Na Saúde, trabalhar com a Política de Atenção Básica requer, além de ter em mãos um programa de governo bem elaborado, como tem o município de Campos, também conhecimento e ser um entusiasmado dentro do que se propõe. Juntando esses ingredientes e, ainda, um programa federal como o Estratégia Saúde da Família (ESF), que visa a reorganização da Atenção Básica no país, está pronto o “remédio” para os males da população.
Roberto Voguel dos Santos, fisioterapeuta com pós graduação em Saúde Pública e mais de 20 anos de serviços prestados na área, é o subsecretário municipal de Atenção Básica e considera que houve em Campos um grande avanço neste setor. E vai mais longe, afirmando que com o ESF, o que já era bom, ficará melhor ainda, levando-se em consideração que este vai colocar a população mais próxima do atendimento à saúde. (Leia mais abaixo)
Campos 24 Horas – O senhor fala com entusiasmo do Estratégia Saúde da Família (ESF). Porque isso?
Roberto Voguel – Porque vai fazer uma grande mudança na saúde do município, que já tem serviços de excelência. As Unidades Básicas de Saúde (UBS), que estão dentro da Saúde Básica, são porta de entrada da população e nelas se resolvem 80% dos problemas de saúde que, desde o início detectados e tratados, não evoluem. E mesmo que o paciente não procure a UBS, a unidade vai até ele, através dos agentes de saúde. Hoje são 72 UBSs espalhadas pelos quatro cantos do município.
C24H – Mas como funcionam de fato?
Roberto– De segunda à sexta-feira, das 7 às 17h, com médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde, odontólogos, pessoal de apoio, entre outros. A UBS vai trabalhar com a população mapeada, com as pessoas cadastradas identificando todos daquele localidade, por patologias. A partir daí o paciente tem acompanhamento, com o cuidado extendido a toda a família, daí o nome Estratégia Saúde da Família.
C24H – Então a UBS vai mudar sua filosofia, podemos dizer assim? (Leia mais abaixo)
Roberto– A ideia é que esse paciente vá para a UBS e não para o Hospital Ferreira Machado (HFM), por exemplo. Desta forma, a maioria dos problemas será resolvido lá, onde ele pode contar, inclusive, não só com o atendimento médico, mas também com todos os medicamentos. Estamos com 12 UBSs modelo já em construção no município, com atendimento a todas as necessidades preconizadas pelo Ministério da Saúde. Elas são totalmente climatizadas, com duas salas de curativo, sala de nebulização, dois consultórios odontológicos, sala para coleta de exame, sala de convivência para os funcionários, entre outros.
C24H – Então a tendência é que todas sejam transformadas em modelo como essas 12 em construção?
Roberto- Não dá para transformar as 72 de uma só vez em modelo como essas. É um trabalho por etapas, mas algumas já estão sendo substituídas desta forma, na Tapera, Parque Imperial e outras. Tem que deixar claro que essa questão de UBS modelo não é exigência do Ministério da Saúde, mas uma vontade do governo municipal de fazer mais ainda.
C24H– Mas a Atenção Básica engloba também a saúde mental. Como anda em Campos?
Roberto – Hoje temos em Campos quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps). O CapsI (infantil), Caps2 (em Guarus para ambulatório de pacientes psiquiátricos), Caps3 (ára pacientes psiquiátricos com curta permanência, de um dia para outro) e o Caps AD (atendimento a dependência química). A proposta do governo é, além destes, implementar outros. (Leia mais abaixo)
C24H – Que outros?
Roberto – Será criada a Unidade de Acolhimento Infanto Juvenil (UAI) e a Unidade de Acolhimento de Adulto (UAA). A primeira com 10 vagas para crianças em situação de risco, em conflito familiar, problemas originados pela dependência química, tudo em torno da droga. A segunda com a mesma finalidade. As unidades serão ligadas ao Caps AD, que cuida de álcool e droga. E tem mais novidades...

C24H– Mais o que?
Roberto – Vai ser implantado o Consultório de Rua. Este terá equipe multidisciplinar, que vai semanalmente em pontos específicos e variados da cidade onde há concentração de pessoas em situação de rua, para atendimento ali no local. Não será atendimento social e, sim, médico, levando medicamentos, fazendo curativo se precisar, distribuindo camisinha e por aí vai. E terá ainda em Campos a Residência Terapêutica, tudo isso na área da Saúde Mental.
C24H – E o que é uma Residência Terapêutica? (Leia mais abaixo)
Roberto – Será para paciente psiquiátrico, aquele que durante anos morou em instituição asilar ou manicômio. A finalidade desta é desistitucionalizar, quando o paciente sair do local onde estava, aprender a voltar ao convívio social. Muitos destes não sabem mais, sequer, ir a uma padaria da esquina, por exemplo. Mas no local terá acompanhamento de psicólogo, enfermeiros e todos que vão orientar esse paciente como proceder no dia a dia.
C24H – Mas alguma novidade na área da Saúde Mental?
Roberto – Olha, está previsto um novo Caps AD para Goitacazes e, além dessas ferramentas todas que já falei, tem ainda a clínica para dependentes químicos em Pedra Lisa, com 50 vagas. Lá também tem equipe multiprofissional, mas não é para internação compulsória, o paciente tem que querer. Ele deve ir ao CapsAd que, por sua fez, o encaminha para a clínica, onde ele fica por até 45 dias. Antes esses pacientes iam para fora da cidade, longe dos familiares e hoje estão aqui na cidade mesmo.
C24H – O senhor é otimista. Vai tudo bem, obrigado?
Roberto – A saúde pública atende a grande maioria da população e toda ela acaba sendo usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). Se você tem plano de saúde, em caso de acidente na rua, por exemplo, você vai primeiro para o HFM. E a saúde pública em Campos ainda permite que todos os hospitais sejam contratualizados pela prefeitura, ampliando os serviços deles. Sem falar na grande quantidade de medicamentos que são distribuídos. E as facilidades? Hoje um paciente faz seu exame de sangue perto de casa, nas UBS que são todas informatizadas. (Leia mais abaixo)
____________________________________ Postado por Fabiano Venancio