Dom Bosco estava certo: “Educar é questão de coração”

Campos 24 Horas ENTREVISTA: Marta Cristina Caldas de Oliveira, diretora da Creche Escola Municipal Glicério Carlos Neto


Atualizado: segunda-feira, 19 de janeiro de 2015     -     Foto: Campos 24 Horas Postado por Fabiano Venancio Marcia Diretora da Creche do Lebret-RJ (8) De acordo com estudiosos, não adianta Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Jean Piaget, Friedrich Fröebel ou tantos outros educadores, se não houver estrutura para ensinar, especialmente, a uma criança. E se essa estrutura for composta, além de salas de aula convencional, de sala de música com aparelho de som e pequenos instrumentos musicais, brinquedoteca com material lúdico para idades diferenciadas, biblioteca com televisão de plasma e DVD para desenhos educativos e, ainda, uma sala específica para amamentação de crianças que ainda não deixaram o leite materno, sem falar num consultório médico dentro da unidade de ensino, melhor ainda. Sem esquecer do material didático gratuito e da alimentação saudável. Tudo 0800. Isso tudo pode, algum dia, ter sido sonho de qualquer educador citado acima, mas em Campos é realidade, segundo a professora Marta Cristina Caldas de Oliveira, diretora da Creche Escola Municipal Glicério Carlos Neto, no Parque Lebret, em Guarus. E essa é uma entre tantas outras espalhadas pelo município que, como o nome diz (modelo), oferece a mesma estrutura desta, que foi uma das primeiras a ser inaugurada, em 2010. Marta Cristina antes de ser diretora na creche escola atuou durante 25 anos na rede privada e, por isso, afirma que muitas unidades particulares em Campos não têm a mesma estrutura que tem as unidades modelo municipal. Marcia Diretora da Creche do Lebret-RJ (7) Confira a entrevista: Campos24Horas – Quantas crianças estudam na Glicério Neto e como é seu funcionamento? Marta Cristina Caldas Aqui nós temos 110 crianças, do berçário 1 ao G1, ou seja, a partir de quatro meses, até três anos de idade. Elas entram às 7h e ficam durante todo o dia, até às 17h. E quando saem estão tomadas banho, com fraldas trocadas no caso dos bebês, alimentadas e, com certeza, com alguns ensinamentos passados, claro, de acordo com a faixa etária. Se tivéssemos mais 100 vagas, todas seriam preenchidas, porque a estrutura oferecida corre de boca em boca pelos bairros e hoje todos querem ter um filho matriculado numa creche modelo. C24H – Mas a creche escola está preparada para a questão da educação inclusiva? Marta – Sim e nós temos crianças especiais aqui e elas convivem muito bem com as demais. Inclusive, temos este ano uma que nem senta como as demais e, por isso, a mãe vem trazendo a sua cadeira adaptada. A inclusão é lei, deve ser cumprida e aqui é. E nós adequamos essas crianças, procurando saber como elas se comportam em casa, o que comem, horários de refeição, tudo seguido à risca pelos educadores e cuidadores delas. Sem falar que temos banheiros adaptados. Há um entrosamento muito bom com os demais colegas e muitas mães afirmam que essas crianças mudaram seu comportamento a partir da escola, ficaram mais tranquilas. C24H – E que novidade é essa de Sala de Amamentação? Marta – É uma necessidade. Têm muitos bebês e até crianças maiores que ainda não deixaram o leite materno, por isso, a Sala de Amamentação, totalmente adaptada para a mãe amamentar seu filho com tranquilidade, como se estivesse em casa. Assim, ela pode vir à creche a hora que o bebê mama e alimentá-lo normalmente. E caso não possa, porque trabalha fora como a maioria delas, a sala tem material para coletagem do leite e armazenamento, como um banco de leite, com geladeira e tudo. Hoje temos 10 bebês nesta fase. C24H – E na parte pedagógica, o que eles aprendem? Marcia Diretora da Creche do Lebret-RJ (9)Marta – De acordo com a faixa etária, levando em consideração que o berçário 1 são bebês de quatro a nove meses, berçário 2, de um ano a um ano e oito meses, maternal com dois anos e G1 com três anos. Eles aprendem a interagir com o outro, comportamento, postura, aprendizagem e desenvolvimento dos sentidos e leitura escrita. E decodificando seus conhecimentos, porque para uma criança pequena, um traço já é um aprendizado. E participam de contação de histórias onde aprendem de outra forma, inclusive, com ajuda de marionetes para dar animação. E tem ainda a música, o desenho, tudo educativo, sem falar na brinquedoteca onde eles brincam, mas também aprendem que devem dividir com o coleguinha, cuidar bem das coisas e por aí vai. C24H – A criança vai pra casa tomada banho, com fralda trocada e, se precisar, com pomadinha de assadura e tudo. Mas no retorno, também estão bem cuidadas? Marta – Se não tiver, a gente chama a mãe ou responsável para conversar e fala: “Mãe, porque o bebê chegou sujinho, porque ele está assado, porque, porque, porque? E a partir daí ele passa a chegar cuidado, como saiu da escola, o que também não deixa de ser uma forma de educar. Mas fora isso, estamos sempre em contato com os pais, promovendo reuniões, palestras, trazendo pessoas para passar noções diversas que servem, não só para a criança, mas como também para os pais ou responsáveis. É um aprendizado constante... C24H – Então há entrosamento da escola com a comunidade. É isso? Marcia Diretora da Creche do Lebret-RJ (3)Marta – Com certeza, tudo na base da comunicação e, principalmente, respeito. A gente procura ouvir os pais, para deixá-los mais seguros. E eles podem também vir visitar no horário de estudo para acompanhar seu filho, seu desenvolvimento. E aí a gente fala dos horários de entrada e saída que devem ser respeitados, como funciona a creche, higiene pessoal, saúde, bem estar, entre outros. Eles ainda podem participar das palestras e atividades das crianças como festas temáticas tipo Festa Junina, Festa de Páscoa, Festa de Natal e outras. C24H – Dentro dessas reuniões todas, surgem muitos problemas particulares? Marta – Acabam surgindo. Numa ocasião eu estava conversando com uma mãe e por a gente se falar muitas vezes, ela acabou me contando que tinha um problema com o álcool. O gabinete virou uma sala de psicologia, por acaso. Mas foi bom, porque nós passamos a conversar mais com essa mãe, de certa forma acompanhá-la, mas por causa da criança. E demorou, mas ela deixou o vício e agora está bem melhor. Não parece nada, mas foi a partir de reuniões, de uma conversa que se chegou a esse problema, que já está resolvido. É a escola interagindo com a comunidade... C24H – E tem alguma história marcante durante estes anos? Marta – Várias, mas posso citar uma, envolvendo uma criança especial. Uma mãe chegou aqui pedindo vaga no berçário 2 para seu filho, que tinha uma deficiência mental. No entanto ela estava muito temerosa da gente não aceitar seu filho e, também, das demais crianças não interagirem com ele. Mas enquanto nós conversávamos, o menino se afastou e quando ela percebeu, ele já estava totalmente entrosado com os coleguinhas, jogando bola. Foi uma emoção para todos nós e, claro, a vaga foi dada na mesma hora. Tem também declarações de mães que nos deixam feliz, como uma que disse: “Gente, isso aqui parece escola de bacana. Nunca imaginei que meu filho fosse ter tudo isso”.



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