E assim se passaram os anos...

ENTREVISTA com o jornalista Jorge Luiz, superintendente da Igualdade Racial


22/11/20105   às 07h30   -   Foto: Campos 24 Horas Postado por: Fabiano Venancio Jorge Luiz dos Santos-RL (2) O prédio daquela antiga Fundação Municipal Zumbi dos Palmares que todos conheciam, na rua Aquidaban esquina com Marechal Floriano, continua lá, imponente e espaçoso recebendo centenas e centenas de pessoas, desde crianças até idosos, que precisam adquirir conhecimento, se reciclar, fazer cursos de geração de renda, entre outros. Mas mudou de nome (hoje Superintendência de Igualdade Racial), de filosofia e muito mais do que isso, segundo o jornalista, radialista e atual superintendente do órgão, Jorge Luiz dos Santos. Ele explica que aquela Fundação era fantasiosa, encravada em meio a corrupções, vários shows que foram pagos e nunca aconteceram, processos abertos para montagem de trios que foram sumidos, totalizando um rombo constatado em 2009, quando a Prefeita Rosinha Garotinho assumiu o governo, acima dos R$ 4 milhões. E tudo isso, segundo o superintendente, devidamente comprovado, documentado e registrado, já que tudo foi levado à Delegacia de Polícia, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado. Jorge Luiz dos Santos-RL (4)Confira e entrevista: Campos 24 Horas – Vamos falar da atualidade. O que a Superintendência oferece hoje à população? Jorge Luiz dos Santos – Hoje a Superintendência vive a realidade e seus trabalhos foram ampliados, a ponto de criarmos um braço de atendimento, que é o pólo que temos no Imbé, para atender as pessoas daquela região que não têm possibilidade de todos os dias vir a nossa sede no Centro. Temos aqui Curso Pre-Vestibular, o PreVest, Curso Preparatório para o IFF, o Pre-IFF, Cursos de Inglês e Espanhol (voltados também ao mercado de trabalho), além de oficinas de dança, música (teclado e violão), capoeira, judô e jiu jitsu. Sem contar as atividades que desenvolvemos de pesquisa e nas comunidades quilombolas. C24H – E a aceitação? As pessoas realmente procuram todos esses cursos e oficinas? Jorge Luiz – Olha, temos atualmente quase duas mil pessoas nestes cursos e oficinas oferecidos, com as portas abertas todos os dias, das 8 às 22h. Para você te uma ideia, mais de 3 mil e 500 pessoas se inscreveram somente para o PreVest mas, infelizmente, diante da crise, tivemos que reduzir o número de alunos. E os alunos desses cursos não pagam nada, nem mesmo a apostila, que eles recebem devidamente encadernada. E essa procura prova a excelência dos cursos, que é transformada em aprovação de inúmeros alunos para universidades públicas, concursos, entre outros. C24H – Você tem esses números? Jorge Luiz – Muitos alunos retornam à Superintendência para agradecer que passaram nos vestibulares das universidades mais concorridas, em escolas diferenciadas e até em concursos. Os pais também entram em contato para falar do sucesso dos filhos e por ai vai. De 2009 até hoje, o PreVest, por exemplo, aprovou para universidades públicas, cerca de 1.350 alunos. Já o Pre-IFF começou em 2010 e já contabilizamos mais de 500 aprovados para a instituição. Esses números podem ser maiores, se levado em conta que muitas pessoas não retornam para falar das aprovações. Mas tudo isso é muito gratificante. Jorge Luiz dos Santos-RL (8)C24H – Você falou que as oficinas oferecidas surgiram a partir de uma necessidade. Como foi isso? Jorge Luiz – Muitas pessoas traziam ou vinham de companhia com filhos e netos para os cursos e não tinham ocupação, passando a perguntar o que elas poderiam fazer. Assim criamos a oficina de balé, depois a oficina de violão, em seguida a oficina de capoeira, judô, jiu jitsu e agora mais recente, as oficinas de teclado e violão, que estão sendo um sucesso. Só nas aulas de violão temos hoje 120 alunos, no judô 140 e por aí vai. E a procura por esses cursos e oficinas não para, o que mostra que as pessoas estão interessadas em aprender. E mais importante, numa instituição séria como a Superintendência. C24H – E sobre as pesquisas, o que está sendo feito neste sentido? Jorge Luiz – Estamos fazendo, mas também muita coisa já foi feita. São quatro livros publicados, dois CDs lançados, dentre eles, o conhecido “Bambas da Planície”. E tem outros já prontos, mas que falta autorização dos autores, como por exemplo, sobre os melhores sambas de Carnaval de Campos. Também temos pesquisas em comunidades quilombolas, que servem para desenvolvermos nossas atividades. E sobre esses livros publicados, quando somos requisitados, fazemos palestras a respeito deles, já que são ricos em cultura de raízes. C24H – E no polo do Imbé, o que é desenvolvido lá? Jorge Luiz – O pólo do Imbé atende várias comunidades da região. Estamos funcionando na comunidade de Aleluia, onde existia uma casa de farinha comandada pelo Incra e que conseguimos a cessão e reformamos. Lá tem laboratório de informática, atividades culturais, projetos voltados à cidadania, reunião com moradores, entre outros. Há seis anos desenvolvemos no local o projeto Zumbi nas Férias, num período em que as crianças não têm o que fazer. Também temos o projeto Zumbi nas Escolas, que leva atividades culturais e de cidadania às escolas de lá, que são cinco. Jorge Luiz dos Santos-RL (3)C24H – Vocês sempre falam que também estão presentes na comunidade de Carobinho. Que comunidade é essa? Jorge Luiz – É uma comunidade atípica, dentro da mata do Imbé, que descobrimos depois que começamos a desenvolver as atividades por lá. As pessoas não têm noção que possa existir, tão próximo de nós, uma comunidade tão fechada como aquela. O primeiro contato governamental que as pessoas de lá tiveram foi conosco, em 2010, quando levados para lá a Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação, Secretaria de Desenvolvimento Social, mas sem interferir na vida deles, porque eles não gostam. Para você ter uma ideia, quando chegamos ao local, somente uma criança estudava, por falta de acesso, distância da escola. Na época a secretária era Joilza, que facilitou o transporte e hoje quase 20 crianças estão na escola. No local existem apenas 14 famílias, cerca de 60 pessoas, mas que já contam com energia (trabalho intermediado pela Superintendência), acesso livre de ir e vir, que antes era restrito por uma cancela de fazendeiros locais, entre outros. Olha a diferença de realidade: Aqui nós temos medo de ladrão, lá eles têm medo de onça.



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