Ex-diretor do Ministério da Saúde é preso durante depoimento em CPI

Senadores da base governista dizem que decisão de prisão de Dias é nula


  • 07/07/2021, 20h29, Foto: Divulgação.

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), mandou prender o depoente da reunião desta quarta-feira, 7, o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, alegando que a testemunha mentiu à comissão. Já os senadores da base aliada se insurgiram contra a ordem de prisão e alegaram que a decisão não tem validade, já que o regimento determina que as comissões, temporárias ou permanentes, tenham os trabalhos suspensos quando tem início a ordem do dia no plenário.

"Chame a polícia do Senado. O senhor está detido pela presidência da CPI", anunciou o parlamentar. A advogada de Roberto Dias protestou e classificou a ordem de prisão como "um absurdo". Pouco antes das 18 horas, Aziz reiterou o pedido e encerrou a sessão: "Ele está preso por mentir em perjúrio". (Leia mais abaixo)

Aziz tomou a decisão após a revelação de áudios, divulgados pela CNN Brasil, que contrariam a tese que Dias apresentou à comissão: a de que o encontro com o vendedor de vacinas e policial militar Luis Paulo Dominghetti aconteceu de forma acidental, tendo Dominghetti aparecido de supresa - acompanhado pelo tenente-coronel Marcelo Blanco - em um restaurante em Brasília.

"Muito possivelmente ele sabia que eu estava neste restaurante por alguma mensagem ou telefonema", respondeu Ferreira Dias ao relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

"No restaurante chegou Blanco com Dominguetti. Blanco foi meu assessor, era indicação do (ex-ministro Eduardo) Pazuello e eventualmente eu conversava com ele. Ao sentar a mesa houve apresentação. Dominguetti se apresentou como alguém que trabalhava com vacina, e fez menção a oferta de 400 milhões de doses de vacina, que já havia sido circulado no ministério da Saúde", afirmou a testemunha.



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