Centenas de moradores de áreas de risco de Ururaí, que durante décadas sofreram com as cheias, encontraram porto seguro nos programas de políticas habitacionais de Campos, como o Aluguel Social e o Morar Feliz. Hoje, estas pessoas estão livres de diversos transtornos, como a interrupção do ano letivo para as crianças, o risco de doenças relacionadas a enchentes e faltas ao trabalho por causa das prolongadas vigílias do nível do rio, a fim de terem tempo de retirar os móveis, antes das casas serem invadidas pelas águas.
Andréia Teixeira, 32 anos, mudou na semana passada, com o marido e os cinco filhos, para uma casa custeada pela Prefeitura, através do Aluguel Social. A família dela é uma das seis que foram desalojadas com a cheia do Ururaí e que serão contempladas com casas do Morar Feliz
Somente de Ururaí e das margens da BR 101, a Prefeitura de Campos retirou 798 famílias, transferindo-as para casas com toda infraestrutura urbana no condomínio do Morar Feliz da Tapera (I e II). Outras, como Carla dos Santos Marques, 19 anos, casada e mãe de um menino de dois anos, aguardam para serem contempladas com as novas unidades que estão sendo construídas na segunda fase do programa.
Andréia, que teve a casa alagada semana passada, foi com a família para o Aluguel Social, no seu próprio distrito. “Sou cadastrada na Secretaria da Família e Assistência Social para ganhar uma casa e disseram que vou ganhar uma das que estão sendo construídas no Morar Feliz de Ururaí”, contou a dona de casa, que teve de abrigar também o pai, que já havia sido contemplado com uma casa na Tapera, negociou o imóvel e retornou para área de risco.
O pai de Andréia ocupava a última casa a ser demolida nesta quarta-feira (11), pela Defesa Civil Municipal. Por ter negociado a casa que ganhou do Morar Feliz, ele perdeu o direito de ser beneficiado por qualquer programa habitacional do município. Por ser socialmente vulnerável, foi incluído na composição familiar da filha, que já é cadastrada para o benefício.
Com as chuvas que caíram na Região do Imbé, as águas da Lagoa de Cima elevaram o nível do Rio Ururaí a 3.56 metros, desalojando seis famílias da área de risco conhecida como Ilha. Em anos anteriores, quando o Ururaí atingia este nível, mais de 50 famílias - aproximadamente 200 pessoas - tinham de ser removidas do local. Em 2008, quando o rio transbordou, ultrapassando 3.80 metros, foram mais de 150 famílias desabrigadas e desalojadas.