Você já se pegou evitando sentar no vaso de banheiro público, cobrindo o assento com papel higiênico ou até mesmo fazendo um “agachamento olímpico” para não encostar? Antes de surtar, especialistas explicam que a maior parte dos temores é exagerada, mas alguns cuidados ainda são importantes.
Em entrevista à BBC, a professora de saúde pública e microbiologia da Universidade do Sul da Flórida Jill Roberts explicou que “teoricamente, sim [é possível pegar doenças do vaso], mas o risco é extremamente baixo”. (Leia mais abaixo)
ISTs - Infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia e clamídia, não sobrevivem muito tempo fora do corpo, muito menos em um assento frio de banheiro público. Para se infectar, seria necessário que fluidos corporais frescos fossem transferidos imediatamente para a região genital, o que é improvável.
“Se os assentos transmitissem ISTs com facilidade, veríamos casos frequentes em pessoas de todas as idades e até em quem nunca teve contato sexual”, completa Roberts. Ela acrescenta que infecções urinárias ou doenças transmitidas pelo sangue também são altamente improváveis pelo contato com o assento. (Leia mais abaixo)
Existem exceções, como o HPV, que pode sobreviver em superfícies por até uma semana devido à sua estrutura resistente. Porém, o vírus só entra no corpo se houver feridas ou rachaduras na pele genital. Casos de herpes genital também poderiam teoricamente transmitir o vírus via assento, mas são situações pouco prováveis, explicou Daniel Atkinson, especialista de saúde clínica nos EUA.
'Sopa de micróbios' - Em um artigo no portal The Conversation, o professor de genômica e biologia molecular da Universidade Bond, em Queensland, argumentou que vasos sanitários públicos podem se tornar uma “sopa microbiana”, principalmente quando são usados por muitas pessoas e a limpeza não é feita com a frequência adequada. (Leia mais abaixo)
Ao usar o banheiro, as pessoas liberam bactérias e vírus nas fezes e na urina, e parte desses microrganismos acaba indo para o vaso sanitário. O perigo pode aumentar em algumas situações, como, por exemplo, pessoas com diarreia, que podem liberar mais microrganismos nocivos ao usar o banheiro.
Mesmo assim, ele destaca que o assento não é parte mais suja de um banheiro publico: de acordo com estudos recentes, outros locais como maçanetas, torneiras e alavancas de descarga do vaso sanitário apresentam perigo maior, por serem tocados com mãos sujas mais frequentemente. (Leia mais abaixo)
O perigo real, segundo Roberts, está nas mãos. “A ameaça não é para o seu traseiro, é para a boca, via mãos contaminadas”, alerta. Pequenos vestígios de fezes em assentos podem conter bactérias como E. coli, Salmonella e Staphylococcus, que causam náusea, diarreia e vômito. O norovírus, altamente contagioso, também pode sobreviver semanas em superfícies e infectar com apenas algumas partículas.
Papel higiênico ou 'agachamento' para proteger? Usar papel para cobrir o assento ou dar um “susto” no vaso não impede o contato com germes, já que o material é poroso. Para mulheres, agachar sobre o vaso pode até prejudicar a saúde, porque exige esforço desnecessário dos músculos pélvicos e pode impedir que a bexiga esvazie completamente, aumentando o risco de infecção urinária. (Leia mais abaixo)
Curiosamente, estudos mostram que banheiros domésticos são geralmente mais sujos que os públicos. “Os banheiros públicos são limpos várias vezes ao dia; em casa, a limpeza é, muitas vezes, semanal”, explicou Charles Gerba, professor de virologia da Universidade do Arizona.
O 'espirro do vaso' - Outro perigo pouco conhecido é o chamado toilet plume, ou “espirro do vaso”. Ao dar descarga, partículas de fezes e urina são lançadas no ar, contaminando superfícies e até você, se ainda estiver no box. Fechar a tampa não garante proteção total, pois vírus podem escapar pelas laterais. (Leia mais abaixo)
Como evitar contaminação? Confira algumas dicas para diminuir o risco de contaminação, de acordo com especialistas:
Fonte: Extra (Leia mais abaixo)