El Niño afeta pesca, lavouras e preços de alimentos na América Latina

Fenômeno aquece águas no Peru e agrava seca no corredor seco da América Central, segundo reportagem da RFI


Barcos de pesca parados no Peru durante o aquecimento das águas
Crédito: Ernesto Benavides/AFP/RFI

O atual episódio de El Niño vem provocando impactos sobre a pesca no Peru e a agricultura de subsistência na América Central, com reflexos no emprego, nos preços dos alimentos e nos movimentos migratórios. A reportagem da RFI reproduzida pelo Terra informa que especialistas classificam o fenômeno como um “Super Niño” e projetam sua permanência até fevereiro de 2027.

No litoral peruano, o Instituto do Mar registrou temperaturas até 6°C acima da média em algumas áreas. O aquecimento leva as anchovas para águas mais profundas e reduziu fortemente as capturas: em maio de 2026, foram pescadas 32,8 mil toneladas, ante 1,3 milhão de toneladas no mesmo mês de 2025. O governo encerrou a temporada de pesca em 19 de agosto.

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A Organização Meteorológica Mundial afirmou que o El Niño está instalado e deve atingir intensidade muito forte, com pico esperado para dezembro. Os efeitos variam por região e incluem seca, inundações, calor extremo e furacões mais numerosos ou intensos.

No corredor seco centro-americano, que abrange Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, levantamento de Oxfam e Ação Contra a Fome apontou perdas generalizadas nas lavouras de milho e feijão. Entre as comunidades avaliadas, 78,6% das famílias perderam praticamente toda a colheita, segundo a Oxfam.

O relatório também registrou aumentos expressivos nos preços de alimentos básicos e 6.212 movimentos migratórios entre maio e julho de 2026, dos quais 20% tinham caráter internacional. As organizações alertam para o agravamento da insegurança alimentar e da vulnerabilidade de famílias dependentes da agricultura.

Fonte original: Terra/RFI



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