Postado por Fabiano Venâncio - (Vídeo ao final das informações) - A foz do Rio Paraíba do Sul já se deslocou de Atafona, em São João da Barra, para algumas centenas de metros ao norte, já nos limites de Gargaú, no município de São Francisco de Itabapoana. O fenômeno tem sido mostrado pelo advogado e empresário Romário Teixeira Bernardo, que tem percorrido a região a bordo de seu avião. O Campos 24 Horas mostra o que pensa um geógrafo da Uenf e outros especialistas sobre a mudança de local do encontro do rio com o mar.
"É mais um vídeo inédito, algo impressionante porque a foz foi deslocada já para Gargaú. Tem a Ilha do Pessanha e a Ilha da Convivência, onde mais adiante está se formando um banco de areia que a gente não sabe onde vai parar. É a natureza", disse o comandante Romário, como é também conhecido. (Leia mais abaixo)
Entretanto, como explica o geógrafo Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), a mudança do local do encontro das águas do Rio com o mar tem como causa a perda da força das correntes do Paraíba.
"O rio foi perdendo a força em suas correntes e já não tem capacidade de empurrar os sedimentos e a deposição de areia para longe", disse. (Leia mais abaixo)
Desde 1993, assinala Pedlowski, o Laboratório de Ciências Ambientais da UENF tem realizado estudos sobre a situação de degradação do Paraíba, onde se conclui que o rio vem perdendo volume continuamente em seu espelho d'água.
Algumas causas são apontadas como a transposição para alimentar o sistema de abastecimento do Grande Rio, através da adutora do Guandu; a instalação de PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) em alguns municípios de São Paulo e Rio de Janeiro e a Represa do Funil, entre outras intervenções. (Leia mais abaixo)
"Estava viajando a caminho do Sul e passei por Lorena (SP), onde vi obras à margem do rio", contou.
"O somatório dessas intervenções, mais o desmatamento acentuado às suas margens e outras ações predatórias fizeram o rio chegar a esta situação", ponderou ainda o professor da UENF. (Leia mais abaixo)
Uma das preocupações apontam para a crise hídrica de São Paulo, onde o sistema Cantareira tem enfrentado um período preocupante de escassez.
Numa matéria publicada em novembro de 2014, pelo portal do Instituto Humanitas, da Unisinos (universidade de São Leopoldo-RS), o oceanólogo David Zee já manifestava preocupação com a possibilidade de transposição do Rio Paraíba do Sul para amenizar a crise hídrica na Região Metropolitana de São Paulo (Leia mais abaixo)
"Não é porque São Paulo está precisando de água que tem de se tomar a decisão de tirar água de outro Rio. É uma política pública míope", afirmava.
O pesquisador admite que, "por ser próximo dos centros consumidores, o Rio Paraíba do Sul é também extremamente exigido pela agricultura, pela produção de energia e outros usos", acrescentou. (Leia mais abaixo)
"Antes de se pensar em fazer transposição do Paraíba para Cantareira é preciso solucionar a questão do desperdício de água, entre 32% e 38%. O rio atravessa três estados, e outras pessoas também precisam de água", concluiu Zee.
Pedlowski também manifestou apreensão. "Há mais de 10 anos que eles (paulistas) discutem essa transposição. Se a situação continuar dessa forma dramática no sistema Cantareira, eles vão buscar outras alternativas como avançar nesse plano de transposição do Paraíba. Como São Paulo é um estado com muita força política e econômica, é um assunto que já deveria estar sendo tratado com muito mais cuidado por aqui". (Leia mais abaixo)
Há cerca de 15 mil anos, o volume d'água do Paraíba era de tal proporção que deu origem a várias lagoas que foram se formando na paisagem da planície, explica ainda o professor Pedlowski. "Depois tiveram redução significativa do espelho d'água. É o que chamo de braços abandonados do Rio Paraíba ", finalizou.
Com 1.123 km de extensão, o Rio Paraíba do Sul nasce na Serra da Bocaina, no Estado de São Paulo, no município de Paraibuna (SP) e corta dezenas de municípios fluminenses, paulistas e mineiros. VEJA VÍDEO ABAIXO. (Leia mais abaixo)
Ver essa foto no Instagram
(Leia mais abaixo)