Estado do Rio perde 11 mil vagas formais

Fim de contratos temporários, crise na Petrobras e Operação Lava Jato elevaram demissões


sexta-feira, 20 de março de 2015     -     Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas comércio 2014A combinação do fim do contrato de empresas terceirizadas da Petrobras com o fechamento das vagas temporárias abertas pelo comércio e o setor de turismo nos primeiros meses do ano fez o Estado do Rio liderar o ranking do desemprego em fevereiro. No mês passado 11.101 vagas formais de trabalho foram fechadas no estado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta sexta-feira (20) pelo Ministério do Trabalho. É o pior resultado para o mês desde 1999. O comércio foi o setor mais atingido, com a redução de 6.010 vagas, seguido da construção civil, com saldo negativo de 4.043 postos de trabalho. A indústria de transformação perdeu 2.544 vagas. O setor de serviços foi responsável por minimizar os danos, com a abertura de 2.325 oportunidades. Segundo o ministro da pasta, Manoel Dias, o resultado negativo em todo o país decorre, em parte, dos efeitos da Operação Lava Jato, que apura pagamento de propinas em obras contratadas pela estatal, o que impactou o setor da construção civil e naval em todo o território nacional. “Certamente, nesse primeiro momento, a Lava Jato influenciou em redução de emprego”, afirmou o ministro. No estado, as cidades ligadas à atividade petrolífera lideram o ranking de vagas fechadas. “Isso mostra a importância da Petrobras para o estado”, afirma o economista Mauro Osório. Ele também avalia que o clima de instabilidade política interfere na dinâmica do comércio. “Quando você tem um cenário de confusão, a tendência das pessoas é reter o consumo. Está se criando um clima em que fica parecendo que o Brasil está numa situação dantesca. O cenário real é melhor do que o que está na cabeça das pessoas”. A capital teve o maior saldo negativo, com eliminação de 1.993 postos. Itaboraí foi a segunda cidade com o pior desempenho. Foram 1.216 vagas fechadas. A cidade tem sido palco de tensões devido às demissões e greves nas obras do Comperj, afetada pelo escândalo de corrupção na Petrobras. Ontem, três mil funcionários do complexo decidiram manter uma greve que completa 11 dias. Cidades como Macaé e Niterói, fortemente ligadas ao setores naval e de petróleo, também foram afetadas. Em Niterói, 681 vagas foram eliminadas. Em Macaé, 890. No país, queda de 2.415 empregos No Brasil, o mercado de trabalho teve retração de 0,01% em fevereiro, em relação a janeiro, com a redução de 2.415 postos de trabalho formais. No segundo mês do ano, foram registradas 1.646.703 admissões e 1.649.118 demissões. O resultado foi o pior para o período desde 1999, quando 78 mil postos de trabalho foram fechados. O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, minimizou o resultado. “Fevereiro foi bom, na expectativa de que estabilizou, pois janeiro dizia que seria muito pior. Vamos aguardar o 1º semestre do ano para termos uma expectativa de como será o comportamento do emprego no ano”, avaliou ontem, durante a apresentação dos dados do Caged. Os setores mais atingidos foram o comércio, com o fechamento de 30.354 postos, e a construção civil, com perda de 25.823 vagas. A agricultura extinguiu 9.471 postos. No setor de serviços, houve acréscimo de 52.261 vagas.



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