Postado por Fabiano Venancio - A prisão do deputado e presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil) por suspeita de vazar informações (aqui) de uma operação da Polícia Federal deve embaralhar o jogo na disputa para governador na eleição de 2026. Isso porque Bacellar figurava como pré-candidato a governador e aspirava cumprir o papel de desafiante do favorito ao governo do Estado, o prefeito da capital Eduardo Paes (PSD). Tudo indicava que o presidente da Alerj iria assumir a cadeira de governador em abril do ano que vem e sua aposta seria na área de segurança, especialmente nas megaoperações policiais para crescer nas pesquisas, enquanto o atual governador Cláudio Castro renunciaria o cargo para ser candidato ao Senado. Mas, agora, o discurso contra a criminalidade na pré-campanha de Bacellar fica fragilizado. O Campos 24 Horas mostra os reflexos do revés sofrido pelo deputado campista
Alçado a uma meteórica ascensão na política estadual após comandar o processo de impeachment do governador Wilson Witzel como presidente da Alerj. Com a assunção do vice Cláudio Castro, o parlamentar campista logo tornou-se o homem de confiança e exercendo forte influência sobre Castro no Palácio Guanabara. (Leia mais abaixo)
Castro se elegeu governador, passou a mirar uma vaga no Senado e se comprometeu a apoiar a candidatura de Bacellar ao Palácio Guanabara, inclusive prometendo deixar o governo em abril para se dedicar à campanha e abrir espaço para o deputado campista ocupar interinamente o governo.
Até mesmo a indicação do vice-governador Thiago Pampolha ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), afastando-o da linha de sucessão, fez parte da engenharia política montada por Castro e Bacellar. (Leia mais abaixo)
Todavia, o prestígio, visibilidade e constante presença na mídia do deputado campista não resultou em aprovação popular. Nas pesquisas de intenção de voto, Rodrigo Bacellar não chegava à casa de um dígito.
Até que os índices de criminalidade e insegurança passaram a tomar outras proporções e assumir centralidade absoluta entre as preocupações dos cariocas e fluminenses, de acordo com pesquisas. (Leia mais abaixo)
Castro e Bacellar prepararam um pacote anticrime e enviaram à Alerj, que aprovou o conjunto de leis, que incluiu a proibição da chamada "saidinha" dos presos.
Todavia, a prisão de Bacellar, suspeito de ligação com uma organização criminosa apontada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fragilizou o discurso contra a criminalidade na pré-campanha do presidente da Alerj. (Leia mais abaixo)
BRIGA COM REIS - O revés que atropelou Bacellar pode abrir espaço para as aspirações do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), na sucessão estadual. Político de pensamento também conservador e larga experiência, além de forte liderança na Baixada Fluminense, um dos maiores colégios eleitorais do Estado, Reis tem ainda o aval e simpatia da família Bolsonaro.
Outro nome que tem o endosso do ex-presidente e incorpora o espírito da pauta da segurança pela política do enfrentamento é o deputado estadual Rodrigo Amorim (PL), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Alerj. (Leia mais abaixo)
Rodrigo Bacellar foi preso na última quarta-feira (03) nas investigações da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A PF apurava suspeita de que Bacellar era responsável pelo vazamento de informações sigilosas ligadas à Operação Zangun, que levou à prisão do deputado estadual TH Jóias(MDB), acusado de ligações com o Comando Vermelho.