“Fique Sabendo”

ENTREVISTA com Alexandre Sereno, coordenador do Programa Municipal DST/Aids e Hepatites Virais – Centro de Doenças Infecto-Parasitárias


03/07/2016     07h42   |   Foto: Campos 24 Horas Postado por: Fabiano Venancio Alexandre Sereno-DST Aids-RA (5)“O bom filho a casa retorna”, já dizia um antigo provérbio. E se esse “bom filho” retorna para uma casa mais estruturada, ampliada e mais confortável, o aproveitamento geral é melhor ainda. A analogia é feita entre o provérbio e o Programa Municipal DST/Aids e Hepatites Virais – Centro de Doenças Infecto-Parasitárias, ligado à Secretaria de Saúde, agora de volta ao antigo endereço, na rua Conselheiro Otaviano, quase na esquina da Beira Valão, local que ele já ocupava há anos. Foi feita uma reforma, reestruturação e ampliação, visando atender melhor a crescente demanda pelos serviços que são oferecidos no novo espaço. E com essa obra, mais que duplicou os consultórios médicos, passando de três para sete. E tem mais. Ainda foi feita uma pediatria com consultórios médicos e enfermagem, além de um setor de acolhimento para a criançada, com brinquedos e tudo o que ela tem direito. Isso e outras novidades para melhor atender, segundo o coordenador do Programa, Alexandre Sereno. Ele explica que tudo isso é mais do que necessário, porque o mundo globalizado evolui, novas tecnologias surgem, mas a mentalidade para muitas pessoas continua a mesma, a que nega o preservativo com a velha história de que “é como chupar bala sem tirar o papel” ou, ainda, de que não é necessário o pré-natal correto, fazendo com que mais pessoas se infectem e mais crianças nasçam com o vírus HIV. E acrescenta que em Campos o governo municipal segue à risca a filosofia do Ministério da Saúde, que objetiva testar cada vez mais a população para ter revelação de diagnóstico o mais rápido possível. entrevistaCampos 24 Horas – Você falou que no novo espaço tem outras novidades para melhor atender. Quais? Alexandre Sereno-DST Aids-RA (4)Alexandre Sereno - Ainda foi criado o “Espaço Saúde”, destinado às mais diversas atividades: treinamentos, reuniões e discussões técnicas da equipe multiprofissional que atende no dia a dia. O local também irá servir para realização de palestras, grupos de adesão, atividades com gestantes e pais. E não acabou ai. Foi possível ainda criar um local para repouso (quando o paciente apresentar problema clínico e estiver aguardando a remoção), além de uma sala de procedimentos, que permitirá aplicação de medicamentos e vacinas, pequenos curativos e coleta sanguínea. C24H – Explique essa história de testar cada vez mais a população para ter revelação de diagnóstico o mais rápido possível... Alexandre – O município está descentralizando a testagem, com teste rápido agora nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), como forma de facilitar à vida das pessoas, evitando que se dirijam ao Cedip 2. O resultado sai em 25 minutos. Mas, primeiro, em 2013/2014, começamos a descentralização com as gestantes, que podem fazer o teste na própria UBS que elas fazem o pré-natal e não mais só aqui. Em 2015 partimos para o resto da população, já com a testagem hoje em sete UBSs (UBSF Santa Cruz, UBSF Lagoa de Cima, UBSF Conceição do Imbé, UBSF Morangaba, UBSF São Martinho, UBSF Ponto da Lama, UBSF Pernambuca). E o teste é para HIV, sífilis e Hepatites B e C. C24H – E como está a adesão ? As pessoas estão procurando as unidades? Alexandre – A procura pelo teste nas unidades ainda é baixa, mas muitos já aceitam com tranquilidade. E o resultado está dentro do previsto, ainda nada alarmante. O melhor disso tudo é que é pactualizado que o exame nas UBSs não segue o critério da territorialidade, ou seja, a pessoa pode fazer em qualquer unidade que tiver a oferta. Temos uma equipe treinada para o diagnóstico, com profissionais de nível de 3º grau, que fazem a demanda espontânea, sem precisar de encaminhamento. Pretendemos estarmos ofertando esse serviço em 30 unidades. C24H – Essa descentralização preconizada pelo MS faz parte da campanha nacional “Fique Sabendo”? Alexandre – Sim. O Ministério da Saúde não desiste do preservativo, que ainda é uma arma contra as DST/Aids, mas usa outras estratégias, como por exemplo, a descoberta do diagnóstico rápido. E quando descobre logo a doença, se trata também mais cedo. Talvez porque todos nós sabemos que o preservativo ainda seja uma questão de educação e, desta forma, um processo mais demorado. Mas ele continua sendo superimportante dentro deste contexto todo. C24H– E qual é a importância da testagem de modo geral? Alexandre Sereno-DST Aids-RA (2)Alexandre – A prevenção com a doença. A partir daí fica mais fácil controlar, porque ela não é crônica, mais é possível se ter uma sobrevida. Tem paciente, por exemplo, que leva de 8 a 12 anos sem manifestar a doença. Aqui a testagem pode ser feita por indicação médica ou espontânea, às terças, quintas e sextas-feiras, de 8 às 12h. Temos o teste convencional que leva 15 dias para ter o resultado e o teste rápido que o paciente tem em mãos em 15 minutos. C24H – Vamos falar de números. De um ano para outro cresceu muito? Alexandre – Infelizmente sim e do ano passado para este ano houve um aumento de cerca de 40% de casos.  Em 2013 foram 102 casos, em 2014 foram 141 e em 2015 foram 148. Antes a diferença era que dentro destes números a maioria era mulheres e, agora, a maioria é homens e jovens, na faixa dos 16 aos 25 anos.  E em Campos, até então, essa faixa etária não chamava tanto a atenção como agora em 2015. C24H – Tem equipe multidisciplinar para acompanhamento todo em caso de teste positivo? Alexandre – Sim. E os melhores profissionais, os mais competentes e dedicados à causa. Temos infectologistas, clínicos, ginecologistas, oftalmologistas, dermatologistas, nutricionistas, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, técnicos de laboratório e pessoal administrativo. Todos os profissionais são no plural, porque a qualquer hora do dia e todos os dias, o paciente pode contar com eles aqui. Neste ponto não existe problema, não tenho dor de cabeça, porque eles são abnegados mesmo. C24H – Diante de tanta mentalidade atrasada e do preconceito velado, o que o Cedip faz para reverter esse quadro? Alexandre Sereno-DST Aids-RA (3)Alexandre – Temos um programa de educação continuada, onde fazemos palestras sempre que somos convocados, seja por empresas, escolas, instituições não governamentais, entre outros. Participamos também do Programa Saúde na Escola (PSE) e de Semanas de Prevenção de Acidentes nas empresas. Temos profissionais qualificados para isso. Sem falar que temos aqui um dispensário com preservativos e a pessoa pega quantos quiser. Também distribuímos para as Unidades Básicas de Saúde. C24H – Qual é a área de abrangência do Cedip? Alexandre – Nós atendemos pacientes de Campos, São Fidélis, São João da Barra, São Francisco do Itabapoana e Cardoso Moreira. Mas também temos pacientes do Espírito Santo e outros estados e não podemos deixar de atender, porque o SUS é universal. Nosso ambulatório é referência, porque não tem esse atendimento especializado na rede do município, nem na região. C24H – E quais os serviços ofertados? Alexandre – Atendemos crianças, jovens, adultos, idosos e gestantes. Temos o Centro de Testagem e Aconselhamento para a população fazer o teste para ver se é HIV ou não, além de ambulatório de doenças infecto-parasitárias, como Leishmaniose, Doença de Chagas e outras. E se após o teste der HIV, o paciente tem todo um acompanhamento durante todo o tempo necessário. Outro serviço ofertado é o de acidente biológico (acidente de trabalho, como o se furar com agulha de seringa, por exemplo).



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