Dívida da Refit corresponde a orçamento do Rio com polícias, diz secretário da Receita

Grupo tem R$ 10 bilhões em débitos e é o segundo maior devedor de ICMS do estado


  • 27/11/2025, 13h33, Foto: Divulgação .

A dívida do Grupo Refit com o Rio de Janeiro corresponde a todo orçamento do estado com as polícias Civil e Militar. A informação foi divulgada pelo secretário especial da Receita Federal, nesta quinta-feira (27), em uma coletiva de imprensa sobre a megaoperação "Poço de Lobato", contra um esquema de fraude fiscal envolvendo o dono da antiga refinaria de Manguinhos. Os alvos são a empresa e outras companhias do setor de combustíveis. 

A operação é coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (Cira-SP), com participação da Receita Federal e outros órgãos, e cumpre mais de 190 mandados de busca e apreensão também no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e no Distrito Federal. O Grupo Refit, principal alvo da ação, fica localizado na Avenida Brasil, na altura de Manguinhos, na Zona Norte da capital fluminense.  (Leia mais abaixo)

Segundo o secretário especial da Receita Federal, a empresa deve cerca de R$ 26 bilhões aos cofres públicos do Brasil e é o segundo maior devedor de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) do Rio, com débitos de R$ 10 bilhões. Em coletiva no Ministério Público de São Paulo, Robinson Barreirinhas destacou que a dívida da companhia corresponde a todo o orçamento que o estado tem para financiar as polícias Civil e Militar fluminenses. 

"Isso é equivalente ao orçamento do estado do Rio de Janeiro com as suas polícias. O que esse grupo econômico deixou de recolher ao estado do Rio de Janeiro é o orçamento todo do estado com as polícias dele. Isso mostra como o combate ao crime não pode ser só lá na ponta, só no varejo, precisa ser nessas estruturas financeiras que corroem a segurança pública do Brasil, que corroem as estruturas do Estado que combatem as organizações criminosas aqui no Brasil", afirmou. 

Ainda de acordo com Barreirinhas, a Receita Federal tem atuado para intensificar a cooperação interinstitucional, como ocorre na Operação Poço de Lobato. Além disso, a instituição também firmou um acordo para deslocar auditores fiscais para trabalharem na força-tarefa da Polícia Federal no Rio de Janeiro, contra organizações criminosos e atividades ilegais, inclusive as decorrentes da ação desta quinta-feira.  A megaoperação mobiliza mais de 620 agentes públicos, entre promotores de Justiça, auditores fiscais e policiais civis e militares. Cerca de 50 pessoas físicas e jurídicas tiveram R$ 8,5 bilhões em bens bloqueados. A ação foi batizada de "Poço de Lobato" em referência ao primeiro poço de petróleo descoberto no Brasil, em 1939, no bairro de Lobato, em Salvador (BA). Procurado pela reportagem do DIA, o Grupo Refit ainda não se pronunciou. O espaço está aberto para manifestação. Esquema movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano



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