Especialistas em segurança pública e educação ouvidos pelo Metrópoles contestaram propostas do candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, reunidas no plano de governo chamado “Livro Amarelo”. As críticas se concentram em medidas para enfrentar facções criminosas, ampliar escolas cívico-militares e extinguir cotas.
O sociólogo Ignacio Cano, professor da Uerj, afirmou que a proposta de “neutralizar” integrantes de facções em situações de perigo ou resistência pode violar garantias constitucionais se resultar em punição sem julgamento. Ele também criticou a abordagem da segurança pública como guerra.
Na educação, a professora Catarina Santos, da Universidade de Brasília, questionou a compatibilidade das escolas cívico-militares com a liberdade de aprender e ensinar. Ela também argumentou que a retirada das cotas prejudicaria grupos historicamente minorizados.
A assessoria de Renan Santos rejeitou as avaliações. Sustentou que a neutralização mencionada no programa se limita às hipóteses legais de legítima defesa e cumprimento do dever, que cotas instituídas por leis ordinárias podem ser revogadas e que o modelo cívico-militar já funciona em estados brasileiros. O candidato propõe substituir cotas pela Bolsa Mérito Brasil, voltada aos 10% de melhor desempenho oriundos da rede pública.