11/09/2015 - às 21h12 - Foto: Divulgação

O dólar fechou no maior nível desde 2002 nesta sexta-feira (11), caminhando às máximas históricas, em meio a renovadas preocupações com a crise política e econômica no Brasil e com investidores buscando proteção antes de eventos importantes nos próximos dias, tanto no cenário local quanto no externo.
O dólar avançou 0,69%, a R$ 3,8771 na venda, maior nível de fechamento desde 23 de outubro de 2002, quando foi a R$ 3,915. Na semana, o dólar acumulou alta de 0,43% sobre o real.
Nesta manhã, a moeda dos EUA chegou a recuar 0,78%, a R$ 3,8202, na mínima, mas o movimento atraiu compradores em meio às perspectivas ainda incertas. Na máxima, a divisa subiu 1,15%, a R$ 3,8945.
"Quando você acha que vai ter um dia tranquilo, vem mais notícia ruim. O mercado não está para fracos", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.
Real foi a moeda que mais perdeu valor em 2015
Preocupações com a deterioração das contas públicas e com a crise política no Brasil vêm golpeando o ânimo dos investidores nas últimas semanas, em meio a dúvidas sobre o comprometimento do governo com o ajuste fiscal.
No cenário externo, investidores também recorreram à moeda norte-americana para se proteger antes da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, na semana que vem e da divulgação de dados sobre a economia chinesa no fim de semana (produção industrial e vendas no varejo).
Pesquisa da Reuters mostrou que uma ligeira maioria dos economistas consultados acredita de que o Fed vai elevar os juros na próxima semana. Uma amostra menor de economistas disse que a chance de aumento de juros na semana que vem é de 50%, contra 60% no mês passado.
"O mercado vai aproveitar qualquer baixa [do dólar] para comprar. O cenário está muito incerto, ninguém quer ser pego de surpresa", disse o operador de uma corretora internacional, acrescentando que o dólar deve atingir R$ 4 — máxima histórica intradia — em breve.
Na noite de quarta-feira, a S&P piorou a classificação de risco do Brasil para "BB+" ante "BBB-" e sinalizou que pode colocar a nota ainda mais dentro do grau especulativo ao atribuir perspectiva negativa ao rating. O mercado espera que o governo reaja anunciando mais medidas fiscais.