27/01/2017 09h11 | Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas

A procura pela vacina foi grande no Centro de Saúde na manhã desta sexta-feira.

A diretora da Vigilância em Saúde de Campos, Andréya Moreira, concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (27) com o objetivo de esclarecer sobre bloqueio contra a febre amarela no município e destacou que não há motivo para pânico, já que a cidade não apresentou nenhum caso da doença.
"Não necessidade de desespero. Não há nenhum caso da doença em Campos. O bloqueio é para evitar problemas no futuro e provavelmente não vai existir pois estamos fazendo o nosso trabalho corretamente", ressaltou a diretora
Andreya participou na tarde desta quinta-feira (26) de uma reunião representantes dos municípios do Norte e Noroeste Fluminense, em Miracema, para definir estratégias de imunização contra a doença, principalmente em áreas mais próximas de onde estão sendo registrados casos da doença.

A primeira fase da vacinação será na próxima segunda-feira (30), das 9h às 15h, quando os moradores do distrito de Santo Eduardo receberão a vacina. Na semana seguinte, será a vez da população do distrito de Santa Maria, que receberá 4 mil doses extras conseguidas após solicitação do prefeito Rafael Diniz. Serão 100 doses diárias. Podem ser vacinadas pessoas de 9 meses a 60 anos, e é necessário ter comprovante de residência e um documento de identidade.
Para aqueles que vão viajar para os locais de circulação do vírus ou que retornam desses locais, no Centro de Saúde, localizado na Secretaria Municipal de Saúde, em Campos, deverão apresentar documentos como: comprovante da residência, comprovante de reserva em hotel, bilhete de pedágio ou passagens compradas para receberem a vacina. O indicado é que a pessoa se vacine com pelo menos 10 dias antes da viagem para que o organismo adquira imunidade."É importante a pessoa ter em mãos o comprovante de destino (a passagem) para ser vacinada, além disso, também é necessário tomar a vacina dez dias antes para criar imunidade, senão ela vai correr o risco de pegar a doença", explicou.

A diretora ressaltou ainda que a equipe está treinada para saber se há a necessidade da vacinação. "Idosos que fazem uso de corticoide, terapias não devem ser vacinados, além de gestantes, mulheres que amamentam, pessoas com HIV positivo, pessoas alérgicas a proteína do ovo, entre outras restrições. Por isso nossa equipe está foi treinada e capacitada", destacou Andreya.
Notificações
De acordo com os dados do Estado, divulgados em nota, até segunda-feira (23), foram notificados 421 casos suspeitos de febre amarela, com 87 óbitos em quatro estados (Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e São Paulo), além do Distrito Federal. Minas Gerais é o estado com o maior número de registros até o momento. Foram 391 casos suspeitos em 39 municípios, com 58 já confirmados. Deste total, 31 evoluíram para óbitos.
Os municípios que terão ação de bloqueio são: Bom Jesus do Itabapoana, Cantagalo, Carmo, Comendador Levy Gasparian, Itaperuna, Laje do Muriaé, Natividade, Paraíba do Sul, Porciúncula, Santo Antônio de Pádua, São Francisco de Itabapoana, Sapucaia, Três Rios e Varre-Sai. Os critérios para a definição das escolhas destes municípios foram analisados pela secretaria de Estado como: os municípios que fazem divisa com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, pertencentes às regiões Norte, Noroeste, Serrana e Centro Sul, tendo como principal critério a proximidade com as áreas de surto da doença em Minas Gerais.
Transmissão, sintomas, prevenção e tratamento
A febre amarela, doença infecciosa aguda, é causada por um arbovírus do gênero flavivírus, da família Flaviviridae - o mesmo gênero dos vírus responsáveis pela dengue. Acredita-se que esse vírus tem a sua origem na América Central.
Na época das grandes navegações, nos séculos 15 e 16, o vírus da febre amarela embarcou com os exploradores e se disseminou pelo mundo.
Mosquitos na selva
O vírus da febre amarela sobrevive, no ambiente selvagem, nos organismos de mosquitos - dos gêneros Haemagogus e Sabethes - e de primatas, como macacos e saguis. Quando um desses mosquitos pica um animal contaminado, o inseto é infectado e se torna um vetor permanente.
Ao injetar uma substância anticoagulante, antes de sugar o sangue de primatas silvestres saudáveis, esses mosquitos transmitem o arbovírus da febre amarela para suas vítimas.
Uma vez na corrente sanguínea de um primata, como o macaco-barrigudo - Lagothrix lagotricha, o vírus se instala nas células de seu organismo e se multiplica, até que as mesmas se rompam, liberando novos vírus.
Veja vídeo: