rua, Anne Caroline falou da delicadeza da questão.
- É delicado porque não podemos fazer com uma pessoa o que ela não quer. Não é preconizado o recolhimento compulsório de alguém que opta por ficar na rua. Mas temos obtido sucesso em muitos casos, na mudança de vida das pessoas - observou.
Célia Martins falou de mudanças na Lei para a Saúde Mental no Rio que têm permitido a “internação involuntária” e destacou o que considera um “avanço” no financiamento dos custos. “É importante, porque até pouco tempo atrás, os municípios não tinham qualquer apoio. Aqui no Norte Fluminense, apenas Quissamã já conseguiu o credenciamento de quatro leitos”, revelou, reconhecendo que esta não é uma situação que deve ser banalizada.
Tiago Abud se disse satisfeito com o que ouviu, porque também entende que a internação não pode ser vista como a primeira medida. “Temos que observar os laudos, porque não somos técnicos. Em muitos casos, há familiares que internam seus entes para terem acesso a seus bens. E se eles conseguem um laudo, pouco podemos fazer. Mas é gratificante ver que temos na Saúde Mental, profissionais que enfrentam o senso comum”, disse o defensor público.
A gerente do programa de Saúde Mental do município, Elisa Peralva, destacou os avanços obtidos. “Temos que melhorar, mas considerando o quadro que encontramos na Saúde Mental, consideramos que avançamos bastante. Hoje, por exemplo, não temos uma pessoa sequer internada compulsoriamente. Como garantia, pode ser interessante termos leitos habilitados, mas devemos sempre fazer o máximo para não utilizá-lo”, destaca Elisa.