Fiocruz vai produzir remédio contra esclerose para o SUS

Produção nacional da medicação de alto custo deve reduzir custos e aumentar alcance do tratamento


  • 23/05/2026, 11h57, Foto: Divulgação.

Campos 24 Horas – O medicamento de alto custo cladribina oral, que já é distribuído pelo SUS (Sistema Único de Saúde) a pacientes com esclerose múltipla, passará a ser produzido no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Com isso, os custos de aquisição devem cair, permitindo que mais pacientes recebam a medicação.

Sob o nome comercial Mavenclad, a medicação foi incorporada ao SUS em 2023 para o uso de pacientes com EMRR (esclerose múltipla remitente-recorrente) altamente ativa, ou seja, que apresentam surtos frequentes ou progressão rápida da doença, apesar de já utilizarem a terapia de base.  (Leia mais abaixo)

Atualmente, o custo médio do tratamento para cada paciente é de quase R$ 140 mil em 5 anos. A estimativa é de que cerca de 3.200 pessoas apresentem a doença com alta atividade no país. 

No entanto, mais de 30 mil brasileiros convivem com a esclerose múltipla do tipo remitente-recorrente, o mais comum, caracterizado por episódios de surtos, intercalados com períodos de remissão. 

A esclerose múltipla é uma doença crônica degenerativa que afeta o cérebro e a medula espinhal. Ela pode evoluir de forma lenta ou rápida e os pacientes apresentam graus de comprometimento diversos. Em algumas pessoas, as consequências podem ser bastante severas, como cegueira, paralisia e perda das funções cognitivas. 

A cladribina é o primeiro tratamento oral de curta duração, com eficácia prolongada no controle da EMRR. Por isso, foi incluída na Lista de Medicamentos Essenciais da OMS (Organização Mundial da Saúde). 

Resultados de estudos recentes, apresentados no 39º ECTRIMS (Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla), mostraram que os pacientes que fizeram uso do remédio tiveram a lesão neuronal reduzida em dois anos. Outras pesquisas verificaram que 81% deles conseguiram andar sem nenhum apoio e mais da metade não necessitou de mais nenhum outro medicamento. (Leia mais abaixo)

Parceria - A parceria para a produção nacional será firmada entre o Farmanguinhos (Instituto de Tecnologia em Fármacos) da Fiocruz, a farmacêutica Merck, produtora do Mavenclad, e a indústria química-farmacêutica Nortec.

Segundo a diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, este será o primeiro medicamento produzido pelo Instituto para o tratamento da esclerose múltipla. 

“A parceria reafirma o nosso compromisso com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos inovadores, produzidos em território nacional. É um caminho importante para a transformação de políticas públicas em cuidado real para quem mais precisa”, complementa Silvia. 

O Instituto da Fiocruz tem sua produção voltada para as terapias de alto valor, que tratam principalmente doenças negligenciadas.

De acordo com o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, essas parcerias estreitam os laços tecnológicos da Fundação com seus parceiros nacionais e internacionais, além de ressaltar o valor estratégico dos laboratórios públicos.  (Leia mais abaixo)

“Consolidar o Complexo Econômico e Industrial da Saúde, para garantir a sustentabilidade dos programas do SUS, gerando empregos especializados, reduzindo preços e mantendo a qualidade dos produtos.”

A Fundação tem mais 2 acordos de parceria em andamento com a Merck, envolvendo a produção de outra terapia para a esclerose, a betainterferona 1a, e de um medicamento para tratar a esquistossomose em crianças.

Fonte: Poder360



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