EDITORIAL - Reflexão na hora do voto para prefeito de Campos

Prefeito vai assumir um município com salários atrasados, hospitais sem receber, queda na arrecadação, entre outros problemas


  • 14/11/2020, 07h19, Foto: Campos 24 Horas.

Enfim, o eleitor campista tem diante de si mais do que uma eleição neste domingo. Trata-se da oportunidade desafiadora de escolher um gestor capaz de governar um município que atravessa seguramente a mais aguda crise da sua gloriosa História. Governar Campos, nas atuais circunstâncias, não é para aventureiros. Mais do que nunca, a situação atual impõe capacidade de interlocução com a sociedade a fim de que projetos tenham origem na base social para que o gestor alcance a maioria, ou seja, os mais necessitados. Não é tarefa para qualquer um. Os problemas são complexos e estão além das frases feitas, conclusões superficiais e respostas simples, quase simplórias. Os programas sociais e os auxílios emergenciais durante a pandemia escancararam o quadro de pobreza das camadas populares de Campos, município que contabiliza 180 mil pessoas que sobrevivem destas plataformas governamentais por falta de oportunidades.  (leia abaixo)

Servidores com salários em atraso, hospitais sem receber por serviços prestados, queda contínua de receitas dos royalties e dos repasses federais em razão da cotação dos preços do petróleo e da crise econômica global. O momento exige reflexão, senso crítico e discernimento. Somos humanos, e o grande diferencial que nos distingue de outros animais é a nossa capacidade de raciocinar.  (Leia mais abaixo)

Um raciocínio que nos permite discernir entre o certo e o errado, optar entre o melhor e o pior, até mesmo o menos pior e, a partir daí, fazer nossas opções, mas que tem uma conseqüência : os resultados de nossas escolhas. 

Escolhas que seguramente irão atingir não apenas a nós, mas também nossos filhos, netos e as futuras gerações. Logo, nossa opção impõe tal responsabilidade.

Escolher um candidato não exige apenas analisar sua experiência e capacidade de gerenciar uma crise sem precedentes numa cidade hoje extremamente problemática e que soma mais de meio milhão de habitantes.  Exige também de nós atentarmos para a trajetória de vida deste candidato (seja ela pública ou mesmo pessoal) e o sistema de ideias que ele representa. O homem é ele e suas circunstâncias, como assinalava o pensador espanhol Ortega y Gasset. 

Não cabe apenas apontar as mazelas, algo que qualquer estudante de ensino médio seria capaz. O eleitor campista exige mais: que o candidato seja capaz de apontar caminhos que levem a uma equação e soluções concretas, muito além das promessas ou discursos de comprometimento, cercado de palavras vazias e sem conteúdo, enquanto a população mais necessitada sofre sem perspectivas de horizontes futuros. 

Mas a implementação dos necessários programas sociais exige que os governantes apontem para uma porta de saída, a fim de que os beneficiários não sejam tratados indefinidamente como reféns e dependentes desta situação de pobreza ou miséria. (Leia mais abaixo)

É imperativo se chegar a uma radiografia a fim de definir desde logo um conjunto de iniciativas, de incentivos e parcerias com os diferentes setores da sociedade e, ao mesmo tempo, se criar um vigoroso programa de capacitação profissional para possibilitar oportunidades de geração de renda e emprego.   

Sem a Reforma Tributária e o Pacto Federativo, os municípios continuam reféns da União. Logo, há uma necessidade de se estabelecer um elo produtivo entre os prefeitos e deputados federais, através da criação ou união de consórcios regionais que possibilitem avanços na direção de uma autonomia digna deste nome como ente federativo.  

Com exceção do Fundeb para a educação, as demandas relacionadas aos direitos sociais negados nas áreas de saúde, saneamento, habitação, transporte e promoção social continuam a recair sobre os ombros dos prefeitos.

Exemplo maior é o subfinanciamento do SUS (Sistema Único de Saúde) que espelha a tragédia cotidiana de hospitais com filas à espera de consultas, gritos de socorro, dores e macas nos corredores. 

Muito se fez com os recursos do auge das receitas do petróleo. Entre 5.560 municípios brasileiros, Campos é a 47ª cidade no ranking do saneamento no país. Até porque municípios com orçamento menor como Serra (ES) e Caruaru (PE) estão à nossa frente, com orçamentos bem menores. Programas habitacionais foram implementados, mas ainda insuficientes.   (Leia mais abaixo)

Então, o cidadão precisa exigir mais, muito mais. Nossas mazelas urbanas se refletem no colorido de nossa miséria na Praça São Salvador ou no Jardim São Benedito. 

Somos o maior município do Estado em extensão territorial, um dos 15 maiores do Sudeste Brasileiro, mas os produtos que chegam à nossa mesa vêm de fora. Nossa agricultura é anêmica. Reagir é preciso.

O cenário impõe a capacidade de aproveitar a condição de pólo regional de Campos e sua proximidade com o Porto do Açu, com a Bacia de Campos, através de uma interlocução com a  massa crítica em nossas universidades, mas também com a sociedade de um modo geral.  

Mas não bastam programas de governo bonitos e bem elaborados por tecnocratas auto-suficientes ou bem intencionados. Ao próximo prefeito, somente a ele, cabe reunir e liderar um grupo dedicado e devidamente qualificado, definir prioridades e implementar os projetos de transformação da sociedade que o nosso tempo exige. Fora disso, é continuar na mesmice e no marasmo de sempre. Bom fim de semana e boa escolha na hora do voto.  



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