Campos 24 Horas – O mês de junho foi dedicado à conscientização sobre a cardiopatia congênita, destacando o papel fundamental do ecocardiograma fetal para identificar possíveis problemas cardíacos ainda durante a gravidez. Como explicam as cardiologistas do Hospital Plantadores de Cana (HPC), Rafaella Silva Souza Farias e Verônica Martins, esse diagnóstico precoce permite planejar o parto e organizar o suporte médico especializado com antecedência, garantindo mais segurança e melhores chances de recuperação para o bebê.
“Em Campos e região, como não há serviço local de cirurgia cardíaca pediátrica, a estratégia de cuidado é personalizada, ou seja, se o caso exige cirurgia ou cateterismo imediato, a gestante é encaminhada para um centro especializado antes do parto fora do município, garantindo que o bebê receba suporte adequado logo ao nascer. Já para cardiopatias que não demandam intervenção cirúrgica imediata, o nascimento e todo o acompanhamento clínico são realizados localmente, sendo o encaminhamento feito apenas se houver necessidade de um procedimento futuro”, informou Rafaella. (Leia mais abaixo)
“Após uma cirurgia ou intervenção cardíaca, a criança pode ter uma vida ativa e com boa qualidade, mas o acompanhamento contínuo é indispensável. A presença ou não de limitações depende do tipo de cardiopatia, da gravidade do caso, da cirurgia realizada e da resposta individual de cada criança. Algumas seguem sem grandes restrições, enquanto outras precisam de cuidados específicos com atividade física, uso de medicações, exames periódicos e acompanhamento com cardiologista pediátrico”, complementou Verônica.
Entre os tipos mais comuns de cardiopatias congênitas, as especialistas destacam: Comunicação Interventricular (CIV) e a Interatrial (CIA), além de alterações nas válvulas cardíacas, coarctação da aorta e, entre as cardiopatias cianóticas, a Tetralogia de Fallot. Segundo Rafaella, a gravidade das doenças varia bastante.
“Enquanto algumas são leves e podem se fechar espontaneamente, outras exigem acompanhamento rigoroso, uso de medicamentos, cateterismo ou intervenção cirúrgica. Falar sobre cardiopatia congênita é também falar de esperança. Com diagnóstico adequado, acesso ao tratamento e acompanhamento especializado, muitos bebês que antes tinham poucas chances, hoje conseguem crescer, se desenvolver e viver com qualidade. Os avanços da cardiologia pediátrica têm permitido que histórias de medo se transformem em histórias de cuidado, superação e vida”, ressaltou Rafaella.
Procedimento que salva vidas - Desde junho de 2023, o ecocardiograma fetal foi incorporado aos exames de rotina do pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa mudança ocorreu na observação de que a maioria dos casos de cardiopatia congênita acontece em gestantes que não apresentam fatores de risco — um grupo que, anteriormente, não possuía indicação para o procedimento.
“Com essa atualização, o SUS passou a garantir o acesso universal ao exame, permitindo que o diagnóstico precoce seja um direito de todas as gestantes, independentemente do histórico clínico”, contou Rafaella, informando que, em 2024, o HPC realizou 1.722 exames; em 2025, 1.834; e de janeiro a junho deste ano, foram 944 ecocardiogramas. (Leia mais abaixo)
“O diagnóstico precoce salvou a vida da minha filha” - Mãe da pequena Olívia, de 8 meses, a atendente de farmácia Liliane da Conceição, de 38 anos, agradece o apoio que recebeu de toda equipe, desde o pré-natal, realizado no Centro de Referência e Tratamento à Mulher (CRTM), até a cirurgia do bebê, que nasceu com Tetralogia de Fallot, uma cardiopatia congênita que afeta a estrutura do coração.
“A Olívia é uma bênção na minha vida. Tudo começou quando iniciamos o acompanhamento no Centro da Mulher, de onde fui encaminhada para fazer o ecofetal nos Plantadores, com a Dra. Rafaella. Felizmente, foi nesse exame que descobrimos o problema no coraçãozinho da minha filha. Através do Tratamento Fora Domicílio, graças a Deus, conseguimos realizar a cirurgia no Rio de Janeiro. Ela operou no dia 16 de maio e está se recuperando muito bem. O pós-operatório tem sido maravilhoso!”, comemorou Liliane.
Fluxo de atendimento - A sala de Monitoramento do Pré-natal, que faz parte do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (PAISMCA), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), gerencia o agendamento do ecocardiograma fetal para gestantes que fazem parte da Rede Campos de Saúde Pública.
O exame deve ser solicitado entre a 24ª e a 28ª semana, mediante encaminhamento médico, através das Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) ou do Centro de Referência e Tratamento à Mulher (CRTM). Caso necessário, em situações específicas, o procedimento pode ser realizado posterirormente.
“Para agendar, a paciente deve entrar em contato via WhatsApp (22) 9 8163 0084, e enviar a foto da requisição médica. Após o agendamento, a paciente recebe pelo próprio WhatsApp o comprovante com data, horário e local, devendo apresentar esse documento junto com seus documentos pessoais e a requisição médica no dia do exame. Lembrando que, o procedimento é realizado exclusivamente no Hospital Plantadora de Cana (HPC)”, informou Aliem Aghata Crespo Rosa Ferreira, enfermeira do Monitoramento Pré-natal. (Leia mais abaixo)
A coordenadora do PAISMCA, Cristina Queiroz, ressalta a importância do procedimento. “O exame serve para avaliar o coração do bebê, permitindo a identificação precoce de possíveis anomalias cardíacas e arritmias fetais. O procedimento já foi devidamente incorporado ao protocolo de assistência pré-natal e atende gestantes de todo município”, finalizou.