Postado por Fabiano Venancio - Maior terminal privado da América Latina, o Porto do Açu é também o maior polo centralizado de geração de empregos do Norte Fluminense, com cerca de 7 mil trabalhadores. Para os próximos anos, as expectativas são de crescimento e expansão das atividades, não apenas como complexo portuário e de logística. Nesta entrevista exclusiva ao Site Campos 24 Horas, o diretor de Administração Portuária da Porto do Açu Operações, Vinícius Patel, destaca que o complexo do Açu se prepara para se tornar um polo de produção de fertilizantes no Brasil, com foco também na siderurgia, de modo a estabelecer definitivamente sua vocação de porto-indústria. Ele ainda fala sobre as profissões de agora ou do futuro de maior demanda no porto e os caminhos que o jovem trabalhador deve trilhar em termos de qualificação profissional, além de revelar os produtos que são mais exportados. “Nos próximos anos, a extensa retroárea do Açu deverá ser ocupada por indústrias como plantas de fertilizantes, siderúrgicas, com o diferencial de oferecer a possibilidade de instalar fábricas que já vão nascer comprometidas com as metas de carbono zero e poderão atuar em sinergia com energias renováveis que serão produzidas no porto-indústria”. (Confira a íntegra da entrevista abaixo)
Campos 24 Horas - Quais são os principais projetos em curso no Porto do Açu, como o terminal multicargas, e as expectativas para 2024? O senhor poderia falar em projeções quanto a geração de vagas de emprego? Vinícius Patel - Em 2023, o Porto do Açu inaugurou dois novos galpões cobertos, totalizando três armazéns, que aumentaram em quatro vezes a capacidade estática de armazenamento para 110 mil toneladas e dobrarão a área alfandegada do terminal para 360 mil m². A expansão viabilizou a movimentação de cargas diversas, como granéis minerais e agrícolas, fertilizantes, produtos siderúrgicos, entre outros. Para 2024, temos prevista a inauguração de um novo pátio aberto de granéis de 30.000 m², e a expansão do berço, permitindo ao terminal atender 2 navios de grande porte simultaneamente. Outro grande marco deste ano é o contrato assinado com a Petrobras para pré-descomissionamento de plataformas, que poderá posicionar o Açu como um hub para este serviço. O Porto do Açu é o único no país com licenciamento, infraestrutura e expertise necessárias para a execução deste contrato, que prevê que as plataformas sejam provisoriamente acostadas para posteriormente seguirem para a reciclagem, conforme o novo modelo de destinação sustentável, criado pela Petrobras, que pretende se tornar uma referência global nessa atividade, com foco em circularidade, sustentabilidade, segurança e cuidado com pessoas e meio ambiente. Além disso, avançamos no nosso planejamento de negócios para acordos com empresas globais para o desenvolvimento de projetos de hidrogênio verde, eólica offshore, fertilizantes e descarbonização da indústria siderúrgica. Essa é a melhor plataforma do país para o desenvolvimento de projetos de carbono zero e, hoje, conta com 7 mil trabalhadores, com 70% de mão de obra local. (Leia mais abaixo)
C24H - As operações no Porto do Açu foram destaque no Boletim da Firjan com ênfase para as exportações de petróleo em 2022. No Norte Fluminense houve crescimento de 56% em vendas internacionais originadas no terminal portuário localizado em São João da Barra em compactação com o ano anterior. A que se deve este protagonismo e quais as expectativas para 2013? Vinícius - No Porto do Açu, as operações de transbordo de petróleo são feitas pelo terminal da Vast. Cerca de 35% das operações de movimentação de óleo do país passam por este terminal, que possui como clientes as principais petroleiras que atuam no Brasil. Este é o único terminal nacional a realizar essa atividade de forma segura e sustentável, por meio do transbordo abrigado. Em 2022, o Terminal da Vast foi o 5º maior terminal privado do país, movimentando 34 milhões de toneladas, 10% a mais que o ano anterior. Em termos de barris movimentados, foram 155 milhões bbl (+27%) e 166 operações de transbordo (+35%), conforme dados da Vast. As expectativas para 2024 são de crescimento, amparadas pelo aumento das operações no país e pela capacidade de infraestrutura da Vast em realizar e absorver a demanda projetada.
C24H - Além do negócio do gás natural a partir da instalação das GNA, o Porto do Açu vislumbra outras oportunidades como a produção de fertilizantes. Como estão as tratativas com a Toyo Setal para o desenvolvimento conjunto da planta de fertilizantes nitrogenados? Vinícius - O Porto do Açu e a Toyo Setal anunciaram em julho uma parceria para desenvolver uma planta de produção de fertilizantes nitrogenados no Açu. As empresas trabalharão em conjunto na estruturação, desenvolvimento, licenciamento ambiental e busca por investidores estratégicos para o projeto. A estimativa é que a futura planta tenha capacidade de produzir 1,38 milhão de toneladas de ureia e 781,5 mil toneladas de amônia por ano a partir do aproveitamento do gás natural. Com isso, o Açu consolida como uma solução logística para a importação de fertilizantes. A parceria com a Toyo Setal nos permite dar um passo adiante em nossa estratégia de estabelecer o Açu como um polo de produção de fertilizantes no Brasil, contribuindo para ampliar a produção nacional e balancear a nossa dependência à importação. Em 2022, por exemplo, mais de 90% dos fertilizantes nitrogenados consumidos no Brasil foram importados.
C24H- O Porto do Açu é o primeiro do país a ser homologado pela Anatel e Ministério da Marinha para navegação eletrônica. O que seria navegação eletrônica e como funciona este processo? Vinícius - A sinalização náutica do canal de navegação do Terminal 02 do Porto do Açu é a primeira no país homologada pela ANATEL e Marinha do Brasil para o emprego de recursos para navegação eletrônica. Com infraestrutura de classe mundial, 6,5 km offshore e 6 km onshore e 300 metros de largura, o balizamento náutico do canal de navegação do Porto do Açu foi projetado de forma a atender as referências internacionais em tráfego marítimo, com a implementação dos melhores recursos disponíveis no mercado internacional e nacional. O parque de sinalização náutica do Açu é reconhecido por parceiros e comunidade marítima como um modelo de excelência de gestão e operação: composto por 20 sinais náuticos flutuantes, seis sinais náuticos fixos, 20 lanternas autônomas com AIS (Automatic Identification System) e monitoramento remoto 24 horas por dia pela estação base do Centro VTS do Porto do Açu.
C24H - Desde a década de 1980 que o Brasil ainda patina neste período de declínio em sua industrialização. A agenda do atual governo inclui a necessidade de retomada de um projeto de reindustrialização. O senhor acredita que o país, com os setores público e privado, tenha capacidade de reagir e pôr em prática este projeto a médio prazo? Há recursos e condições para implementar este projeto com o atual patamar onde se encontram as taxas de juros? Vinícius - O Porto do Açu tem como missão acelerar o melhor do Brasil e ser a melhor plataforma para a industrialização de baixo carbono no país. Nos próximos anos, a extensa retroárea do Açu deverá ser ocupada por indústrias como plantas de fertilizantes, siderúrgicas, com o diferencial de oferecer a possibilidade de instalar fábricas que já vão nascer comprometidas com as metas de carbono zero e poderão atuar em sinergia com energias renováveis que serão produzidas no porto-indústria. Somos o único porto totalmente privado do país e isso nos assegura a possibilidade de investir em neoindustrialização com muito mais celeridade e sem entraves, sendo uma grande vantagem competitiva.
C24H - Com as expectativas de oferta de energia a partir do gás natural e outras fontes energéticas, de que forma a região Norte Fluminense, especialmente a retroárea do Porto do Açu, está preparada para competir e participar de uma retomada deste projeto de reindustrialização? Vinícius: O Porto do Açu trabalha para ser O porto da transição energética do Brasil, conciliando industrialização de baixo carbono, crescimento econômico, geração de empregos e preservação do meio ambiente. Para isso, estamos desenvolvendo desde 2014 um porto-indústria competitivo com infraestrutura integrada e sustentável, que ambiciona ser um ecossistema de descarbonização das companhias globais. Acreditamos que somos o melhor ecossistema no país para instalação e desenvolvimentos desses negócios: além de extensa retroárea, temos disponibilidade de gás a preço competitivo e também água de uso industrial. Outro diferencial é que focamos no mercado interno, ou seja, a estratégia é que a energia produzida no Açu seja consumida dentro do porto-indústria, com demanda garantida pelas empresas que já atuam e que devem se estabelecer no empreendimento portuário. Para isso, transformaremos o Porto do Açu em uma plataforma de energia renovável, permitindo a industrialização de baixo carbono, contribuindo para reduzir as pegadas de carbono doméstica e global e acelerando a economia brasileira. (Leia mais abaixo)
C24H – Hoje qual o mix de produtos mais exportados no Porto do Açu, além do petróleo, e quais os estados de origem destes produtos? Vinícius: O Porto do Açu movimenta cargas diversas, como granéis minerais e agrícolas, fertilizantes, produtos siderúrgicos. Estes possuem como principal origem Minas Gerais, que representa 60% deste portfólio. Acrescenta-se também a operação da Vast, com transbordo de petróleo das bacias de Campos e Santos.
C24H – Como o senhor avalia os projetos de infraestrutura e logística previstos para Campos e região para os próximos anos como a EF-118, a duplicação da BR-101, a Ponte da Integração, entre outras? São projetos extremamente necessários para o desenvolvimento do Distrito Industrial. Os rodoviários, a cargo do Governo do Rio, são fundamentais para evitar a sobrecarga de caminhões passando por dentro da cidade de Campos. Já a conexão rodoviária, foi incluída como projeto prioritário no PAC este ano. De maneira imediata, a conexão ferroviária do Açu possibilita a movimentação de 16 milhões de toneladas/ano, sendo 8 milhões de toneladas de grãos. A previsão é que em 2035, o Açu recebe por ferrovia cerca de 26 milhões de toneladas pela ferrovia. O transporte por trilhos possibilita intensificar a movimentação de fertilizantes que serão produzidos no Porto do Açu; acelerar a implantação de plantas de HBI (aço verde) e a movimentação de derivados, por exemplo. Todas essas oportunidades geram emprego e renda e contribuem para a reindustrialização do estado do Rio de Janeiro.
C24H - O Porto do Açu hoje emprega cerca de 7 mil trabalhadores. Existem estimativas quanto ao percentual de empregados de Campos e São João da Barra? Vinícius - Sim, cerca de 70% destes trabalhadores são moradores de Campos ou São João da Barra.
C24H – Quais as profissões de agora ou do futuro de maior demanda do Porto do Açu e as empresas de seu entorno? Quais os caminhos que o jovem trabalhador deve trilhar em termos de qualificação profissional para conseguir um emprego a curto prazo depois de capacitado? Vinícius - O Porto do Açu e as empresas instaladas no porto-indústria investem em capacitação e qualificação de profissionais. Todas as atividades ligadas a portos, energia, petróleo terão oportunidades nos próximos anos. Entre as funções estão operadores de máquinas, soldadores, ajudantes gerais, revestidores, técnicos de segurança, engenheiros, motoristas, carpinteiros, encarregados, pedreiros, profissionais de saúde, consultorias ambientais, dentre outras funções técnicas e administrativas. Para trabalhar no Porto do Açu, o melhor caminho é cadastrar o currículo na Rede de Empregabilidade, que é um banco de dados que fica disponível para todas as empresas que estão se instalando no porto. O endereço é www.vagas.com.br/rede-de-empregabilidade .
C24H– Os pequenos ou médios empresários de Campos, São João da Barra e outros municípios da região tem demonstrado capacidade de inserção no Porto de Açu como fornecedores ou prestadores de serviços? Vinícius - Sim. O Porto do Açu possui como premissa o desenvolvimento de fornecedores locais. Para isso, temos o programa de desenvolvimento de fornecedores com o SEBRAE e FIRJAN e continuamente promovemos Rodadas de Negócios para estimular empresários locais e estreitar ainda mais o relacionamento entre eles e as empresas do complexo portuário. (Leia mais abaixo)
C24H – Quais as contrapartidas na relação do Porto do Açu com a comunidade de sua retroárea, do ponto de vista ambiental e social? Vinícius - O Porto do Açu possui mais de 30 iniciativas com a comunidade para desenvolvimento local, com foco em capacitação, estímulo ao empreendedorismo, inovação e educação ambiental. O maior expoente é a Reserva Caruara, criada e mantida desde 2012 forma voluntária, abrigando o projeto de proteção às tartarugas marinhas, que já liberou mais de 1 milhão de filhotes da espécie Caretta caretta ao mar. Desde o ano passado, a abertura das portas da Reserva com a implantação da sede potencializa a Caruara, permitindo ampliar sua atuação para fomentar mais ações de educação ambiental, criar um polo de ecoturismo na região e reforçar as ações de conservação da biodiversidade. A Reserva Caruara tornou-se um verdadeiro ativo ESG na região. A Caruara passou de patamar de uma unidade de conservação com um projeto de reflorestamento para um polo de conservação da biodiversidade e de fomento à economia local, através de seus eixos de atuação.