A Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic) quer criar um canal de interlocução com o poder público a fim de encaminhar sugestões e propostas para o desenvolvimento regional. Empossado no mês passado como presidente da entidade, o engenheiro e empresário Fernando Loureiro disse em entrevista ao Radar 24 Horas, apresentado pelo jornalista Fabiano Venancio e veiculado nas plataformas digitais do site Campos 24 Horas. Ele acrescentou que pretende estreitar este relacionamento a fim de que a Acic construa uma parceria produtiva visando revitalizar o Centro Histórico e atrair investimentos para geração de emprego e renda.
“Dinheiro público não existe. O que existe são pagadores de impostos. O investidor tem ser beneficiado porque ninguém vai para uma região sem condições para expandir ou abrir um negócio que gera divisas, sem vantagens. No Espírito Santo há uma política de isenções fiscais que tem atraído investimentos. Nós aqui não temos. Se a gente não abrir as portas e criar um ambiente favorável ao investidor não vamos ter emprego porque ele vai para outro estado ou outra cidade”, disse Loureiro. abaixo) (Leia mais abaixo)
“Precisamos que o poder público abra as portas para que a gente possa apresentar as propostas, com reuniões de 15 em 15 dias ou uma vez ao mês junto ao poder público e fizer: nós temos isso aqui para mostrar e vamos trabalhar para que isto aconteça”. )
UNIÃO ENTRE PREFEITOS - O empresário sugeriu a união entre os prefeitos e lideranças políticas da região a fim de fortalecer as reivindicações regionais. “Os prefeitos da região tem que se juntar e ir a Brasilia, abrir o portfolio de cada município mostrando sua proposta individualizada, de acordo com suas potencialidades. Eles todos juntos têm mais peso político”, enfatizou.
LEITE - Loureiro lembrou ainda que Campos reúne enormes potencialidades para gerar produtos de valor agregado na agricultura e pecuária. “Campos é o grande produtor de leite do Norte Noroeste Fluminense, mas manda leite para Itaperuna e Bom Jesus de Itabapoana, além de outros municípios que tem cooperativa. E por que não temos uma aqui? Como deixar uma Italac ir para Itaperuna? Se eu tenho a caneta na mão, chamo o dono da empresa e pergunto: amigo o que vocês precisa para se instalar em Campos?
CARNE - O novo presidente da Acic também destacou ainda outras possibilidades de fontes de receitas na cadeia produtiva na economia rural. “Nosso rebanho bovino é também grande. Há 40 anos nós tínhamos aqui três abatedouros, dois frigoríficos e nove usinas. Se você tem gado, tem carne, se tem carne por que não tem um abatedouro? Se tem o abatedouro porque não tem aqui um curtume para daí montar uma fábrica de sapatos?”, indagou.
SOJA - Loureiro lembrou ainda dos estudos sobre a produção de soja na região. “Há quantos anos sabemos que Campos é uma planície? Se você tem uma planície tem rentabilidade para plantar soja. Nós temos clima e água, que é o mais importante para a produção. Por que não buscar quem planta soja em Goiás ou Tocantins e oferecer nossas potencialidades? Vamos falar com associações produtores de lá e procurar o que eles querem para investir em Campos”. (Leia mais abaixo)
PORTO - Nós temos aqui perto um porto, logo vamos ter frete mais barato, com isso o produtor vai ser mais bem remunerado. Eles colocam a soja em cima de um caminhão para andar a quilômetros e pagam de frete quase o mesmo preço da soja que transportam. Se os produtores aqui não tem condições de plantar, vamos criar condições de um arrendamento. Tudo é negócio”.
CENTRO HISTÓRICO - Fernando Loureiro falou também sobre os problemas no Centro Histórico de Campos. “Precisamos de uma repaginação no Centro. O prefeito Wladimir tem que entrar junto para fazer intervir e mudar essa filosofia a fim de definir o que é velho e o que é histórico. Sou membro do Coppam e penso diferente de alguns companheiros de lá. Um prédio só porque tem 100 anos é histórico? Se ali morou José do Patrocínio ou Nilo Peçanha, vamos respeitar e preservar. Mas por causa de um detalhe na parede ou no telhado passa a ter valor histórico””, questionou.
POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO - Na visão de Loureiro, a política de preservação como tem sido efetuada impede a atração de mais investimentos na área central de Campos. “Da Avenida Sete, passando pela Rua do Ouvidor até a Rua do Gás praticamente aqueles prédios não tem valor histórico algum, mas tudo está preservado, ninguém pode mexer. Se você compra uma área de 20x60, com 1.200 metros quadrados e quer construir um prédio de apartamentos para alugar a comerciantes ou comerciários que trabalham no Centro e querem ficar perto de casa ou do trabalho, a fim de facilitar o custo de vir e vir, com condomínio e piscina e área de lazer, não pode construir. Como vai dar volumetria populacional ao Centro como tem sido feito no Centro do Rio?.Se você herda um prédio de 15x30 com 450 metros quadrados e quer reformar para alugar alugar por R$ 25 mil por mês não pode. Deixa de arrecadar, pagar impostos e gerar empregos porque tem que manter aquele negócio velho que não pode alugar a ninguém” .
HOTEL E IMÓVEIS - "O advento do porto fez alguns remos obter um grande handicap. O ramo hoteleiro se preparou para servir o movimento do porto e se encontra bem consolidado. O ramo imobiliário, quando tem um loteamento tem andado muito bem. Há uma gama pessoas que se estabeleceram aqui com um padrão de renda per capita de médio pra bom ou muito bom. Então, Campos é um eldorado para alguém se instalar ou aqui morar porque os municípios vizinhos não têm faculdade ou uma estrutura de saúde e educação".
SEGURANÇA – "De março até agora em agosto foram 11 arrombamentos e quebras de vitrine no Centro. O poder público só disponibiliza segurança até 18h. O Segurança Presente, do governo estadual, só funciona até 22h. E depois? No Campos Shopping, recentemente, tivemos três vitrines quebradas. Um chega, quebra o vidro e arromba. Aí chega um outro, vem de moto e leva tudo. O Segurança Presente trouxe uma diminuição do roubo a transeuntes, mas o assédio a lojas e os índices de arrombamentos não diminuiu". (Leia mais abaixo)
ESTACIONAMENTO - "O problema da falta de vagas de estacionamento no Centro se arrasta há vários anos. Ali na antiga fábrica de tecidos, no bairro da Lapa, tem uma área grande do Corpo de Bombeiros que poderia ser aproveitada numa cooperação entre os governos municipal e estadual onde poderia ser construído um edifício-garagem".