Com o foco no jogo de terça-feira contra o River Plate, pela Libertadores, o Fluminense foi a campo muito modificado e pagou o preço com a interrupção da boa fase no Brasileiro. Uma derrota incontestável para o Fortaleza, que atropelou o adversário e o ultrapassou na classificação (sete pontos contra seis). Foi sem dúvidas o jogo mais animado e bom de se ver do campeonato até agora. Não fosse o goleiro Fábio, que evitou uma goleada ainda no primeiro tempo, o placar de 4 a 2 teria demonstrado a superioridade do time cearense na maior parte do tempo. Foram pelo menos três defesas difíceis na primeira etapa e várias no fim da partida.
Por outro lado, o ataque reserva não funcionou, com partida muito ruim de Pirani, Lelê e Alan, autor do primeiro gol. John Kennedy, que fez o outro, foi o alento ofensivo. Apenas quando Ganso, Arias, Cano e Keno entraram a situação se equilibrou. Mas os gols e as atuações de Hércules, Thiago Galhardo e Moisés, que fez dois e foi o melhor em campo, fizeram diferença. (Leia mais abaixo)
— Não funcionou a nossa marcação. Sofremos quatro gols e poderíamos ter sofrido muito mais — afirmou Ganso ao fim da partida.
O Fluminense perdeu a invencibilidade de sete partidas e ainda voltou a sofrer um gol depois de cinco jogos. Há 118 jogos, desde agosto de 2021, a equipe não levava quatro gols. A defesa, tirando Fábio, também foi muito mal, sobretudo o lateral Guga e o zagueiro Manoel. Até Alexsander viveu tarde tecnicamente abaixo.
O time foi para o intervalo tendo sido alvo de 10 finalizações — no segundo tempo foram mais 10. Fábio, inicialmente, pegou chute de Calebe após erro de Pirani. Na bola parada na sequência, o goleiro evitou novo perigo, e logo depois voou para parar uma cabeçada. Na quarta chance clara, o goleiro não teve o que fazer.
O time de Fernando Diniz levou o primeiro gol em um tiro de meta longo, pois não conseguia fazer a saída em toques curtos. A bola voltou com a defesa desorganizada e Moisés serviu Galhardo, livre, para abrir o placar. A primeira chance de gol do Flu veio nos pés de John Kennedy, nos minutos iniciais, e só se repetiu depois do gol do Fortaleza, com o atacante acertando a trave após mais um lançamento, a tônica do time no início.
O Fortaleza dominava o meio-campo e roubava muitas bolas. A intensidade inibiu o estilo do Fluminense. Numa das boas ações de marcação, André perdeu para Moisés, que arrancou até o gol para ampliar sem ser interrompido. (Leia mais abaixo)
O gol de Alan nos acréscimos após bate e rebate na área deu ânimo para a tentativa de reação na etapa final, quando Diniz lançou alguns titulares. Primeiro, entraram Ganso e Arias.
O Fluminense ameaçou gerar mais incômodo, mas não conseguia entrar na área para finalizar . E ainda passou a dar mais espaços para contra-ataques. O Fortaleza notou e se fechou para esticar bolas longas. Na segunda chance dessa forma, Moisés saiu na cara de Fábio outra vez e fez o terceiro do time da casa.
Diniz, então, lançou Cano e Keno. E tirou Guga e Manoel, uma decisão que se revelaria praticamente suicida. O time passou a dar ainda mais espaços, mas o risco era necessário. Em bola de Ganso, John Kennedy recebeu na área, fez belo giro, e diminuiu, de biquinho.
O jogo caminhou para o seu final mais equilibrado, com o Fluminense controlando as ações no meio-campo. Mesmo assim, quando perdia a bola no ataque, o Fortaleza avançava em superioridade no contragolpe. Fábio evitou mais um gol, mas o Fortaleza chegava sem parar e marcou o quarto, com Hércules. A cada ataque do Fluminense, o Fortaleza tinha uma nova chance, e o goleiro conseguiu evitar uma derrota ainda maior. Depois de encarar o River Plate, o próximo duelo pelo Brasileiro será o clássico com o Vasco, no sábado, no Maracanã.