O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Leonardo Castro de Abreu (na foto), acredita que pelo menos 30% das empresas mais atingidas em Campos podem não reabrir suas portas. Esta é mais uma análise que o Campos 24 Horas publica, dentro da série de reportagens sobre o impacto da crise provocada pelo coronavírus na economia local. Se antes da pandemia, o comércio de Campos já enfrentava grave crise com mais de 100 pontos fechados no Centro, a situação agora tende a piorar um quadro que já era ruim. Nas paredes das lojas havia placas com ofertas de “vende-se” e a maioria com “aluga-se”. Com o comércio e a indústria paralisados em sua maior parte, há um clima de incertezas durante e após a pandemia. Uma coisa é certa: demissões em massa é a primeira consequência do quadro de paralisia. Depois, a sobrevivência ou não dos setores mais atingidos. Muitos voltarão a reabrir suas portas, mas há o temor de que outros estabelecimentos não voltem mais a funcionar, agravando ainda mais a crise, gerando o caos social e econômico.
“Já discutimos esta situação. Acreditamos que em torno de 30% das lojas hoje fechadas não terão condições de reabrir suas portas. É uma situação que se arrasta lá atrás, com dificuldades que vem se somando com o movimento fraco nas vendas e que culminou com esta situação extrema da Covid-19 que obrigou comerciantes a fecharem as portas. Muitos depois não terão condições de sobrevivência”, disse o presidente da ACIC, Leonardo Castro de Abreu. (Leia mais abaixo)
Castro acredita que, mesmo depois da reabertura gradativa de alguns segmentos do comércio, a retomada será lenta. “O consumidor vai precisar de um tempo para ganhar confiança, se sentir seguro psicologicamente para sair de casa e ir fazer compras evitando aglomerações. A retomada será lenta”.
Ele aborda também a questão das dívidas dos comerciantes acumuladas durante o período de paralisação. “As empresas enquadradas no Simples tiveram débitos prorrogados para outubro, novembro e dezembro. Mas há o receio de que as empresas não tenham capital para arcar com essas dívidas. Porque elas ficarão sem caixa. Então não há garantia se esses comerciantes terão como honrar esses débitos”.
Quanto aos aluguéis, Leonardo admite que a negociação entre as partes deverá prevalecer. “E depende da situação. Há proprietários que possuem vários imóveis alugados. Mas há outros que até vivem do resultado do aluguel daquele imóvel. É tudo uma questão de negociação entre as partes”, finalizou. (leia mais sobre a crise do coronavírus em Campos abaixo).
Demissões e cenário desafiador com a crise do coronavírus em Campos (Aqui)