É fake que Anvisa recomendou sal e cloro contra mosquito da dengue

Agência negou ter feito essa recomendação e se posicionou contra 'receitas' de redes sociais que possam causar acidentes domésticos


  • 20/02/2025, 08h58, Foto: Divulgação.

Circula nas redes sociais uma imagem que atribui à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma recomendação de combate ao mosquito da dengue que envolve a aplicação de cloro e sal nos ralos de casa. É #FAKE.

O que há na publicação falsa? A imagem publicada em grupos do Facebook e mensagens do WhatsApp tem um texto com uma recomendação de combate a larvas do mosquito da dengue que diz: (Leia mais abaixo)

"Utilidade Pública. Vigilância Sanitária pede, como medida de segurança: Colocar meio copo de cloro e uma colher de sal, na segunda e na sexta-feira, em todos os ralos que tiver em sua casa. O problema da dengue está mais sério, em escala de epidemia nacional. Por favor, repasse para todos os seus contatos!"

Por que o conteúdo é mentiroso? Ao Fato ou Fake, a Anvisa negou que tenha feito a recomendação de usar esse composto e afirmou vem se posicionando contra "receitas" e "misturinhas" divulgadas nas redes sociais, em razão do risco de acidentes domésticos que culminam nas irritações da pele e dos olhos, além de intoxicação.

A agência explica que a água sanitária, que tem cloro, é reconhecida como agente saneante e confirma que o produto pode ser usado no combate às larvas do mosquito da dengue, como expresso nos rótulos desses produtos – daí, o uso do produto na limpeza de piscinas.

Já o sal é classificado como produto alimentício, não saneante.

"Por isso, a mistura é desnecessária. Não reconhecemos evidências que o sal tenha as propriedades necessárias para combater o mosquito da dengue", diz a assessoria de imprensa da Anvisa. (Leia mais abaixo)

A Anvisa diz que não há veto específico para o uso de cloro nos ralos, mas esta não é considerada uma medida determinante para o combate ao mosquito da dengue, uma vez que ralos de funcionamento normal não são áreas de acúmulo de água.

Contra o Aedes aegypti, a orientação é pela utilização de produtos desinfestantes, como inseticidas e repelentes devidamente registrados.

Quais são as outras evidências de que se trata de fake news? O conteúdo tem características comuns a preças de desinformação propagadas na internet: usa tom alarmista; não traz uma referência específica (fala-se em "Vigilância Sanitária", em vez de mencionar a Anvisa como fonte, ou as Vigilâncias Sanitárias de cada um dos estados brasileiros); e pede ao usuário que compartilhe com o maior número de contatos possível.

O que o Ministério da Saúde recomenda? A principal medida de combate ao mosquito é a desobstrução de locais onde há água parada -- vasos de plantas, lagões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção e até mesmo tampinhas abandonadas. Nesses locais, ocorre a reprodução do Aedes aegypti e a proliferação de larvas. Veja as ações recomendadas pela pasta: remoção de recipientes que possam se transformar em criadouros de mosquitos; vedação dos reservatórios e caixas de água; desobstrução de calhas, lajes e ralos; e participação na fiscalização das ações de prevenção e controle da dengue executadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O que o Fato ou Fake checou recentemente sobre dengue? Em 13 de fevereiro de 2025, publicamos uma reportagem com o título É #FAKE que vinagre de álcool é recomendado para combater mosquito da dengue. (Leia mais abaixo)

O aumento da circulação de fake news sobre dengue ocorre em meio a uma alta de casos da doença. Em 19 de fevereiro de 2025, o governo de São Paulo decretou situação de emergência em todo o estado.

A medida é implantada sempre que o estado atinge um índice de 300 casos confirmados da doença para cada 100 mil habitantes — no ano passado, isso ocorreu no início de março.

Até a última atualização desta reportagem, SP já havia registrado 124.380 casos confirmados de dengue em 2025 — outros 81,7 mil casos estavam sendo investigados.

Fonte: g1



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