Ex-procurador-geral de Justiça do RJ ligado a Cabral é preso

Delator, operador financeiro de Cabral entregou Cláudio Lopes


  • 09/11/2018, 20h22, Foto: arquivo.
O ex-procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes, foi preso na noite desta quinta-feira (8). Ele foi preso em casa, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Cláudio Lopes é alvo de uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, que indica que ele recebeu propina para "blindar" a organização chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral. Um suposto esquema envolvendo Lopes e Cabral consta em delação de Carlos Miranda - o mesmo operador de Cabral cujo testemunho desencadeou a Operação Furna da Onça nesta quinta. O Ministério Público Estadual confirmou a prisão desta quinta, mas não divulgou os motivos. Em nota, a defesa de Lopes afirmou que "irá tomar as medidas judiciais cabíveis". O Ministério Público do Estado fez a denúncia no início de outubro contra quatro envolvidos em esquema comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral – entre eles, o ex-procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes. Além de Cabral e Lopes, foram denunciados o ex-secretário de Governo, Wilson Carlos, e Sérgio de Castro Oliveira , conhecido como Serjão. Os quatro foram denunciados por formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa, além de e quebra de sigilo funcional, crimes cometidos entre o final de 2008 e dezembro de 2012. O processo está sob sigilo. O que diz a delação: Segundo Miranda, que era operador financeiro de Cabral, o ex-procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes, recebia uma mesada do ex-governador. O RJ2 teve acesso ao resumo do que Carlos Miranda contou no anexo 19 da delação premiada. O documento, de 6 de março de 2018, está assinado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Miranda disse que o ex-governador Sérgio Cabral fez pagamentos ilegais ao ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, Cláudio Soares Lopes. Carlos Miranda relata que, no fim de 2008, durante a campanha de Cláudio Lopes para procurador-geral, Wilson Carlos, então secretário de governo, e Sérgio Cabral, pediram que ele separasse R$ 300 mil para entregar a Cláudio Lopes. Miranda disse que tal valor deveria ser supostamente gasto na campanha para a eleição de Cláudio Lopes. O delator conta que os recursos solicitados foram separados e entregues a Sérgio de Castro Oliveira, o Serjão, um dos operadores financeiros do grupo do ex-governador, para entrega a Wilson Carlos, que ficou encarregado de entregar a Cláudio Lopes. Claúdio Lopes tomou posse como procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro em janeiro de 2009, prometendo combater a corrupção. Carlos Miranda contou na delação que mesmo depois de assumir o cargo, Claudio Lopes continuou a receber dinheiro do grupo do ex-governador Sérgio Cabral. Segundo Miranda, o procurador-geral recebia uma mesada. Investigações não foram adiante: Durante a gestão de Cláudio Lopes, investigações importantes ligadas ao ex-governador não foram adiante. Entre elas, a contratação do escritório de advocacia da ex-primeira-dama, Adriana Ancelmo, por concessionárias do estado e o empréstimo do jatinho do empresário Eike Batista ao então governador para uma viagem a Bahia, onde foi comemorado o aniversário do empreiteiro Fernando Cavendish. Fonte: Globo.com



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