EDITORIAL / CAMPOS 24 HORAS - O Brasil, mesmo antes desta trágica pandemia, já atravessava um período de recessão técnica com péssimos indicadores no PIB e nos índices de desemprego. Em 2020, a economia foi atropelada pelo vírus, selando um desastre em precedentes. E Campos não ficou de fora deste cenário social e econômico, acumulando perdas de mais de 750 vidas e mais de 50 mil pessoas que ficaram sem emprego. O que esperar para este ano? O comércio que ainda conseguiu manter-se com as portas abertas resiste heroicamente numa cidade onde o setor público nas três esferas (municipal, estadual e federal), com 30 mil trabalhadores, é o maior empregador do município e sustenta a base de consumo e serviços e produtos de bens duráveis. Não é sem razão que, recentemente, redes de grande porte como a Assaí (atacarejo) se instalaram em Campos. E outras gigantes, como o Magazine Luiza, anunciam que irão fincar suas bandeiras no município.
Ainda que travado pelo agravamento da pandemia, o setor de petróleo e gás traz perspectivas alvissareiras para a região com investimentos na construção de termelétricas no Porto do Açu e Macaé. A propósito, no Açu, além das termelétricas, há ainda projetos de diversificação nos setores industrial e de logística com fortes indicadores que apontam para a construção de uma planta industrial na área de fertilizantes. (Leia mais abaixo)
Ainda que sem a extraordinária pujança de antes, o comportamento estável dos preços do barril de petróleo e da cotação do dólar tem mantido os repasses dos royalties num patamar razoável nos últimos meses. Os poços maduros na Bacia de Campos têm atraído investimentos de grandes petroleiras com o processo de Albacora e Albacora Leste pela Petrobras, com a participação de grandes consórcios a valores entre US$ 2 e US$ 4 bilhões.
Todavia, a economia de um município não pode prescindir do desenvolvimento de suas forças produtivas locais. Há muitos anos que o grande gerador de empregos em Campos é a Rede Super Bom (supermercados), com cerca de 4 mil funcionários. Em fase permanente de expansão, a empresa se prepara para inaugurar sua 14ª unidade na Rua Visconde de Itaboraí,no Parque Rosário.
Em fase de recuperação, o setor sucroenergético tem buscado aos poucos retomar uma base de seu espaço, com a consolidação da Coagro, agora na antiga Usina Sapucaia, enquanto a Nova Canabrava, agora sob nova direção, igualmente se destaca neste esforço de retomada deste segmento agroindustrial.
O setor deve acrescentar nova injeção de entusiasmo com a reativação da Usina Paraíso, tradicional unidade produtora do distrito de Tocos, com a geração de cerca de 2,5 empregos a partir de 2022. As projeções apontam para o processamento de 5 mil toneladas de cana, com a fixação sustentável no campo de cerca de 10 mil pequenos produtores.
Campos está entre os 10 maiores municípios em extensão territorial da Região Sudeste. E tem tudo para aumentar sua inserção competitiva no mercado de produtos de origem. A grande tarefa desafiadora neste sentido é ingressar numa fase de industrializar o que se produz, estabelecendo como meta de uma primeira etapa abastecer as gôndolas dos nossos supermercados. (Leia mais abaixo)
Neste contexto são fundamentais as parcerias entre os setores público e privado, mais ainda a partir do concurso do parque tecnológico onde se inserem nossas prestigiadas universidades enriquecidas por técnicos e pesquisadores do mais elevado gabarito.
Como se pode observar, as possibilidades são múltiplas. O desafio está posto. O primeiro passo é tornar concreta e efetiva uma conjugação de esforços para, a partir desta união de forças, montarmos as necessárias alavancas para a recuperação econômica e a retomada da geração de empregos na região.