"Nota" da Educação: Para Secretário, Campos vai evoluir no próximo Ideb

Em entrevista ao Campos 24 Horas, Secretário de Educação fala sobre o que é feito para melhorar qualidade e avançar nos índices do Ideb


  • 17/09/2021, 00h27, Foto: Divulgação.

O secretário municipal de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, Marcelo Feres, disse que sua maior missão e desafio na pasta é fazer avançar os índices de Campos no Ideb (Índice de Desenvolvimento na Educação Básica). Em entrevista exclusiva ao Campos 24 Horas, Feres falou sobre as medidas que tem sido implantadas para reverter o cenário, onde Campos, entre 92 municípios fluminenses, aparece em 75º lugar na última avaliação. Feres fala também sobre outros pontos, como o desafio de superar as limitações impostas pela pandemia e o projeto de integração da cultura com educação, ciência, tecnologia e inovação no projeto do novo Palácio da Cultura. (leia a entrevista abaixo)

Campos 24 Horas - Como para qualquer secretário de Educação deste país, seu grande desafio é melhorar os índices do Ibed de Campos?  Marcelo Feres - Sim, este é ainda o nosso grande desafio. Se a gente olha o histórico, observa nos últimos anos e nas últimas edições uma piora do Saeb, (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) que é a prova que gera o Ideb. Campos ainda tem uma dívida muito grande com a sociedade. Nós estamos num município que é um dos 50 maiores do Brasil mas, ao mesmo se olharmos para 2017, chegamos à conclusão que nosso Ideb está em 75º posição entre 92 municípios do Estado. Ou seja, uma dívida muito grande.  (Leia mais abaixo)

Campos 24 Horas - E quais as medidas que têm sido adotadas?   Marcelo Feres - Estamos trabalhando com vistas não apenas a este modelo e este momento da prova do Saeb, que será em novembro. O Ideb de Campos seguramente não continuará como está. Nosso objetivo mais central é fazer avançar de forma muito segura nossos índices não agora em 2022, mas em 2023. E pra isso a gente começa o processo avaliativo desde já. Teremos uma avaliação, que chamamos de avaliação externa, onde será possível a gente não esperar o resultado a ser publicado em 2022, nós vamos saber previamente como estarão nossos alunos e, dessa forma, direcionar melhor a aprendizagem. Não temos tempo a perder. Ao mesmo tempo, estamos construindo outros projetos na direção da capacitação dos profissionais da educação, fator crucial para podermos melhorar a qualidade.     

Campos 24 Horas - Como tem sido o outro desafio, que é o de superar as restrições e limitações impostas pela pandemia do Covid 19?  Marcelo Feres - A pandemia é também um grande desafio, já que os alunos não conseguem estar num processo de aprendizagem, como estão acostumados. O modelo não presencial é muito limitado no Brasil e no mundo. Mas é possível a gente fazer um processo de aprendizagem com recuperação, com reforço, ainda que muito limitado.

Campos 24 horas – E o projeto de integração da cultura com educação, ciência, tecnologia e inovação no projeto do novo Palácio da Cultura?  Marcelo Feres – Estou seguro que demos um grande passo para integrar estas áreas. Foi um trabalho árduo porque nós não partimos do zero, tivemos que primeiramente reavaliar como este processo poderia ser implementado e, a partir da liderança do prefeito Wladimir Garotinho, nos colocou a responsabilidade de encontrar os melhores caminhos. Depois de vários diálogos, com a importante mediação da área de arquitetura que conseguiu identificar e valorizar os pontos mais importantes para cada setor, sem perder de vista a integração, por meio do nosso secretário Cláudio Valadares (Urbanismo e Meio Ambiente), conseguimos encontrar os caminhos nesta agenda que, pelo que observamos, agradou o pessoal da cultura que resistia ao projeto da gestão anterior de 2020, favorável ao projeto da integração. Agora caberá a cada um de nós continuar avançando dia após dia A reforma do prédio está em curso e a gente vai poder reabrir este importante patrimônio a partir de 2022. Mais do que tudo é que, através desta integração cultura, educação, ciência e tecnologia, vamos poder dar o primeiro passo para o futuro, a contemporaneidade, mas respeitando o passado.

Campos 24 Horas – Neste caso, então, a cultura não perderia centralidade ou protagonismo?     Marcelo Feres – Em absoluto, de forma alguma. Isso inclusive foi bastante debatido. Tentar fazer qualquer fragmentação resultaria numa fragilidade do projeto. O ser humano é complexo por natureza, temos múltiplas dimensões. Não há como se falar em cultura sem pensar na dimensão da ciência no mundo. Ao mesmo não há ciência sem cultura. Então, essa integração é um desafio para todos nós na condição de seres humanos que estamos aprendendo a fazer isso de forma integrada. Como eu disse a reitero, dando um passo importante para o futuro, mas preservando o passado.    

Campos 24 Horas – A cultura terá mais recursos para tocar seus projetos culturais a partir desta integração?  Marcelo Feres - Eu penso que sim porque, por um lado, a gente tendo essa parceria, a Educação consegue aportar recursos federais para a manutenção predial e melhoria dos equipamentos do espaço do Palácio da Cultura. Mas muito mais do que isto, o nível dos projetos que a gente vai conseguir fazer de forma integrada, a partir desta articulação existente hoje, potencializa para que a gente consiga recursos, eventualmente verbas parlamentares, e desta forma a gente vai conseguir superar as barreiras em termos de investimentos para projetos culturais em nossa cidade.   (Leia mais abaixo)

Campos 24 Horas – Como professor e homem das ciências da educação, como vê o confronto e as hostilidades do governo federal contra professores, cientistas e agentes da cultura?   Marcelo Feres -   A ciência vem sendo testada, seus resultados são questionados mas a ciência aceita isso, ela não se propõe a representar a verdade em seu sentido absoluto, mas a verdade do momento, a partir de evidências.  Por outro lado, ela vive um momento de contestação, não só no Brasil, mas aqui de forma muito intensa. No Brasil acho que conseguimos superar esse falso debate se a ciência se justifica-se ou não, a partir do uso da vacina. A gente teve uma população que de fato aderiu, diferente dos EUA, onde se ideologizou demais  a vacina questionando própria ciência. Isso é um processo cíclico, não e a primeira vez que acontece, certamente não será a última. Mas é por isso que a gente tem na educação um caminho para dar mais autonomia a essas crianças de hoje. Aqueles que são pequenos hoje e estão em processo de alfabetização, entre 6 e 7 anos, quando tiverem 18 ou 20 anos quando irão encontrar um futuro muito diferente já imersos na quarta Revolução Industrial que puxa muito pela tecnologia e pela dimensão da inteligência artificial dos algoritmos. Temos que pensar na educação para colher daqui a 10 ou 20 anos. 



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