Atualizada às 11h36 - A Polícia Civil do RJ iniciou, nesta terça-feira (16), a Operação São Francisco, contra o tráfico de animais silvestres. A instituição considera esta “a maior operação da história do Brasil” no segmento.
Cerca de 1 mil agentes saíram para cumprir 45 mandados de prisão preventiva e 275 de busca e apreensão em todas as regiões do estado, mais São Paulo e Minas Gerais. Até a última atualização desta reportagem, 32 pessoas haviam sido presas, e mais de 600 animais tinham sido resgatados. (Leia mais abaixo)
Durante a operação, duas pessoas foram baleadas. Um suspeito foi atingido em uma troca de tiros e está internado em estado grave. Uma policial civil também foi atingida na perna durante um ataque de criminosos na comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio. O estado de saúde dela é considerado estável.
Na capital, um dos pontos visados é a Mangueira, onde as equipes foram recebidas a tiros. Um dos alvos de busca é o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, TH Joias, preso em outra operação — ele teria comprado 4 macacos. (Leia mais abaixo)
“Nós identificamos 145 autores e conseguimos, junto à Justiça, através de uma longa e complexa investigação, 45 mandados de prisão preventiva, todos por organização criminosa”, disse o delegado André Prates.
Um dos focos da força-tarefa é um núcleo criminoso “especializado” em primatas, responsável por caçar, dopar e comercializar ilegalmente macacos retirados de áreas de mata, especialmente na Floresta da Tijuca e no Horto. (Leia mais abaixo)
Segundo os investigadores, os bichos eram retirados de seu habitat de forma cruel e transportados para centros urbanos, onde eram vendidos ilegalmente.
Bernardo Rossi, secretário estadual de Meio Ambiente, afirmou que apenas um dos presos “comercializou mais de 45 mil espécimes”. “É o corredor da morte dos nossos animais silvestres. A crueldade é enorme”, declarou. (Leia mais abaixo)
Foi montada na Cidade da Polícia uma base para receber os animais. Lá, os bichos receberão atendimento médico veterinário por profissionais voluntários e serão avaliados por peritos criminais. Em seguida, serão levados para centros de triagem, a fim de garantir a reintrodução na natureza.
Procurada, a defesa do ex-deputado TH Joias informou que ainda não teve acesso aos autos da investigação. (Leia mais abaixo)
Estrutura da organização criminosa - A organização criminosa operava por meio de diversos segmentos:
A investigação também revelou a relação entre o tráfico de animais e o tráfico de drogas, com feiras clandestinas como as da Pavuna e Duque de Caxias como pontos de venda. (Leia mais abaixo)
A ação é coordenada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e tem o apoio do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaema/MPRJ), do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A OPERAÇÃO - Uma Força-Tarefa criada pelo Governo do Estado realiza, nesta terça-feira (16/09), a maior operação da história do Brasil de combate ao tráfico de animais silvestres, armas e munições. A “Operação São Francisco”, coordenada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), com apoio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) é resultado de um ano de investigações que revelaram a maior organização criminosa do estado do Rio de Janeiro e suas conexões com facções de outros estados. As equipes cumprem mais de 40 mandados de prisão e 270 de busca e apreensão na capital, Região Metropolitana, Baixada Fluminense, Região Serrana, Região dos Lagos e também em São Paulo e em Minas Gerais. (Leia mais abaixo)
Mais de mil policiais civis estão nas ruas desde as primeiras horas da manhã. Durante a investigação 145 criminosos foram identificados.
Hoje o Rio de Janeiro mostra, mais uma vez, que não vai recuar diante do crime organizado. A Operação São Francisco é a maior da história do Brasil contra o tráfico de animais silvestres, armas e munições. Estamos falando de uma quadrilha que, além de destruir a nossa fauna e ameaçar a biodiversidade, também alimentava a violência com a venda de armamento pesado. É uma resposta clara do nosso governo: criminosos não terá paz no RJ - declarou o governador Cláudio Castro. (Leia mais abaixo)
A ação também conta com o apoio de delegacias dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada (DGPE), da Capital (DGPC), da Baixada (DGPB) e do Interior (DGPI), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), do Ministério Público, com colaboração do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do Ibama.
Tráfico de animais - O grupo vinha explorando há décadas o tráfico de animais silvestres no estado, sendo o principal responsável pela venda em feiras clandestinas. A organização também traficava armas e munições para garantir a continuidade das ações delituosas. (Leia mais abaixo)
Por meio de uma investigação profunda e meticulosa, conseguimos comprovar a ligação dessa organização criminosa com as facções que todos os dias atacam a liberdade da nossa população. Além do crime ambiental, que é gravíssimo, esse grupo ainda comercializava armas e munições, que eram usadas para a prática de diversos outros delitos - afirma o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
As investigações mostraram que a organização criminosa atua de forma armada e estruturalmente organizada, por meio de diversos núcleos com funções específicas, incluindo o de caçadores. Esses bandidos eram os responsáveis pela caça em larga escala de animais silvestres em seus habitats naturais. Após serem sequestrados da natureza, os animais eram transportados de forma cruel pelo núcleo de atravessadores. Eles tinham a função de entregar os animais nos centros urbanos para a comercialização. (Leia mais abaixo)
A operação é um marco na desarticulação das quadrilhas que agem há décadas no Rio de Janeiro explorando animais. É um verdadeiro extermínio silencioso da nossa fauna, um crime que destrói ecossistemas e ameaça diretamente a biodiversidade do Brasil. Esse tráfico de animais não é apenas crueldade: é um corredor da morte, já que muitos morrem antes mesmo de chegarem à venda. Isso mostra a brutalidade desse comércio - disse o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi. Havia ainda um núcleo especializado em primatas, que caçava, dopava e vendia macacos para outros integrantes do grupo. Muitos deles eram retirados das matas fluminenses, como o Parque Nacional da Tijuca e o Horto.
Outros crimes - Outros núcleos identificados eram o de falsificadores – que vendia anilhas, selos públicos, chips e documentos falsos, que eram usados para mascarar a origem ilícita dos animais – e o de armas – responsável pelo fornecimento de armamento e munições para a organização. Além disso, os investigadores qualificaram diversos consumidores finais, que adquiriram animais silvestres de forma ilegal, fomentando toda a cadeia criminosa. (Leia mais abaixo)
O inquérito aponta ainda que os traficantes de animais se utilizam de relações próximas com as facções criminosas, garantindo assim a venda em feiras clandestinas realizadas em áreas exploradas pelo tráfico de drogas.
Base de apoio para animais - Para dar apoio à operação, foi montada na Cidade da Polícia uma base para onde os animais serão encaminhados. Lá, receberão atendimento médico veterinário por profissionais voluntários e serão avaliados por peritos criminais. Em seguida, serão levados para centros de triagem, a fim de garantir a reintrodução na natureza. (Leia mais abaixo)
Fonte: g1 e Polícia Civil