Eleição/Governo RJ: dias decisivos e a posição dos Garotinho, Castro e Rodrigo

Campos está no centro da disputa para o governo estadual. O projeto de Garotinho envolve também uma questão local que passa pelo governador Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar e Wladimir Garotinho


  • 29/05/2022, 08h16, Fotomontagem Campos 24 Horas.

Campos está no centro de uma questão que pode influenciar de forma direta no resultado da eleição deste ano para o governo estadual. O ex-governador Anthony Garotinho (União Brasil) espera utilizar bem seu capital político para ser decisivo na disputa da sucessão estadual, que tem o governador Cláudio Castro (PL) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) à frente nas pesquisas de intenção de voto. Garotinho tem feito uma peregrinação nos municípios do interior do Estado, onde tem grande penetração. Caso a candidatura seja confirmada, dinheiro não faltará, visto que o União Brasil, partido que surgiu da fusão do PSL com o DEM, deve destinar 10% de seu fundo eleitoral de R$ 1 bilhão para o Rio. O projeto de Garotinho, no entanto, envolve também uma questão local que passa pela insatisfação com o governador Cláudio Castro, que tem prestigiado o deputado estadual e ex-secretário de Governo, Rodrigo Bacelar (SD), hoje o principal adversário do grupo do ex-governador em Campos. Ao Campos 24 Horas, a ex-governadora Rosinha Garotinho também já explicou a posição dos Garotinhos neste imbróglio com Castro. Por outro lado, o prefeito Wladimir Garotinho se mantém distante da questão que envolve a sucessão estadual, já que o governador tem sido um importante parceiro para a realização de obras vitais no município. O clima se acirrou ainda mais depois que o staff de Castro se aproveitou de uma declaração de um dos dirigentes do partido de Garotinho, estimulando a notícia de que o ex-governador não tinha o aval da legenda. O Campos 24 Horas mostra nesta matéria especial tudo que envolve os principais políticos da região e a posição da cúpula do União Brasil. 

Garotinho já visitou, desde a última segunda-feira, 11 municípios do Estado do Rio, e o número deve chegar a 60 nos próximos dias. Nas agendas, ele conversa com vereadores, autoridades, correligionários e escuta a população nas ruas por onde passa e, segundo as imagens encaminhadas por sua assessoria, a receptividade tem sido boa por parte de lideranças regionais. (Leia mais abaixo)

 Mas o pré-candidato campista tem alguns dias para mostrar a direção nacional do seu partido sobre a viabilidade de sua candidatura. Caso chegue a pelo menos 10% das intenções de voto será o candidato oficial da sigla presidida por Luciano Bivar, pré-candidato à presidência da República.   

A ideia é a de que, ao ganhar corpo, a candidatura Garotinho dê palanque no Estado para o presidenciável pernambucano.

No Rio de Janeiro, o União Brasil tem demonstrado maior apoio a Castro. Os dirigentes da legenda, contudo, estão insatisfeitos com o governador.  Alegam ter direito a uma participação mais ampla em cargos na administração por conta da força e do tamanho do partido. 

A volta de Garotinho ao cenário afastaria seu partido da aliança em torno do governador Cláudio Castro e do palanque local do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao ressurgir na cena política estadual após afirmar ter superado problemas com a Justiça, Garotinho explica sua decisão em se candidatar. “Não posso me omitir, diante da situação de pobreza, o desemprego em alta e a falta de experiência dos demais candidatos em solucionar os problemas do Estado que são complexos e não admite outra aventura”, disse.    (Leia mais abaixo)

ROSINHA EXPLICA - Na semana passada, durante uma inauguração de uma obra da prefeitura do programa Bairro Legal, no bairro Julião Nogueira, a ex-governadora Rosinha Garotinho explicou (Aqui) a posição dos Garotinhos neste imbróglio com Castro. “Não dá pra apoiar quem apoia alguém que é nosso adversário aqui”, disse Rosinha, ao Campos 24 Horas.   

Wladimir e Rodrigo tem buscado capitalizar as obras no município como a da reforma do Hospital Geral de Guarus (HGG) e do Shopping Popular Michel Haddad (Camelódromo), que contam com parceria entre a prefeitura e o governo estadual. Percebe-se que Rodrigo tem evitado comparecer em Campos com a comitiva do governador em solenidades ou inaugurações no município.

DINHEIRO NÃO FALTA - Se Garotinho conseguir viabilizar concretamente sua candidatura, dinheiro não será problema para turbinar seu atual projeto político. O União Brasil, partido que surgiu da fusão do PSL com o DEM, deve destinar 10% de seu fundo eleitoral de R$ 1 bilhão para o Rio de Janeiro. Serão R$ 100 milhões para o partido que espera eleger no Rio 10 deputados federais.

Nenhuma outra sigla terá recursos desta ordem para gastar com exclusivamente os candidatos a deputado federal. Uma das razões da resistência de alguns setores do União em apoiar formalmente Cláudio Castro é financeira. Não querem dividir a bolada com candidaturas majoritárias, pois desejam usá-la, com fartura, na tentativa de eleição de pelo menos 10 representantes na Câmara Federal.

O União Brasil tem hoje 7 deputados federais (Chiquinho Brazão, Clarissa Garotinho, Daniela do Waguinho, Delegado Antônio Furtado, Juninho do Pneu, Marcos Soares e Vinicius Farah), mas deles apenas Furtado, Soares e Pneu foram eleitos pelo DEM ou PSL. (Leia mais abaixo)

Caso a pré-candidatura de Garotinho ao Palácio Guanabara não prospere, o partido aposta suas fichas em Garotinho também como possível candidato a deputado Federal. Se candidato for, deverá ser um dos maiores puxadores de votos da eleição do Rio de Janeiro.

CLARISSA - Já Clarissa Garotinho vem, nos bastidores, despontando como um nome com chances para o Senado, além do retorno à Câmara Federal. Ela contaria com o apoio total da Primeira Dama, Michele Bolsonaro, e a falta de confiança que os Bolsonaro teriam no atual senador Romário (PL) que se elegeu pelo PSB e apoiou Dilma Rousseff (PT) e quando deputado federal fazia parte da base de Lula.

APOIO DA CÚPULA - Além das ruas, Garotinho tem escolhido outro front: suas lives, cada vez mais frequentes. Numa delas, esta semana, revelou que o vice-presidente do União Brasil, Antônio Rueda, ligou para ele há dois dias, reforçando um acordo firmado anteriormente. Ou seja: Garotinho é pré-candidato por enquanto sim, para avaliação das pesquisas, e apenas em meados de junho a decisão final será tomada. A posição tem o aval de Luciano Bivar.

O esclarecimento foi dado porque causara incômodo, a assessores próximos a Garotinho, uma notícia equivocada de que Luciano Bivar teria desautorizado a pré-candidatura do político fluminense ao Executivo estadual. Segundo Anthony Garotinho, isso jamais ocorreu. Bivar teria dito, na verdade, que o União Brasil tem cargos na atual gestão de Cláudio Castro, e não que essa relação era garantia de apoio nas eleições de outubro.

GUERRA - Acontece que o staff de Castro se aproveitou do ruído e estimulou a notícia de que Garotinho não tinha o aval da legenda. A ofensiva do atual governador, que busca a reeleição, já tinha começado na semana passada, com duas ações pontuais: pressionou pelo fim de um programa que Garotinho apresentava na rádio Tupi e conseguiu; e tentou “melar” uma entrevista que seu oponente daria a um grande jornal do Rio de Janeiro, desta vez sem êxito. (Leia mais abaixo)

“Muita gente me para na rua e me pergunta: e se você ficar sem mandato (no caso de perder a eleição pra governador)? Respondo que não quero mandato. Quero ajudar a população. O Rio precisa de gente experiente, de pessoas que conheçam a administração pública. Não dá para ter um governo que faça as coisas que o atual governo está fazendo. É preciso mais emprego, mais projeto social”, disse Garotinho durante a live.

O fato é que as próximas semanas serão decisivas para esse imbróglio, já que estão saindo cada vez mais pesquisas de intenção de voto para o governo do Rio. Além disso, na próxima terça-feira, dia 31, ocorrerá a solenidade de lançamento da pré-candidatura a presidente da República de Luciano Bivar, em Brasília. Haverá caciques presentes de todos os lados do partido, inclusive dos que têm cargos dentro do governo de Cláudio Castro.

PEREGRINAÇÃO - Anthony Garotinho também já confirmou presença no evento. Por esse motivo, na terça, ele vai interromper a sequência de agendas programadas nos municípios do estado, para retomá-la no dia seguinte. Até agora, o ex-governador já foi a Natividade, São Fidélis, Cambuci, Itaocara, Pádua, Miracema, Itaperuna, São José de Ubá, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Armação de Búzios. Ainda faltam cerca de 50 da programação inicial.

“Cito dois motivos que me estimularam a ser pré-candidato. Primeiro, meu desencanto total de como Castro vem dirigindo esse estado. Cada dia, o comportamento dele fica mais próximo das atitudes de Sérgio Cabral. É um tal de usar helicóptero para aqui e pra lá; e fazer festança com dinheiro que a gente não sabe de onde vem. O segundo ponto é que o desemprego e a pobreza no Rio cresceram de uma forma espantosa. É triste. E o governador não faz nada, uma atuação pífia”, completou Garotinho.

Clarissa voltou a fazer duras críticas ao governador, desta vez em pronunciamento feito no plenário da Câmara dos Deputados, na noite de terça-feira (24/05). Herdeira da retórica afiada do pai, a parlamentar acusou Castro de ser uma “pessoa fraca”, “de mente pequena” e “desleal” com o presidente Jair Bolsonaro. (Leia mais abaixo)

O pronunciamento foi o capítulo mais recente de um contra-ataque feito pela família Garotinho desde que Cláudio Castro começou a trabalhar nos bastidores para “melar” a candidatura de Garotinho para o Palácio Guanabara. Castro tem oferecido cargos e pressionado as cúpulas estadual e nacional do União Brasil, atualmente o partido de Clarissa e de Anthony Garotinho.

JOGO PESADO - Clarissa revelou ainda que Cláudio Castro chegou a oferecer 528 cargos no governo do estado a Garotinho para que ele abandonasse sua candidatura, durante um encontro há duas semanas no Palácio Guanabara. Na ocasião, Garotinho recusou. A iniciativa de Castro fez Clarissa citar um provérbio oriental que diz: “Tempos difíceis geram homens fortes; tempos fáceis geram homens fáceis”.

  — Só que pessoas fracas têm mente pequena. E gente com mente pequena acha que pode comprar a consciência e o sonho de outras pessoas, oferecendo cargos. Isso é o que está acontecendo no Estado do Rio, com o meu partido sendo constantemente vítima de uma pressão ferrenha feita pelo governador Sérgio… Ihh, quase o chamei de Sérgio Cabral. Digo: pelo governador Claudio Castro – ironizou Clarissa. 



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