sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 - Foto: Saulo Garcez / Campos 24 Horas

A médica Sara Evelin da Vega Ferraz, proprietária da Nutrindo – Serviço de Internação Domiciliar, que foi presa por acusação abandono de incapaz (suspender o atendimento “home care” a pacientes graves assistidos por equipes de sua empresa, através de um contrato com a Prefeitura de Campos), concedeu entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira(12). Ela recebeu voz de prisão no prédio onde reside, na noite da última terça-feira, numa ação comandada pelo promotor de Justiça Marcelo Lessa.
A médica negou, inicialmente, ter determinado a suspensão dos serviços, alegando que foi uma decisão de técnicos de enfermagem de uma cooperativa que presta serviços à sua empresa, e fez críticas ao promotor Marcelo Lessa.
“Como médica e profissional liberal, me senti muito agredida pelo próprio judiciário, que poderia respaldar nosso trabalho e resguardar nossa dignidade. Numa atitude extremamente truculenta e arbitrária, colocou a empresa sem recursos para recorrer dos direitos dela enquanto instituição idônea”, disse

Ela alega que não acreditou que os técnicos fossem suspender o atendimento após ser comunicada da decisão tomada numa assembléia da cooperativa a qual são ligados.
“Eu não sabia que os técnicos que estavam fazendo assistência aos pacientes tinham paralisado suas atividades. Eu não acreditei. Na verdade, eles(os técnicos que são em numero de 300) se reuniram em assembleia no dia anterior, foram 22 técnicos que compareceram à assembleia e decidiram pela paralisação. Foi então que a presidente da cooperativa me comunicou que eles iriam parar , e que parariam por falta de pagamento”, afirma a médica, que ainda alega que argumentou com a presidente da cooperativa que havia apenas 20 dias de atraso no pagamento. “Eu aleguei a ela que o pagamento tinha 20 ou 23 dias de atraso. E ela disse que havia insegurança por parte dos técnicos pela falta de pagamento e eles estavam querendo parar”, afirma.
A médica Sara Evelin afirma também que avisou ao secretário de saúde, Doutor Chicão, da sua preocupação com a situação. “Fiquei preocupada, mas não acreditei que pudesse acontecer”, frisou.
A médica ainda se defendeu da acusação de “abandono de incapaz”, delito pelo qual foi autuada. Ela diz que argumentou com o promotor Marcelo Lessa. “Eu tentei argumentar com ele: porque eu estaria abandonando? P que ele entenderia por abandono de incapaz? E ele disse que a ausência do técnico na casa de um paciente configura abandono de assistência de home care. Eu tentei argumentar no sentido lógico de que existe além da assistência do técnico, há todo um aparato médico e multiprofissional que respalda o técnico. E se ele considerasse a ausência do técnico como abandono, então a gente poderia recolher todo restante do serviço, como material, medicamentos e equipe multidisciplinar para poder configurar o abandono. Mas, ele disse que havia muita irregularidade e não aceitava”, explicou a médica.
Em relação a alegada dívida da prefeitura, Sara Evelin disse que esteve ontem com o secretário de Saúde Doutor Chicão, com quem negocia o pagamento da dívida. Ela destaca que a sua empresa está numa situação financeira complexa após dois anos de prestação de serviços home care, em razão da falta de pagamento.