Farol: Delegado fala sobre extorsão e mortes violentas

Delegado da 134ª DP concede entrevista exclusiva ao Campos 24 Horas e diz que assassinatos de comerciante e taxista podem ter conexão


  • 18/01/2024, 17h56, Foto: Campos 24 Horas.

(Assista ao vídeo no final da matéria) - Em entrevista exclusiva ao Campos 24 Horas, o delegado titular da 134ª DP/Centro, Alexandre Netto Cardoso, falou a respeito das duas mortes violentas que deixaram moradores assustados no Farol de São Tomé, em Campos, nas últimas semanas, e ainda sobre um golpe que vem sendo aplicado por uma quadrilha para extorquir comerciantes e empresários da praia campista. Ele assegurou que as investigações dos assassinatos do taxista Sandro Siqueira, em 26 de dezembro, e do comerciante Amaro Nilton, no último dia 13, estão avançadas, e não descartou haver conexão entre os assassinatos.

"Realizamos diversas diligências, colhemos informações importantes nos locais dos crimes e nenhuma linha de investigação está sendo descartada. Por uma questão de eficiência, algumas linhas não podem ser reveladas, para não prejudicar os trabalhos. Mas, posso dizer que as investigações estão muito avançadas. Estamos trabalhando para desbaratar a empreitada criminosa e analisar se há ou não conexão entre o primeiro e o segundo homicídios", disse Alexandre. (Leia mais abaixo)

Golpe - O delegado revelou que existe uma quadrilha atuando no Farol de São Tomé para extorquir comerciantes e empresários. Segundo ele, o golpe consiste em aproveitar o momento de insegurança, criado pela morte violenta de dois trabalhadores num intervalo de 19 dias, para constranger comerciantes e pedir determinada quantia em dinheiro via Pix, seja para garantir o funcionamento do comércio ou para assegurar a vida do comerciante. Segundo ele, estão tentando instalar uma sensação de terror. Alexandre alertou que o grupo tem se passado por uma narcomilícia, mas que ele acredita tratar-se de criminosos que atuam dentro e fora dos presídios.

 "Há diversas ocorrências de possível atuação de narcomilícias, que estariam ligando para extorquir valores de comerciantes e empresários no Farol. Eu tive acesso a 3 ou 4 registros, mas há notícias de que existem mais. Mas, esses golpes são rotineiros, aplicados no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil todo. São criminosos, estelionatários, golpistas, que atuam dentro e fora dos presídios, como objetivo de constranger empresários e comerciantes para auferir vantagem diante de uma situação de medo, desses dois crimes praticados nesta localidade. Mas não é atuação da narcomilícia", esclareceu o delegado.

Ele alertou para que toda a população esteja muito atenta à prática desse crime e denuncie, registrando o caso na delegacia. E deu dicas para que as pessoas identifiquem que se trata de um golpe.

"É preciso tomar muito cuidado, porque esse golpe é rotineiro. Podem ser ligações do Rio de Janeiro e de fora do estado. Principalmente neste momento de terror, que vão se prevalecer disso para ligar, extorquir, para auferir vantagem. Se isso acontecer, é importante a participação da população como um todo, registrando estes casos na Delegacia, para investigar e desbaratar esta quadrilha que vem constrangendo a população e comerciantes com uma falsa narcomilícia que vem atuando na praia do Farol", explicou Netto.

 Ele ainda disse que a prática é comum, e que só muda conteúdo utilizado, a forma de ameaçar as vítimas. E explicou que, na maioria das vezes, as ligações são oriundas de telefones com outros DDDs, assim como as chaves do Pix indicado pelos criminosos tem prefixos de outros estados.  "Por si só já se verifica que se trata de um golpe. Temos registros de casos como este na 134ª DP. Nossa equipe está selecionando e verificando os que guardam relação com o caso do Farol. Inúmeros lojistas documentaram, online e presencialmente. Lembrando que é muito importante, caso isso aconteça , que as vítimas compareçam à delegacia para noticiar os crimes. Sem essas informações, se torna ainda mais difícil a polícia chegar aos autores. As notícias desses fatos são essenciais para eliminar essa eventual quadrilha que quer se aproveitar desses comerciantes que atuam em Campos", enfatizou o delegado. (Leia mais abaixo)

Segurança - Alexandre ressaltou que a segurança no Farol de São Tomé está reforçada, através de uma estratégia implementada pelo Departamento de Policiamento de Área (DPA) e pela Secretaria de Estado de Segurança Pública. Ele ainda pontuou que as Polícias Civil e Militar estão trabalhando de forma integrada, eficaz e incessante para esclarecer os crimes registrados no Farol e que os resultados têm sido muito positivos.

Homicídios - O taxista Sandro Siqueira, conhecido como 'Geleia', foi assassinado a tiros, na noite  de 26 de dezembro, na praia do Farol de São Tomé. Ele estava com sua esposa dentro de seu táxi, na Avenida Atlântica no Xexé, quando dois homens de moto se aproximaram e atiraram nele, a poucos metros do carro. A testemunha disse que não conhece os autores do crime. 

Já no último dia 13, o comerciante Amaro Nilton foi assassinado a tiros dentro de seu estabelecimento, na praia de Farol de São Tomé. O crime desafia a Polícia, já que o comércio fica a cerca de 100 metros do Departamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da Polícia Militar, na praia campista.  A vítima estava atendendo no caixa, quando dois homens invadiram o local e fizeram vários disparos contra ele. Segundo testemunhas, os autores fugiram em uma moto. (Vídeo da entrevista abaixo)

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