

Uma equipe do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, chegou durante a noite à Santa Casa de Juiz de Fora (MG) para verificar a situação do candidato Jair Bolsonaro. Os médicos afirmaram que ele não deve ser transferido para outro hospital. Segundo a equipe, o político ainda não está em um quadro adequado para a transferência, mas a mudança é uma decisão que a família deve tomar desde que ele tenha condições clínicas de ser transportado.
Bolsonaro não deverá receber alta hospitalar antes de "uma semana ou 10 dias", disse em coletiva de imprensa na noite desta quinta-feira (6) o médico Luiz Henrique Borsato, da Santa Casa de Juiz de Fora. Ele foi um dos cirurgiões que operou o candidato, atingido por uma facada.
"Antes de uma semana ou dez dias, ele não vai receber alta", afirmou o médico. Ele ressaltou que o prazo é uma estimativa e que tudo dependerá de como evoluir a recuperação de Bolsonaro.
MUTO GRAVE:
O médico Gláucio Souza afirma que Bolsonaro chegou ao hospital em estado “muito grave” com pressão “muito baixa”. “Felizmente conseguimos conter a hemorragia a tempo”, relatou o profissional.
Com o golpe, Bolsonaro teve uma lesão em uma veia no abdômen, três perfurações no intestino delgado, uma lesão grave no intestino grosso e uma lesão transfixante grande. “Nós optamos por fazer uma ressecção do segmento e confeccionamos uma colostomia. Fizemos essa conduta dada a gravidade do paciente, e as lesões graves foram identificadas e tratadas durante a cirurgia”, afirmou Souza.
Os médicos fizeram uma colostomia temporária, procedimento que conecta o intestino a uma bolsa fora do corpo, evitando que as fezes passem e possam causar uma infecção no local onde foi tratada a perfuração.
PF:
Em nota, a Polícia Federal afirmou: "[Bolsonaro] contava com a escolta de policiais federais quando foi atingido por uma faca durante um ato público na cidade de Juiz de Fora (MG). O agressor foi preso em flagrante e conduzido para a Delegacia da PF naquele município. Foi instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias do fato".
CAMPANHA SUSPENSA:
Diante de seu quadro de saúde, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) vai ficar afastado da campanha eleitoral, sem previsão de voltar às ruas no curto prazo. Em um pronunciamento nas redes sociais, o presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, convocou os seguidores a rezarem por Bolsonaro. “Hoje as eleições não importam. Você que está preocupado com a saúde do nosso capitão não se deixe esmorecer”, apelou.
FILHOS:
Flávio e Eduardo Bolsonaro, filhos do candidato, deixaram a campanha e seguiram para Juiz de Fora. Disputando o Senado, Flávio acompanharia o desfile de 7 de setembro no Rio de Janeiro e depois faria campanha em Rio das Ostras, Campos dos Goytacazes e Itaperuna. Eduardo gravou vídeo falando da situação do pai e escreveu nas redes sociais: “Soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde”.
Com seis segundos em cada bloco do horário eleitoral gratuito, Bolsonaro estava investindo nas mídias sociais e na campanha de rua. Segundo as últimas pesquisas de intenção de votos, Bolsonaro lidera a corrida pelo Palácio do Planalto.
VICE DE BOLSONARO:
O candidato a vice-presidente, General Mourão, disse que o PSL não convocou reunião, mas que, neste momento, “o principal é organizar o dispositivo”. “O nosso compromisso é com o Brasil. Nosso projeto é esse. Nada vai nos deter”, afirmou.
Mourão recebeu a notícia da agressão quando chegava a Porto Alegre para um congresso de neurocirurgia. Nesta sexta-feira, retornará ao Rio de Janeiro, onde reside. “Bolsonaro é um homem forte. Vai se restabelecer para ganharmos no primeiro turno”, disse.