domingo, 03 de maio de 2015 - Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio

Estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que o Brasil tenha 20,6 milhões de idosos, número que representa 10,8% da população total. Além disso, hoje a população brasileira está vendo diminuir o número de crianças e aumentar o de idosos. Dentro deste contexto, Campos desenvolve uma série de ações para os que têm mais de 60 anos e, para se ter uma ideia, tem até um local específico onde eles passam o dia inteiro, depois de serem apanhados, todos os dias, logo cedo, na porta de casa, sendo levados para este ambiente onde tem equipe multiprofissional para sua reabilitação, além de atividades de lazer e convivência.
É assim o Centro Dia do Idoso, órgão da Prefeitura, localizado no Jardim Carioca. A enfermeira, pós-graduada em enfermagem dermatológica e, também, coordenadora do Centro Dia, Janete Lima Klen, explica que, embora o objetivo maior seja a reabilitação do idoso, eles acabam, por causa do convívio harmonioso e afetivo, adotando o Centro como sua segunda casa, segunda família e, alguns deles até, como primeira casa e primeira família, levando em conta a falta de atenção e carinho dos familiares. Janete Klen diz que até 2009 o atendimento era somente com pacientes internos e que, a partir daí, a Prefeita Rosinha Garotinho, sensível à causa, implantou o atendimento ambulatorial, com números considerados elevados.
Veja a entrevista:
Campos 24 Horas –
Esses números apresentados pela senhora, de atendimento ambulatorial, assustam. Todo mês é isso?
Janete Klen – Não, claro que oscila muito. Somente em dezembro passado foram 1.934 consultas, mas tem mês que é menos e outro que é bem mais. No mês de março deste ano, por exemplo, passamos de 2.500 atendimentos, um número considerado muito grande. É uma demanda que não acaba, geralmente crescente.
C24H –
E quais os atendimentos que estão incluídos nestes números apresentados?
Janete– Nós temos atendimento com cardiologista, ginecologista, angiologista, clínico geral, geriatra, reumatologista, dermatologista, urologista, ortopedista, endocrinologista, odontologista, fisioterapeuta, fonoaudiologia, psicologia, nutricionista, enfermagem, assistência social, farmácia, artes e ofícios e terapia ocupacional. Nossos internos têm todo esse atendimento, aqui é para reabilitação deles, casos de AVC, entre outros. E tem ainda o atendimento àqueles que não são internos do Centro Dia.
C24H – E quantos internos têm hoje?
Janete – Atualmente estamos com 20 idosos internos, que chegam aqui às 8h e só saem às 19h. Eles são apanhados em casa e levados, de carro, de segunda à sexta-feira. Aqui eles fazem as consultas necessárias e têm assistência para reabilitação, além das terapias ocupacionais, assistem televisão, conversam, participam de dança sênior, grupo da memória e muito mais. Tomam o café da manhã, lancham, almoçam, lancham à tarde e jantam. Antes de ir para casa tomam banho e aqueles que usam fralda saem daqui com ela trocada.
C24H – E qual é o critério para ser um paciente interno e qual o critério para atendimento no ambulatório?
Janete – No caso do paciente interno, ter mais de 60 anos de idade e necessidade de reabilitação. Tanto para o interno quanto para o ambulatório, ele passa por entrevista com equipe multiprofissional (assistente social, psicólogo e enfermeiro) para a triagem e, depois disso, caso ele tenha perfil para internação, passa por avaliação com geriatra. Este poderá inseri-lo para atendimento todos os dias ou não, de acordo com a necessidade de cada um. Para o ambulatório, a triagem é para ver qual especialidade o idoso precisa.
C24H – Voltando ao caso dos internos, é como se fosse uma “creche” para idosos...
Janete – Alguns até dizem isso mesmo. Eles quando são apanhados em casa são entregues a nossa equipe, que cuida deles o dia todo, proporcionando o melhor. Eu nem falei, mas eles também assistem filmes, fazem caminhadas assistidos por fisioterapeutas, participam de festividades que fazem parte do calendário. Mas eles têm um período para ficar internados, geralmente de seis meses, podendo ser renovado por mais seis, de acordo com a necessidade. E esse desligamento do Centro quando ele já está reabilitado é que é problema, porque eles gostam tanto do convívio, do carinho e afeto, que não querem se desligar daqui de jeito nenhum. E esse já é outro trabalho que temos que fazer com eles, para convencê-los disso.
C24H –
E esse desligamento, como é feito?
Janete – É feito um trabalho com psicólogos e esse desligamento não é repentino, ele é gradativo. É o que a gente chama carinhosamente de “desmame”, quando eles começam a vir três vezes na semana, depois duas vezes na semana, uma vez na semana, até não precisar mais vir. O trabalho psicológico é feito com o paciente e com a família que muitas vezes relutam em aceita-lo o dia todo em casa, alegando uma série de problemas.
C24H –
Nessa hora devem surgir muitas histórias tristes, não é mesmo?
Janete – É verdade. Tem muitos que dizem que não deveriam existir sábados, domingos e feriados, porque são os dias mais tristes para eles, porque nestes dias ficam isolados em seus cantos, sem o atendimento diferenciado que têm aqui no Centro. Passam esses dias com a casa cheia de gente, mais sozinhos em seus mundos.