Fim do regime de partilha para exploração do pré-sal pode ser pautado na Câmara

A avaliação é de Adriano Pires, doutor em economia industrial e Sócio-Fundador e Diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE)


  • 09/11/2017, 11h21, Foto: Divulgação.
Realizado na última sexta-feira de outubro, o leilão do pré-sal que rendeu mais de seis bilhões de reais à União, poderia ter gerado valores muito mais elevados caso o modelo adotado fosse o de concessão, ao invés do de partilha de produção. A avaliação é de Adriano Pires, doutor em economia industrial e Sócio-Fundador e Diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). De acordo com ele, no regime de partilha, a União e as petroleiras dividem o petróleo e o gás natural extraídos. Do total produzido são descontados os custos da exploração, e o volume de petróleo ou gás restante é o chamado excedente em óleo. Esse excedente é dividido entre União e a petroleira. Portanto, neste tipo de leilão, vence a disputa quem oferece a maior quantidade da produção futura nas áreas leiloadas, além dos bônus e royalties para a União. Já no regime de concessão, a empresa, ou o consórcio, contratado pela União assume o risco pela exploração. Por conta disso, a empresa concessionária tem a propriedade de todo o óleo e gás descoberto e produzido na área concedida. Em contrapartida, a empresa paga ao Estado participações pela ocupação ou retenção de área, royalties e, em caso de campos de grande produção, a participação especial.Adriano Pires defende a utilização do modelo de concessão, que ele acredita ser mais transparente. “Eu particularmente advogo que o regime de concessão é um regime melhor que a partilha. Primeiro que eu acho absurdo o Estado brasileiro participar do risco do negócio. Você está ganhando barris de petróleo para vender esses barris daqui a 10 anos e daqui a 10 anos você não sabe qual o preço do petróleo. E a segunda desvantagem da partilha em relação à concessão é que é um modelo menos transparente. É muito pouco transparente que o Estado brasileiro, uma estatal brasileira, se encarregar de vender barril de petróleo. Na concessão não, na concessão você ganha os royaties, você antecipa o dinheiro, por exemplo, o leilão de sexta-feira (27) talvez você tivesse arrecadado 40 bilhões de reais.”



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