Formação histórica de Campos contou com forte presença de italianos

Cidade completa 186 anos no próximo dia 28 de março


  • 28/02/2021, 00h33, Foto: reprodução/Campos 24 Horas.

Desde sempre que a formação histórica de Campos, que completa 186 anos, no próximo dia 28 de março, de elevação de Vila de São Salvador à categoria de cidade, esteve vinculada aos dizimados índios Goytacazes e aos Sete Capitães, um grupo de militares alguns nascidos no Reino de Portugal, outros no Brasil, os primeiros colonizadores da região que receberam parte das terras do Norte Fluminense em sesmaria no século XVII.  No entanto, Campos contou com forte presença de italianos em sua história, como lembrou a professora Rafaela Machado, em sua página no Face Book, no dia 21 de fevereiro, em que se comemora o Dia Nacional do Imigrante Italiano.

“Desde muito cedo os italianos estiverem presentes no desenrolar da história campista. No entanto, foi em finais do século XIX que essa presença sofreu um grande incremento, assim como no restante do Brasil. A presença italiana na nossa região era tão significativa que a cidade possuía um vice-consulado italiano. Esses homens e mulheres dedicavam-se, em sua maioria, à lavoura, ao comércio e à indústria, além de desenvolverem ofícios como música e arquitetura”, postou a historiadora em sua página no Face Book. leia mais abaixo) (Leia mais abaixo)

A pesquisadora ainda acrescenta os seguintes sobrenomes italianos citados pelo historiador Horácio de Sousa: Escrennaz, Balbi, Zaccaro, Bartolotti, Cardoni, Pauzal, Romano, Mángano, Ferraz, Portely, Cesario, Renne, Sant’Anna, Grosso, Calomeni, Piconi, Granato, Judice, Forzano, Policani, Scovino, Profio, Ferreaiole, Benevento.  leia mais abaixo)

De acordo com o censo de 1872, continua Rafaela, viviam em Campos naquele período 85 italianos, distribuídos entre 7 das 10 freguesias: 1 em Santa Rita da Lagoa de Cima; 2 em Nossa Senhora da Natividade do Carangola; 6 em Nossa Senhora das Dores de Macabu; 1 em Nossa Senhora da Penha do Morro do Coco; 15 em Bom Jesus do Itabapoana e 57 em São Salvador dos Campos. leia mais abaixo)

Entre os ilustres descendentes de italianos que marcaram época em Campos até o final do século passado estão o fotografo, desportista e ex-pracinha Gerardo Maria Ferraioulli, o lendário Patesko, criador da tradicional Prova Ciclística de São Salvador. Os jornalistas Luiz Gonzaga Balbi e Aloysio Balbi, pai e filho, também descendem de italianos. leia mais abaixo)

“Ao que parece, os italianos que por aqui se fixaram vinham em sua maioria de regiões do Vêneto, Friuli e Lazio”, frisa.  A professora Rafaela Machado informa ainda que o Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho possui importantes documentos sobre a presença estrangeira na região. leia mais abaixo)

Em sua monografia “A Presença da Cultura Italiana na Formação do Espaço Urbano da Cidade de Campos dos Goytacazes”, a professora Elaine Guimarães Godinho, destaca a presença italiana na região de Campos nos mais diferentes campos de atividade. leia mais abaixo) (Leia mais abaixo)

“É sabido que a imigração italiana no Interior do Estado do Rio de Janeiro se deu em Porto Real, no Médio Vale do Paraíba (associada à política imperial de fomento à imigração) e em Varre-Sai, no Noroeste Fluminense (essa associada à cultura do café).Mas até o início do século XIX, toda esta região se constituía administrativamente à capitania de Paraíba do Sul, que tinha como sede administrativa o município de Campos dos Goytacazes. Posteriormente, a partir de 1889 foi desmembrada, surgindo o município de Itaperuna e demais distritos, dentre ele, Varre-Sai”. leia mais abaixo)

 A professora Elaine Godinho acrescenta ainda em sua pesquisa que “dos migrantes que ali se estabeleceram, grande parte provém de Proceno e Graffignano, regiões do Lazio. Porém, bem antes desta data, já haviam oficialmente 85 italianos estabelecidos na região de Campos, como aponta a tabela 1, de acordo com o censo de 1872. Infere-se que os italianos estabelecidos em Campos não vieram dessas regiões, é provável que, maior parte dos imigrantes tenham origem das regiões do Vêneto e Friuli”.   leia mais abaixo)

De acordo com os escritos de Horário Sousa (1935), as famílias Balbi, Escrennaz, Zaccaro, Bartolotti, Cardoni, Pauzal, Romano, Mángano, Ferraz, Portely, Cesario, Renne, Sant’anna, Grosso, Calomeni, Scovino, Profio, Ferreaiole, Benevento e Calomeni, são as italianas que contribuíram para a formação do espaço urbano de Campos, através de ofícios diversos, na indústria açucareira, na música, na pecuária e no comércio. Porém, ainda pouco se conhece acerca de suas histórias e rotinas de vida nessa organização espacial.  leia mais abaixo)

Estima-se que pelo fato de serem pertencentes a famílias cujos ofícios estavam ligados ao comércio, portanto, menos abastadas em relação à elite econômica regional da época, não tenham ganhado notabilidade na história da cidade, destaca a pesquisadora Elaine Godinho. leia mais abaixo)

“Mas esse descuido para com as memórias dos estrangeiros que ajudaram a construir a urbanidade campista, também se deve por conta da prática de naturalização da segregação social, construída antes mesmo de nosso forjado nascimento nacional, e que, talvez em menor grau, ainda prevaleça. Mesmo com o fato de eles terem trazido a técnica e mão- de-obra mais especializada, ainda assim não ganhavam nos registros históricos a mesma notoriedade de um grande proprietário rural, independente de seus conhecimentos técnicos. Portanto, tal prática, originária ao longo dos últimos séculos para manutenção e o favorecimento dos “donos do poder”, é também fator desencadeante da invisibilidade histórica de inúmeros grupos sociais, como esse de estrangeiros”, analisa a historiadora.  leia mais abaixo) (Leia mais abaixo)

Elaine Godinho pondera, no entanto, que pequeno grupo de italianos na planície Goytacá estabeleceu-se aqui com habitações de luxo, o que torna possível inferir que tal grupo estivesse ligado a alguma atividade econômica rentável, como no caso da família Benevento, cujo sobrenome refere-se a José Benevento, um dos dois arquitetos italianos responsáveis pela obra do Palácio Nilo Peçanha, também conhecido como “antigo Fórum”, que hoje abriga a  Câmara Municipal. “O outro arquiteto italiano colaborador é o jovem romano Pietro Campofiorito. Juntos, eles eternizaram a paisagem urbana campista com uma  “réplica” do Pathernon ateniense. Mas ao contrário do primeiro, que se estabeleceu na cidade, deixando legado familiar, o segundo se estabeleceu em Niterói”.  



fique bem informado