Em que as picapes americanas são diferentes das brasileiras?

As opções de picapes americanas vem lentamente aumentando no Brasil e elas são bastante diferente do que estamos acostumados


  • 19/08/2021, 15h03, Foto: Reprodução.

Por anos o mercado de caminhonetes no Brasil era dominado por modelos americanos: as Ford F100 e Chevrolet C14 protagonizavam, enquanto a Dodge D100 era um mero coadjuvante. Em 1979 a Fiat criou a categoria das picapes compactas derivadas de carros de passeio, mas dentre as picapes tradicionais as americanas reinavam.

Com a abertura das importações nos anos 90 chegaram as picapes médias japonesas. Nessa mesma época os fabricantes americanos apostaram nesse segmento de picapes médias, decisão que se mostrou acertada. Com a Chevrolet Silverado saindo de linha em janeiro de 2002 restou apenas a Ford F250 no segmento de picapes grandes. (Leia mais abaixo)

As picapes americanas estão voltando ao Brasil No final de 2020, a Ram anunciou a vinda do modelo 1500 Rebel, equipada com motor V8 a gasolina. O primeiro lote da picape esgotou em menos de 24 horas, mesmo sem vir com o motor diesel que os brasileiros amam tanto nesse tipo de veículo.

Agora foi a vez da irmã maior da nossa conhecida Ram 2500 ser confirmada para o Brasil, o modelo 3500. Essa picape gigante utiliza rodagem dupla no eixo traseiro, algo que estamos acostumados a ver em veículos comerciais.

A Ford e a Chevrolet não confirmam, mas elas podem estar prestes a anunciar picapes grandes americanas no Brasil. A Chevrolet Silverado 1500 já é vendida em países da América do Sul como o Chile, Paraguai e Uruguai; já a F150 pode ser encontrada na Argentina, Uruguai e Paraguai.

A alta do agronegócio, popularidade do estilo de vida rural e até as músicas sertanejas influenciam no interesse por essas picapes americanas. Muitos as chamam de “picapes de verdade” por serem grandes e imponentes quando comparadas com as picapes médias.

Picapes americanas têm uso diferente do que estamos acostumados Historicamente, as picapes grandes se popularizaram em zonas rurais. As antigas caminhonetes Ford e Chevrolet auxiliavam fazendeiros em regiões longe do asfalto, mesmo sem ter tração 4×4. Por isso o brasileiro prioriza a capacidade de carga nesses veículos. (Leia mais abaixo)

Com a legislação permitindo os motores diesel em caminhonetes com capacidade de carga acima de 1.000 kg, os fabricantes aumentaram a capacidade de carga das picapes americanas feitas no Brasil. As picapes médias japonesas conquistaram o Brasil rapidamente por lidarem bem com grandes cargas na caçamba e também pela confiabilidade.

Capacidade de reboque é quem manda Enquanto isso nos EUA, as picapes ganharam mercado pela capacidade de reboque. Os tradicionais sedãs e peruas com chassi separado da carroceria eram bastante usados para rebocar, mas com as leis de emissões estrangulando os motores V8 desses carros, os consumidores migraram para as picapes e SUV grandes.

A legislação de trânsito atual dos EUA torna praticamente impossível para que um carro de passeio seja homologado para puxar reboques, prática comum na Europa até hoje. Por isso temos hoje picapes americanas que possuem capacidade de carga inferior a de modelos compactos brasileiros.

Na Ram 1500 a capacidade de carga é de apenas 610 kg, mas a capacidade de reboque é de 5.062 kg. A Ram é por enquanto a única da categoria também a oferecer molas helicoidais no eixo traseiro, tendo uma suspensão a ar como opcional (nos EUA), mostrando que o foco é rebocar trailers no asfalto com conforto e estabilidade.

Conheça a Ram 1500 em detalhes em nossa avaliação: Tecnologia é aliada das picapes Nas categorias acima a capacidade de reboque dessas picapes é ainda maior, com a Ford F450 capaz de puxar quase 17 toneladas. Isso é resultado de uma guerra publicitária que está acontecendo nas últimas décadas nos EUA, onde todo fabricante quer ostentar o título de maior capacidade de reboque da categoria. (Leia mais abaixo)

Junto dessa briga existe uma paralela sobre qual fabricante oferece mais equipamentos para ajudar nessa tarefa: modulação eletrônica dos freios do reboque, controle de estabilidade com calibração específica e câmera de ré que torna o trailer “invisível” são algumas das tecnologias que nasceram dessa competição.

E diferente do brasileiro, que exige tração 4×4, as picapes 4×2 ainda são populares nos EUA por usuários que moram em regiões onde não neva. Os interessados por usar a caminhonete em trilhas procuram modelos específicos para isso como a Ford F150 Raptor, a Ram 2500 Power Wagon ou a Chevrolet Silverado TrailBoss.

Entendendo as categorias Caminhonetes e caminhões são classificados em classes que vão de 1 a 8 nos EUA, divididas pelo peso bruto total (PBT). Os veículos até a categoria 6 podem ser dirigidos com carteira de habilitação comum, com a habilitação de uso comercial (equivalente a CNH E brasileira) sendo exigida apenas para as classes 7 e 8.

A Classe 1 engloba as nossas conhecidas picapes médias, com PBT de até 2.722 kg; A Classe 2a é a da Ford F150, Ram 1500 e Silverado 1500, com PBT de até 3.856 kg; Acima vem a classe 2b, da Ram 2500, F250 e Silverado 2500, com PBT até 4.536  kg. A classe 3 é a última com picapes, englobando as Ford F350 e F450, Silverado 3500 e Ram 3500, com PBT de até 6.350 kg.

As classes 4, 5, 6 e 7 já são caminhões feitos para receber implementos como baú ou carga seca. Por fim existe a classe 8, com cavalos mecânicos. (Leia mais abaixo)

Os números – como 1500, 2500 e 3500 usados pela Ram – são herança de classificações antigas das picapes. Esses números representavam a capacidade de carga das picapes em libras, ou seja, uma Ford F100 era homologada para 453 kg (1.000 libras), já a Chevrolet C20 era homologada para 907 kg (2.000 libras).

Essa regra caiu em desuso com a evolução das caminhonetes e também com as diferentes opções de capacidade de carga que cada modelo oferecia. Mas os números foram mantidos pela facilidade de identificar a categoria de cada modelo.

Fonte: Uol



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