Eduardo Bandeira de Mello: Campos e Flamengo

Em visita a Campos, onde esteve com o prefeito Wladimir e o vice Frederico, ex-presidente do Flamengo e deputado federal falou ao Campos 24 Horas


  • 29/07/2023, 07h57, Foto: Campos 24 Horas.

(Vídeo da entrevista ao final do texto) - O deputado federal Eduardo Bandeira de Mello (PSB) foi durante 35 anos gestor do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre outros cargos, mas seu teste de fogo mesmo como administrador (aprovado com louvor) foi quando ocupou a presidência do Flamengo, cuja gestão (2013-208), cuja gestão foi considerada um divisor de águas na história do time de maior torcida do País. Depois de assumir um clube mergulhado em dívidas, Bandeira saneou as finanças do rubro-negro, permitindo folga de caixa para a construção de uma superestrutura no Ninho do Urubu e montar um time competitivo para disputar e vencer grandes competições nacionais e internacionais. Em visita a Campos nesta sexta-feira (28), onde esteve com o prefeito Wladimir Garotinho e o vice Frederico Paes, o parlamentar conversou com a reportagem do site e TV Campos 24 Horas. “Sou um deputado ainda de primeiro mandato, mas há as emendas positivas, e as que vier a propor neste segundo semestre serão empenhadas em 2024. Vamos conversar, conhecer melhor as demandas e saber o que poderemos fazer. Sabemos que os recursos são limitados, mas Campos terá espaço em meu mandato, não vai ficar de fora, não Tenho aqui muitos amigos e eleitores”.

RAZÕES DA VISITA - Estou aproveitando o recesso parlamentar para visitar as cidades mais distantes da capital. E vir aqui é sempre um prazer porque me sinto em casa quando estou em Campos, onde tenho muitos amigos e eleitores. Estamos aqui para conversar e fazer articulações, buscando construir afinidades e parcerias, olhando também as eleições do próximo ano. (Leia mais abaixo)

PAUTAS – Minha atuação sempre esteve vinculada à responsabilidade fiscal, como gestor no BNDS, mas também no Flamengo, sempre priorizando não gastar mais do que se arrecada. Mas há outras pautas que me são muito caras como a questão ambiental, a energia e o futebol, que é bem mais do que um entretenimento, é um patrimônio econômico, cultural e social do país.

MOMENTO POLITICO – Houve um momento de maior tensão nessa questão da radicalização das posições ideológicas, isso é ruim para o país. Quem venceu a eleição tem que governar; quem perdeu vai para a oposição e tenta ganhar na próxima disputa. O que não pode haver mais são situações reprováveis como aquelas manifestações e tentativas de golpe, entre outras coisas.

ECONOMIA – O arcabouço fiscal é uma necessidade, trata-se de uma releitura do teto de gastos que teve papel a cumprir, mas se esgotou diante de outra realidade do país. Mas o Brasil precisava de uma outra âncora para balizar esta questão da responsabilidade fiscal. Já a reforma tributária é também fundamental. O Brasil convive com um sistema tributário absolutamente arcaico e ineficiente há mais de 50 anos. Muitas empresas gastam mais para planejar e pagar seus impostos do que para sua atividade principal. Vimos em nosso país empresas de engenharia que contavam com mais advogados e contadores do que com engenheiros. Vários países já fizeram esta solução da cobrança dos impostos no consumo baseado no valor adicionado. Aqui muito se falou, mas nunca se implantou. É chegada a hora. O sistema tributário burocratizado favorece a corrupção. Quanto mais complexo é o sistema, mais ele abre brecha para a corrupção. O caminho certo é o da simplificação.

SITUAÇÃO DO RIO - O Regime de Recuperação Fiscal tem que ser cumprido. O Rio não pode dar calote na União porque vive um processo de estagnação econômica há décadas e precisa atrair investimentos para obras de infraestrutura e de geração de empregos.

FLAMENGO – O time está bem, passamos bem pelo Grêmio fora de casa, e podemos perder até de 1x0, no jogo de volta, no Maracanã, para irmos à final da Copa do Brasil. Na Libertadores, vamos pegar o Olímpia para chegarmos as quartas-de-final e semifinais. No Brasileiro, estamos a nove pontos do Botafogo, mas há ainda 20 rodadas. Creio que ainda podemos tirar essa diferença. Fora de campo muita coisa precisa melhorar. O Flamengo precisa retornar à sua política de profissionalização e de impessoalidade, condizente com a sua história. Tem o maior orçamento maior do Brasil, há dinheiro de sobra para contratações. Algumas dão certo, outras não. Mas temos ainda um rescaldo daquele elenco de 2019. No papel, o Flamengo é o maior elenco do Brasil. Talvez o problema maior seja fora do campo. (Leia mais abaixo)

AMEAÇA DE GOLPE - Não pretendo ser novamente presidente do Flamengo, porque, como deputado federal, não poderia me dedicar como fiz em meus dois mandatos, mas quero participar, sim, do processo político eleitoral. A eleição presidencial está prevista para o final do próximo ano, se não houver um golpe, como se ouve nos bastidores e até em entrevistas, onde pessoas defendem a prorrogação de mandato da atual diretoria, o que é absolutamente ilegal. O atual presidente foi eleito para um mandato de três anos e, se ele quiser mais, vai ter que se submeter a outra eleição. Havendo eleição vou me posicionar e apoiar uma chapa. Precisamos da necessária renovação e da alternância do poder, uma tradição no Flamengo. E em nosso grupo há pessoas altamente qualificadas para ocupar presidência, dentro daquela máxima de que ninguém faz nada sozinho, como eu fiz quando estive presidente. Vamos trabalhar para fazer com que o Flamengo retome seus princípios e valores.  



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