Entrevista: Diniz fala em 'prosseguir com o processo de transformação de Campos'

Candidato a prefeito do Cidadania é o entrevistado deste sábado do Campos 24 Horas


  • 03/10/2020, 00h52, Foto: reprodução / Campos 24 Horas.

Em entrevista ao Campos 24 Horas neste sábado (03), dentro da série que o site publica com todos os candidatos à prefeitura de Campos, o prefeito e candidato a reeleição, Rafael Diniz (Cidadania), fala, entre outros assuntos, sobre as medidas que lançará, caso seja reeleito, nas áreas de saúde, educação e economia. Mesmo com a imagem desgastada, ele diz acreditar que pode continuar no comando da cidade: “Por todos os desafios que enfrentei e venci, quero continuar trabalhando”. Após quase quatro anos no comando da cidade, Diniz ainda faz questão de criticar o governo passado: “Peguei uma prefeitura praticamente falida e com arrecadação em queda”. Ele também defendeu uma campanha eleitoral em que os candidatos apresentem propostas concretas: ”Falar é fácil, no discurso tudo é muito bonito. Difícil é ter a coragem de fazer, como eu fiz". A respeito da falta do aumento de arrecadação para compensar a queda da receita dos royalties, Diniz promete, caso seja eleito: “A principal proposta é continuar fortalecendo a economia para aumentar nossa receita própria”. Veja abaixo a entrevista completa do candidato Rafael Diniz.

Campos 24 Horas - Por que o senhor aceitou ser candidato à reeleição? O que mais pesou na decisão? (leia abaixo) Rafael Diniz- O que mais me motiva é a necessidade de prosseguir com o processo de transformação de Campos que iniciamos em 2017. Peguei uma prefeitura praticamente falida e com arrecadação em queda; sem falar nas dívidas bilionárias, como a “Venda do Futuro” e o rombo do PreviCampos. Mas tivemos a coragem de tomar decisões difíceis para ajustar as despesas, às custas de muitas críticas. Mesmo diante de todas dificuldades, pude entregar obras importantes, como as UPHs São José (Hospital da Baixada) e de Travessão, o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), o Residencial João Batista e o CEMEI do Parque Aurora, nossa primeira escola em tempo integral. Minha principal obra foi pôr a casa em ordem sem precisar pegar dinheiro emprestado, como fizeram no passado, deixando a conta para meu sucessor pagar. E ainda demos a Campos o destaque que ela merece: transparência. Fomos bem classificados pela CGU, TCE/RJ e MPE/RJ. Por todos os desafios que enfrentei e venci, quero continuar trabalhando. Campos precisa olhar para frente. (Leia mais abaixo)

C24H - Qual a sua avaliação do atual cenário político do município? Rafael - Respeito os adversários, isso é normal num processo democrático. Mas tenho visto muito discurso e pouca proposta concreta. De repente, parece que todo mundo tem a resposta para todos os problemas. Se alguém tem a solução mágica, que apresente agora, não precisa esperar a eleição chegar. Mas acho pouco provável que essas soluções apareçam – até porque alguns pré-candidatos vêm justamente dos grupos políticos que quebraram Campos. Falar é fácil, no discurso tudo é muito bonito. Difícil é ter a coragem de fazer, como eu fiz. A eleição de novembro será a chance de confrontar projetos e mostrar quem está antenado com a realidade e quem vive no mundo maravilhoso da ficção.

C24H - Na sua avaliação, qual é o principal problema de Campos para os próximos 4 anos? Rafael - O principal desafio é continuar trabalhando para compensar a queda de arrecadação de royalties e participações especiais, que tende a se agravar. Campos hoje arrecada praticamente metade do que arrecadava seis anos atrás, mas as despesas da máquina pública continuam altas. Só com a folha salarial dos servidores, a despesa anual é de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, enquanto o orçamento do município não deve passar de R$ 1,7 bilhão em 2021. No meu governo, aumentei a arrecadação própria em cerca de R$ 100 milhões por ano; mas ainda foi pouco para cobrir a perda de quase R$ 1 bilhão em royalties e participações especiais. O cenário é extremamente desafiador e vai exigir que o próximo prefeito continue a fazer os ajustes que eu iniciei.

C24H - A prefeitura de Campos registra elevado custeio, enquanto as receitas despencam a olhos vistos. Há estimativa de que o orçamento de 2021 possa cair para R$ 1,6 bi, outros falam em R$ 1,5 bilhão. A folha de pagamento consome mais da metade do atual orçamento, ficando com mais de R$ 1 bilhão. A Saúde tem orçamento estimado em R$ 700 milhões. Como manter o restante dos serviços sem comprometer o atendimento à população? Rafael - Esse dever de casa a gente vem fazendo desde o primeiro dia que assumimos a Prefeitura de Campos. Deixaram uma bomba relógio, prestes a explodir e a gente vem ao longo desses três anos e nove meses, desarmando essa bomba todo instante. E como viemos fazendo isso? Com planejamento e estratégia: redução de despesas, aumento da arrecadação própria, atração de novas empresas e diversificação da economia. Meu governo deu o primeiro passo - fui o primeiro prefeito a realmente pensar e trabalhar por uma Campos além dos royalties. Dialogamos com mais de 20 deputados, independentemente de partido político, e aumentamos em quatro vezes, em relação à gestão anterior, a captação de recursos federais. E com isso entregamos à população obras importantes como as UPHs São José e de Travessão, reformas de 10 UBSs, ambulâncias e foi possível manter serviços. E assim vamos continuar diversificando a economia, aumentando a arrecadação e dialogando com os deputados.

C24H - E as propostas para o futuro caso permaneça no governo? Ou pode listar as prioridades? Rafael - A principal proposta é continuar fortalecendo a economia para aumentar nossa receita própria, gerando mais empregos e renda para a população. Vamos ampliar o Fundecam Empreendedor, o Programa Municipal de Apoio a Startups e o fortalecimento da agricultura familiar. Na Educação, o grande projeto é a expansão dos CEMEIs, escolas em tempo integral. Na área da Saúde, vamos  aprimorar o sistema de marcação de consultas, que já deu um grande salto no meu governo. Não temos mais em Campos pessoas dormindo nas portas dos hospitais para marcar exames e consultas. O programa de reforma e modernização das UBSs e UPHs será ampliado, ajudando a desafogar o Ferreira Machado e o Hospital de Guarus. O sistema integrado de transporte ganhará os terminais definitivos e um conceito mais amplo de mobilidade, incluindo outros modais. Também pretendo ampliar as parcerias público-privadas, atraindo grandes investimentos para o município – a exemplo do que fiz com o Aeroporto Bartolomeu Lisandro, que está sendo ampliado e modernizado sem nenhum custo para o cofre da prefeitura.

C24H - O senhor se sente incomodado ao ver tantas críticas de opositores à sua gestão?  Rafael - De forma alguma, as críticas são normais num ambiente democrático. Não vivemos mais no tempo do coronelismo, em que os opositores eram perseguidos por expressarem sua opinião. Aliás, prefeito nenhum dialogou de forma tão ampla com a população como eu venho dialogando. E quem se abre ao diálogo, logicamente, precisa aceitar críticas. Minha preocupação é sempre falar a verdade e explicar o real cenário do município – as dificuldades que herdamos e o quanto já conseguimos caminhar. (Leia mais abaixo)

C24H - Quais as medidas que o próximo gestor deve tomar para enfrentar a crise?Rafael - Primeiro de tudo é ter uma postura séria e responsável e entender prioridades. Administrar Campos não é uma brincadeira, não é uma aventura, não é bancar com recursos públicos shows milionários em praças, até porque a população já sabe que é possível fazer isso com custo zero para o município como fizemos em Farol nos últimos dois anos, com parcerias. Ser prefeito de Campos hoje não é fazer o que se quer, mas sim o que precisa ser feito. Nossa cidade está em um processo de reconstrução, se reerguendo dos reflexos da corrupção e se reinventando em meio aos recursos escassos do petróleo. É preciso continuar acreditando no empreendedor, no agricultor, nas novas tecnologias para que Campos continue respirando e crescendo. Do contrário, será o colapso.



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