PL: dúvida sobre mandato-tampão, mas definição por Ruas/Lisboa para eleição

ELEIÇÃO RJ – PL de Flávio confirma aliado de Altineu para o governo do Rio e aliança com PP e União, mas deixa em aberto nome que disputará mandato-tampão


  • 24/02/2026, 23h12, Foto: Divulgação.

Em reunião realizada nesta terça-feira em Brasília, o PL, partido do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, confirmou que o secretário estadual de Cidades, deputado Douglas Ruas (PL), será o candidato do partido ao governo do Rio. Aliado do deputado federal e presidente da sigla no estado, Altineu Côrtes, Ruas terá como vice na chapa o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP), antes cortejado por Eduardo Paes (PSD). O União Brasil, por sua vez, vai ficar com uma das vagas do Senado. No entanto, não houve consenso para a eleição indireta que deverá ocorrer em abril, quando haverá a escolha do nome de quem será o governador até dezembro, após a provável renuncia de Cláudio Castro (PL), que é pré-candidato ao Senado.

A reunião contou com Flávio, Altineu e o governador Cláudio Castro (PL), antes de os envolvidos na chapa e outros aliados serem chamados para um segundo momento da conversa. Ruas e Lisboa foram convocados em cima da hora para Brasília, depois de informados ontem da formação da aliança. (Leia mais abaixo)

Com o movimento, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) encaminha um palanque com partidos de peso no berço político da família. Além do tempo de propaganda eleitoral ao qual as siglas têm direito, destaca-se o número de prefeituras comandadas por elas: PL, PP e União são as legendas com o maior número de cidades do estado.

Também ficou acertado no encontro que Castro vai concorrer ao Senado, o que obriga o governador a renunciar ao Palácio Guanabara até o início de abril — com isso, os deputados estaduais da Assembleia Legislativa (Alerj) precisam eleger um governador-tampão com mandato até o fim do ano. Antes disso, no entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomará o julgamento do caso Ceperj, marcado para 10 de março, que ameaça cassar Castro e deixá-lo inelegível. (Leia mais abaixo)

Segundo participantes da reunião desta terça, o candidato para a eleição indireta será anunciado mais perto do prazo. Castro tenta emplacar o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione (PL), mas Flávio e o grupo de Altineu preferem que Ruas já seja o candidato na votação da Alerj — que ocorrerá ainda no primeiro semestre. O objetivo do cacique do PL é que Ruas chegue à campanha contra Paes, em outubro, já sentado na cadeira de governador e no comando da máquina administrativa, o que é visto como uma condição mais favorável para a disputa nas urnas.

A outra vaga do Senado na chapa do PL ficará com o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), conforme acertado na reunião desta terça. Ele foi um dos presentes no encontro prévio realizado na noite de segunda-feira no Rio, que também teve o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e o dirigente estadual do PP, Dr. Luizinho. (Leia mais abaixo)

Aposta na Região Metropolitana - Após a reunião em que bateu o martelo pela candidatura do PL, o senador Flávio Bolsonaro citou a atuação de Ruas como secretário de Cidades, considerada uma das pastas com maior capilaridade na gestão estadual.

— Ele realizou um trabalho extraordinário à frente da Secretaria de Cidades. É uma pessoa respeitada na política e que tem o apoio dos partidos que estão se integrando a esse projeto — declarou Flávio.

Principal fiador da candidatura de Ruas ao governo, o deputado Altineu Côrtes destacou que o aliado tem força política em São Gonçalo, terceiro maior centro de eleitores do estado — e reduto de Altineu, assim como a vizinha Itaboraí. (Leia mais abaixo)

O deputado também afirmou que a aliança também consegue avançar sobre a Baixada Fluminense, com lideranças de municípios como Belford Roxo e Nova Iguaçu, que ficam no entorno da capital.

— Douglas é policial civil, advogado. É um gestor extremamente organizado e competente. O pai dele é o prefeito mais votado do Brasil nas cidades acima de 500 mil habitantes, que é São Gonçalo. Nunca na história da cidade um deputado estadual teve 68 mil votos, e o Douglas teve 150 mil votos só em São Gonçalo — argumentou Altineu. — Canella foi o deputado estadual mais votado do estado, com 175 mil votos. Essa chapa une a força da Baixada com São Gonçalo e Itaboraí. (Leia mais abaixo)

Vice era cortejado por Paes - Indicado nesta terça como colega de chapa de Ruas, o ex-prefeito Rogério Lisboa era um dos preferidos para ser o vice de Paes. No entanto, Paes acertou uma aliança com o MDB, devido a dificuldades para garantir o apoio do PP, partido de Lisboa.

O gesto de Paes fez com que o PL se movimentasse nos últimos dias para assegurar o apoio de União Brasil e PP, partidos que devem oficializar em breve uma federação. (Leia mais abaixo)

— É uma frente muito forte. Esse é o desespero do pré-candidato Eduardo Paes. Era isso que ele não queria que acontecesse, mas aconteceu — declarou Altineu nesta terça.

Na política do Rio, porém, a leitura é que os arranjos ainda podem mudar até a campanha, já que Paes tende a fazer novos movimentos para tentar atrair o PP e o União. Hoje, no entanto, o acordo dele com o MDB — que indicou Jane Reis como sua candidata a vice — levou os outros dois partidos para o lado do bolsonarismo. (Leia mais abaixo)

Dúvida sobre mandato-tampão - Na reunião desta terça, Castro — que buscava até o último minuto uma alternativa a Ruas — afirmou que a base governista buscará "segurança jurídica" antes de definir quem o substituirá no Palácio Guanabara já no primeiro semestre. O atual governador, que deseja indicar seu chefe da Casa Civil para assumir o governo após sua renúncia, argumenta que o cenário administrativo do estado é "extremamente desafiador", numa tentativa de desencorajar Ruas de sentar logo na cadeira.

Por não ter vice-governador, a saída de Castro para concorrer ao Senado acarretará em uma vacância de poder no governo do Rio. Nesse caso, a legislação prevê que os 70 deputados estaduais da Alerj escolhem um governador para cumprir o restante do mandato, até o fim do ano. (Leia mais abaixo)

As regras aprovadas pela Alerj para essa eleição-tampão abrem espaço para que Ruas ou Miccione sejam candidatos, mas aliados de Paes avaliam judicializar o assunto no Supremo Tribunal Federal (STF), buscando estabelecer barreiras que impeçam essas candidaturas na Alerj. Na avaliação de Castro, "se a legislação impedir um, também impedirá o outro".

— Por isso, o que decidimos enquanto grupo é que essa definição só será tomada quando tivermos plena segurança jurídica sobre qual regra prevalecerá. Até lá, não haverá precipitação. A decisão será colegiada, construída em consenso, sempre considerando o que for melhor para o projeto do grupo e para o objetivo maior, que é vencer as eleições e manter a governança do Estado — disse o governador nesta terça. (Leia mais abaixo)

Ruas diz que vai priorizar segurança pública - Nos últimos meses, o agora pré-candidato Douglas Ruas disse a aliados inúmeras vezes que só toparia encarar a eleição contra Paes se já estivesse na cadeira de governador. O recado, portanto, era de que prefere disputar antes a eleição indireta na Alerj, na qual a base governista não tende a encontrar dificuldades para endossar o nome de Ruas para o mandato-tampão.

Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), Ruas é deputado estadual, mas está licenciado para exercer o cargo de secretário de Cidades. Ele também é inspetor concursado da Polícia Civil. (Leia mais abaixo)

Após ser apontado como pré-candidato do PL ao governo, nesta terça, Ruas afirmou que a segurança pública será o eixo central de sua campanha. Ele também declarou que sua candidatura surgiu de um "consenso" entre o PL e a federação União-PP.

— A pré-candidatura, para eu colocar o meu nome, dependeria de ser um consenso das lideranças partidárias. Primeiro precisava ter um consenso dentro do PL — disse Ruas. — Ninguém pode ser candidato de estrelismo. No PL, especialmente no Rio, nós temos três senadores, um governador e o pré-candidato a presidente da República. Há que se ter um consenso dessas lideranças. (Leia mais abaixo)

Fonte: O Globo

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