
Sabedor de seu limite, o Fluminense jogou contra uma das melhores equipes do país pensando em se defender bem, na tentativa de vencer em um lance. Não foi possível sair com os três pontos, mas o Tricolor das Laranjeiras lutou bastante, suportou a pressão mesmo após perder Pedro, com lesão muscular, e ficou no empate em 0 a 0 com o Grêmio, em Porto Alegre, conquistando um suado ponto que o deixou em terceiro lugar no Brasileiro.
Sem Marcos Junior e com Dodi no meio, o Fluminense jogou no 3-6-1, com Pedro isolado no ataque, brigando sozinho com os zagueiros. A ideia era proteger bem a defesa e sair em velocidade no contra-ataque. A primeira parte foi bem realizada, mas o time de Abel errou demais na saída de bola. Como resultado, o Grêmio teve 12 finalizações contra nenhuma do Fluminense na primeira etapa, mas apenas uma com perigo, uma cabeçada de Kannemann, que foi para fora.
Na volta do intervalo, o Fluminense enfim passou a incomodar mais o Grêmio ao conseguir encaixar contra-ataques e chegou com perigo, mas Pedro errou a cabeçada. Logo depois, o centroavante sentiu a coxa esquerda e saiu chorando.
O Fluminense equilibrou o jogo e chegou a estar melhor em campo. João Carlos e Jadson perderam chances, enquanto Renato Chaves parou em Grohe na melhor oportunidade. De tanto lutar, o time cansou e o Grêmio teve espaços para jogar. A sorte dos cariocas é que Everton desperdiçou duas grandes chances, uma delas Júlio César salvou e, na outra, chutou para fora com o gol livre. No fim, os gaúchos pressionaram, mas o 0 a 0 persistiu.
MINUTO DE SILÊNCIO
Antes do jogo, foi respeitado um minuto de silêncio em memória ao jornalista Giuseppe Amato, torcedor do Fluminense, que trabalhou 33 anos no DIA e morreu no sábado.
Botafogo sai na frente, mas sofre a virada para o invicto São Paulo
Botafogo lutou, mas não resistiu ao único time ainda invicto no Campeonato Brasileiro. Com a derrota, de virada, para o São Paulo, por 3 a 2, ontem, no Morumbi, segue sem vencer fora de casa e amarga a queda para a 13ª posição na tabela. Léo Valencia abriu o placar, mas Nenê, Diego Souza e Everton fizeram os gols do time paulista. Rodrigo Pimpão ainda diminuiu no fim.
Mal o jogo começou e o Botafogo sofreu uma baixa. A um minuto, João Pedro dividiu com Anderson Martins e caiu desacordado. Retirado de campo em uma ambulância, foi levado ao Hospital Albert Einstein, onde passou a noite em observação. Após sete minutos e com Marcos Vinícius no lugar do camisa 11, o jogo recomeçou e Nenê, aos 10, acertou a trave.
A resposta do Botafogo veio aos 15. Léo Valencia recebeu de Lindoso e, em belo chute de fora da área, acertou o ângulo de Sidão para abrir o placar. Dois minutos depois, o Tricolor empatou, com certa dose de complacência do árbitro Wilton Pereira Sampaio, que viu pênalti de Igor Rabello em Everton. Nenê cobrou, aos 19, e empatou.
As duas equipes seguiram no ataque, mas quem balançou a rede foi o São Paulo. Aos 30, Marcos Guilherme cruzou da direita, Carli falhou na marcação e Diego Souza, de peito, tocou no contrapé de Jefferson. O gol abalou o Botafogo. Nenê bateu falta rente à trave, aos 46. Aos 49, Everton não perdoou: Lindoso errou saída de bola e o camisa 22 chutou cruzado para ampliar: 3 a 1.
O São Paulo continuou na pressão após o intervalo, enquanto o Botafogo começou o segundo tempo assustado. Nem a bola no travessão, em finalização de Marcos Vinicius, aos 10, mudou tal quadro. Nenê, aos 12, obrigou Jefferson a milagre, após cobrança de falta. Aos 16, foi a vez de Diego Souza bater falta com perigo.
O lance acendeu a torcida tricolor e Diego Souza, aos 22, de cabeça, obrigou Jefferson a fazer outro milagre. O jogo, porém, caiu em certo marasmo até que Rodrigo Pimpão, aos 38, diminuiu. Após a partida, o atacante deixou o campo criticando a arbitragem.
Em São Januário, Vasco derrota o Paraná e encerra jejum de vitórias no Brasileiro
Depois de três rodadas, o Vasco voltou a vencer no Campeonato Brasileiro. Os 13 desfalques dificultaram, e muito, a confirmação da vitória de 1 a 0 sobre o lanterna Paraná, em São Januário. O bonito gol de Yago Pikachu, com direito a lençol no goleiro Thiago Rodrigues, foi um dos raros momentos de beleza no tenso jogo, marcado pela polêmica arbitragem do gaúcho Leandro Vuaden.
Com dores no joelho esquerdo, o mesmo operado no início do ano, Breno aumentou a longo lista de baixas de Zé Ricardo. Ele se concentrou, mas acabou vetado. Ricardo Graça engrossou a lista de promessas em campo em busca da afirmação pessoal e da própria equipe na competição.
A baixa adesão da torcida 4.854 presentes foi um sinal de que a desconfiança ainda é maior do que a esperança após a sequência negativa na Copa do Brasil e no Brasileiro. Pressionado, o Vasco sentiu o peso da falta de entrosamento e, desorganizado, pouco ameaçou o Paraná.
Em meio a tantos jovens, Yago Pikachu, mais uma vez mais adiantado em campo, assumiu a responsabilidade e não desapontou o torcedor depois do belo lançamento de Andrey. Na velocidade, superou a defesa, encobriu com muita categoria o goleiro Thiago Fernandes antes de marcar, aos 43 minutos.
O gol trouxe alívio a todos vascaínos. Mas o Paraná não se entregou. Em busca da primeira vitória no Brasileiro, os visitantes se aproveitaram da fragilidade do Vasco para ameaçar. Riscos não ajudou muito e protagonizou uma das jogadas mais ridículas em campo ao furar um chute e pedir atendimento médico.
Giovanni Augusto, que entrou no lugar de Cosendey, também não colaborou para uma noite mais tranquila ao desperdiçar pênalti sofrido por Ríos. Foi a vez de Fernando Miguel aparecer duas vezes em chances claras.
No auge da pressão dos visitantes, Leandro Vuaden expulsou o zagueiro Neris e, depois, mostrou vermelho para o garoto Moreche, em duas jogadas típicas de cartão amarelo. Melhor para o Vasco, que, após muito sofrimento, conseguiu administrar a vantagem depois de seis minutos de acréscimos que pareceram uma eternidade para o torcedor.
"Foi sofrido, difícil. Não deveria ter sido assim, foi importante. Saí um tanto frustrado do jogo de Salvador, mas fui bem e pude ajudar dessa vez. O Vasco de unidade, do torcedor, que pode fazer a diferença", disse Fernando Miguel.