Ao contrário de outros países, o Brasil vem mantendo, apesar de toda a parafernália digital atual, um antigo hábito: o de trocar cartas manuscritas. O envio e o recebimentos de correspondências sociais mais do que dobrou nos últimos cinco anos. De acordo com levantamento dos Correios, por exemplo, o tráfego de cartas sociais, que não passou de 66 milhões de unidades em 2010, deverá chegar a 133 milhões este ano, dois milhões a mais do que no ano passado.
Mas é justamente graças à tecnologia que essa tradição vem crescendo. Blogs, como o ‘Trocas de Cartas’ (trocas de cartas.blogspot.com.br), estão virando uma febre, e ajudando a aproximar amantes de missivas à moda antiga, inclusive estrangeiros. Os cariocas, à frente dos gaúchos, estão em terceiro lugar entre os que mais enviam postagens à base de caneta e papel, perdendo só para os paulistas e mineiros. Já entre os que mais recebem cartas, que custam entre R$ 0,95 e R$ 4,55 (registrada), os fluminenses aparecem em segundo lugar.
Lily tem acervo de mais de 2 mil cartas, guardado a sete chaves, fruto de apenas uma parte da troca de mensagens postais periódicas com pelo menos 500 pessoas nas últimas duas décadas. (Leia mais abaixo)
“Minha paixão pelas cartas começou ainda na escola, onde trocava cartinhas em sala de aula. Depois os contatos foram ampliando, até chegar em gente que nem fazia ideia de onde morava, no exterior”, conta Lily, que, orgulhosa, não cansa de receber e-mails de gente agradecendo a ‘ponte’ feita pelo blog para novas amizades e até casamentos. “A espera da carta, pelo seu conteúdo, emociona, causa uma expectativa ímpar. Já recebi tudo quanto é tipo de cartas. Desde crianças denunciando que apanhavam dos pais, até lindas histórias de amor”, revela.
Amizade real
A designer de interiores carioca, Ingrid Chilano, 24 anos, é uma das jovens que utilizam a internet como fonte para conseguir novas amizades postais. Ela lembra que começou a escrever cartas aos dez anos e aos 18 passou a se corresponder com pessoas selecionadas pelo computador, com os mesmos interesses e afinidades.