Estudante de medicina chora em audiência

CASO ELIANA – Campos 24 Horas mostra a posição do Ministério Público e o que disseram testemunhas, como o pai e a irmã de Carlos Eduardo na 1ª audiência do caso


  • 12/12/2024, 22h57, Foto: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - O estudante de medicina Carlos Eduardo Aquino Cardoso, de 32 anos, irá a júri popular, por ter matado a própria mãe, Eliana Lima Tavares Cardoso, de 59 anos, no último dia 28/10, na Avenida Francisco Lamego, no Jardim Carioca, em Campos, e poderá pegar de 20 a 40 anos de prisão. O promotor de Justiça Marcelo Fernandes Guimarães disse que “as provas demonstradas nos autos foram confirmadas pelas testemunhas que reiteraram o que foi dito no inquérito”, ou seja, não foi atropelamento "houve a vontade livre e consciente de tirar a vida da mãe". Carlos Eduardo está preso e passou pela primeira audiência no Fórum Maria Tereza Gusmão,  nesta quinta-feira (12), durante a qual foram ouvidas as primeiras das 14 testemunhas do feminicídio. De bermuda e sandália, o réu assistiu as declarações das testemunhas. Os primeiros ouvidos foram o delegado do caso, Carlos Augusto, titular da da 146ª DP/Guarus,  Eduardo Aquino Cardoso, pai de Carlos e marido de Eliana, e Lara Aquino, irmã do estudante de medicina. O Campos 24 Horas acompanhou a audiência e mostra como o Ministério Público vai conduzir a acusação do crime até o julgamento e o que disseram as testemunhas.

De acordo com o promotor Marcelo Guimarães, “houve por parte de Carlos a vontade livre e consciente de tirar a vida da mãe, tendo o carro sido utilizado como um meio para o crime”. O promotor acrescentou também  que a pena base é de 20 anos, e máxima, de 40 anos, com causa de aumento que pode ser ainda aplicada ao caso pelo juiz que irá decidir quanto à dosimetria da pena. Naquela noite de segunda-feira, Eliana pedalava sua bike e, quando se aproximava da Ponte Leonel Brizola, o veiculo conduzido por Carlos projetou-se violentamente contra a bicicleta, matando Eliana. (Leia mais abaixo)

O QUE DIZ O PAI - Eduardo Aquino Cardoso, pai de Carlos e marido de Eliana, contou que emprestou o carro ao filho que lhe prometeu devolver o veículo em 10 minutos. “Mas passaram os 10, 20 e outros tantos minutos, ligava e ele (o filho) não atendia. Liguei pra ela (Eliana) que também não atendia. Quando cheguei no local estava lá aquela confusão toda, bombeiros e policiais, um deles veio com a bolsa dela que logo reconheci e logo depois vi o corpo dela no chão. Eu o agarrei e disse: “Veja o que você fez! Você matou sua mãe! Ele me disse "pai me perdoa, me perdoa..." Logo após ele foi levado pelos policiais e nunca mais o vi”, disse o pai do réu. IRMÃ E OUTRAS TESTEMUNHAS - Outras testemunhas também depuseram como a irmã do réu, Lara Aquino, que confirmou as seguidas agressões físicas praticadas por Carlos Eduardo contra a mãe e revelou ainda que o irmão chegou a praticar furtos em casa "para acerto lá com a comunidade". Carlos Eduardo era usuário de drogas. Amiga de Lívia e vizinha da família, Lívia Machado foi outra a depor. A testemunha disse que quando era agredida pelo filho, Eliana saía de casa e ia para a rua pedir ajuda aos vizinhos que chegavam inclusive a chamar a polícia, mas Carlos Eduardo saía de moto, voltava e nada acontecia.

“Na última vez que ele foi a Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher), eu disse a ela: ‘Eliana você tem que denunciar seu filho à Polícia. Do contrário ele vai matar você e Eduardo. Se ele chegar lá e constatarem que há necessidade de tratamento vai ser encaminhado para se tratar. Mas ela nunca levava adiante porque defendeu filhos com unhas e dentes, inclusive ele. Ela contou que já tinha perdido a carteira (de habilitação) por conta de multas devido às infrações de trânsito que o filho cometia”.

De bermuda e sandália, o réu assistiu as declarações das testemunhas e chegou a chorar durante um dos depoimentos. Além do Ministério Público, o assistente de defesa também apresentou alegações finais até o processo ser concluído e encaminhado ao juizado que irá definir a data do julgamento pelo tribunal do júri.  (Veja vídeos AQUI e AQUI)



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