Dirigentes da Fifa são vaiados por torcedores

Grupo liderado pelo vice-presidente da entidade foi hostilizado durante entrega de troféu da Copa do Mundo feminina


06/07/2015   às 11h50   -   Foto: Folhapress f_308086Dirigentes da Fifa foram vaiados pelos torcedores antes da entrega do troféu na final da Copa do Mundo feminina de futebol, que os Estados Unidos ganharam por 5 x 2 do Japão, no domingo. Apesar de o presidente da Fifa, Joseph Blatter, não ter ido ao Canadá durante o torneio e decidir, pela primeira vez, não entregar o troféu, a torcida, de maioria norte-americana, deixou claro seus sentimentos sobre a organização atingida por escândalos de corrupção. O locutor do estádio pediu à torcida para saudar os "dignitários" da Fifa no campo, e o grupo com cerca de dez pessoas, liderado pelo vice-presidente da Fifa Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol, foi recebido com fortes vaias. Blatter, de 79 anos, disse em entrevista ao jornal alemão Welt am Sonntag que sua primeira vez sem ir à final da Copa do Mundo feminina estava relacionada a preocupações sobre investigações sobre o escândalo. "Não tomarei riscos de viagem até que tudo esteja esclarecido", disse. Entenda o caso Investigações conduzidas pelo FBI, nos EUA, culminaram na prisão de sete dirigentes de peso no futebol em Zurique, na Suíça. Reunidos para a eleição do próximo presidente da entidade, os cartolas foram detidos pela polícia suíça no hotel Baur au Lac. Entre eles, está o ex-presidente da CBF entre 2012 e 2015 e atual vice da entidade, José Maria Marin, que permanece detido na Suíça. No total, a investigação chegou a 14 nomes. Além dos sete dirigentes que já foram presos, sete foram indiciados. O brasileiro José Lázaro Marguiles, que seria um intermediário nas operações ilegais, é um deles. Outras quatro pessoas, incluindo o empresário José Hawilla, do grupo Traffic, são réus confessos no esquema. Dessas 18 pessoas, 11, entre elas Marin, foram banidas pela Fifa de quaisquer atividades ligadas ao futebol. As acusações são de extorsão, fraude, conspiração e lavagem de dinheiro para acordos em torneios como as Eliminatórias, Copa América, Libertadores e Copa do Brasil. O esquema dura, pelo menos, 20 anos e movimentou mais de US$ 150 milhões (R$ 476 milhões) até agora. O valor pode ser muito maior. Com a prisão dos cartolas e as notícias sobre o andamento das investigações, a pressão sobre a Fifa só aumentou. Diante deste cenário, Joseph Blatter, presidente que havia sido reeleito ao seu quinto mandato no dia 29 de maio, renunciou ao cargo. O secretário-geral da entidade e braço-direito do suíço, Jérôme Valcke também está em situação delicada pela suspeita de participar de pagamento de propina. O escândalo respingou até mesmo no ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que deixou o comando da confederação em 2012. No Brasil, a Polícia Federal pediu o indiciamento do cartola por quatro crimes (lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e falsificação de documentos público). Entre 2009 e 2012, Teixeira teria movimentado R$ 464,5 milhões de suas contas bancárias, o que chamou a atenção das autoridades. Como funcionava o esquema Empresas de marketing esportivo subornavam dirigentes para ganhar apoio e colocar sua marca nos eventos da Fifa, Conmebol, CBF e outras entidades. Foi assim que Marin recebeu cerca de R$ 2 milhões por ano da empresa Traffic, por direitos de transmissão da Copa do Brasil, como propina, de acordo com as investigações. Marin também está envolvido em acusações de suborno de edições da Copa América até 2023. Nem o contrato da CBF com a Nike escapou do FBI. A acusação é de pagamento de suborno em relação ao contrato da principal patrocinadora da Seleção Brasileira, que vem desde 1996. “O futebol é um belo jogo. Mas foi sequestrado. A vítima é o futebol. Essas pessoas conseguiram muito dinheiro graças ao amor que esse esporte desperta”, disse o diretor do FBI, James Comey. “Estamos dando um cartão vermelho para a Fifa”, completou Richard Webber, da Receita Federal americana.



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