Filha suspeita de matar a mãe diz à polícia que foi obrigada a abortar um bebê

Segundo a investigação, namorado da jovem ajudou a asfixiar a vítima. Crime foi planejado por vários meses, segundo a polícia


  • 11/10/2018 07h58 Foto: Reprodução.
A Polícia Civil revelou nesta quarta-feira (10) que Paloma Vasconcelos, de 21 anos, disse em depoimento que começou a planejar a morte da própria mãe em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, depois de ser obrigada a abortar um bebê em 2017. Dircelene Botelho Garcia, de 51 anos (foto acima), morreu asfixiada e foi torturada por 40 minutos pela filha e o namorado dela, Gabriel Molter, de 26. Em depoimento, Paloma contou que engravidou no ano passado e contou para a mãe sobre a gravidez, mas foi convencida a abortar. Segundo a polícia, a mãe teria procurado uma clínica em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e pagou R$ 2.500 pelo procedimento. “Há um fundo passional. Ela disse que ficou grávida e a mãe teria forçado um aborto. Levou ela até Cabo Frio, no ano passado, e fez com que ela fizesse um aborto. A partir daí, ela coloca essa data como a data inicial, em que ela começa a pensar o que ela faria para matar a mãe”, disse Claudio Batista. O delegado diz ainda que a jovem planejou a morte da mãe durante vários meses e que convenceu o namorado a ajudá-la. A suspeita chegou a pesquisar na internet formas de matar a mãe e, em uma das tentativas, colocou herbicida no vinho da vítima. Já André Prattes, delegado adjunto da 105ª DP, contou como o crime foi cometido pelo casal. “O fato indica que ela, ao sair do banheiro, foi abordada pelos dois com um pano de formol colocado sobre o rosto, fazendo com que a vítima perdesse a consciência. Juntos, eles colocaram saco plástico e fitas adesivas sobre seu rosto, impedindo a circulação, a respiração da vítima”, afirmou. Disse ainda que, após matar Dircelene, o casal pegou um estetoscópio para confirmar se o “óbito aconteceu ou não”. A polícia também encontrou vários tipos de comida dentro dos armários. O pai da jovem, que é advogado e também faz a defesa dela, informou à polícia que outros alimentos dentro da casa podem estar envenenados. Uma perícia interditou o local. Contra o casal havia um mandado de prisão. Eles serão transferidos para um presídio no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (10). O casal foi indiciado e responderá pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e dissimulação. Carta para a mãe A Polícia Civil encontrou uma carta dentro de um caderno no quarto de Paloma. Um dos trechos diz: "Você podia ter abortado, mas preferiu ter me criado com falta de seu amor materno. Você não sabe a falta que me faz". De acordo com Claudio Batista, a carta "anuncia um sofrimento por achar que não tinha um tratamento que gostaria de ter por parte da mãe". Entenda o caso A morte da comerciante Dircelene foi parar na polícia depois que o viúvo e padrasto da jovem entregou imagens de uma câmera instalada de frente para o armário no quarto do casal. Ele e Dircelene desconfiavam que a jovem estava furtando dinheiro que ficava guardado no cômodo. Ainda de acordo com o Claudio Batista, o vídeo mostra uma movimentação do casal dentro do quarto, mas não exatamente a ação do crime, já que o equipamento estava direcionado para o armário. A vítima morreu na terça-feira (2). O laudo da exumação do corpo aponta que Dircelene morreu por asfixia mecânica por sufocação direta. Os suspeitos prestaram depoimento no sábado (6) e confessaram o crime, mas não ficaram presos por conta do período de anistia eleitoral. O crime aconteceu na noite de terça-feira (2). Vivian Andrade, advogada do viúvo da vítima, disse à Inter TV que toda a motivação do crime foi patrimonial. “Não seria justo com a família que a autora do crime ficasse com os bens da vítima. Posteriormente, meu cliente vai abrir mão de toda herança em favor dos pais da vítima. O interesse dele não é algum pelos bens”, afirmou. Já Carlos Andrade, advogado criminal que atua como assistente no caso, disse que existia um “conflito pequeno” entre mãe e filha. “Nos últimos seis meses, a mãe cobrava da filha uma postura em relação ao trabalho e a filha se negava. E também não aceitava o namorado da filha porque ele também não tinha essa postura e estava proibido de entrar na casa. Mas nós entendemos que isso não é um motivo para o crime”, explicou. A equipe de reportagem tenta contato com o pai de Paloma, que é advogado e responsável pela defesa da jovem. Fonte: G1



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