09/12/2016 21h47 Foto: Divulgação

O ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho denunciou a entrega de dinheiro em espécie no escritório do advogado José Yunes, um dos conselheiros mais próximos do presidente Michel Temer, durante a campanha eleitoral de 2014. Yunes foi tesoureiro do PMDB em São Paulo e, hoje, é assessor especial de Temer no Palácio do Planalto.
As informações foram divulgadas pelo Buzzfeed e confirmadas pelo GLOBO. Esta não é a primeira vez que o nome de Yunes aparece na Lava-Jato associado a supostas movimentações financeiras de Temer. Numa das perguntas endereçadas ao presidente, o ex-deputado Eduardo Cunha levanta suspeita sobre a relação entre os dois e um suposto caixa dois. "O sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB, de forma oficial ou não declarada ?", indaga Cunha.
Cunha fez a pergunta a Temer no processo em que é acusado de receber propina para intermediar a venda de um campo seco de petróleo no Benin para a Petrobras. Temer é uma das testemunhas arroladas pela defesa do ex-deputado, que está preso em Curitiba. O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, vetou esta e mais outras 20 perguntas do ex-deputado. A explicação é que as questões não estavam relacionadas diretamente com o processo em curso contra o ex-deputado. Se quisesse, o presidente poderia responder as perguntas fora dos autos, mas até agora não o fez.
O ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht disse ainda que, dos R$ 10 milhões, R$ 6 milhões seriam para a campanha de Paulo Skaf, presidente da Fiesp e candidato do PMDB ao governo de São Paulo em 2014. Os R$ 4 milhões restantes teriam como destinatário o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, responsável pela distribuição do dinheiro entre outras campanhas do partido.
Em agosto, reportagem da revista "Veja" afirmava que o delator da Odebrecht tinha relatado que o então vice-presidente Michel Temer teria negociado um repasse de R$ 10 milhões com ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, numa reunião no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.
O secretário de Comunicação da Presidência, Márcio Freitas, negou que emissários da Odebrecht ou de qualquer outra empresa tenha entregue dinheiro vivo no escritório de Yunes. Segundo ele, de fato Temer pediu contribuição financeira para Marcelo Odebrecht e o empresário concordou em atender ao pleito, mas todos os recursos foram declarados.
- Esse dinheiro jamais foi entregue no escritório de José Yunes. Ele não arrecadou para aquela campanha. Os recursos solicitados (por Temer) foram doados e declarados à Justiça Eleitoral - disse Freitas.
Procurada pelo GLOBO, a Odebrecht respondeu que "não se manifesta sobre negociação com a Justiça".
Mais de 80 procuradores da Repúblicas foram destacados para interrogar os 77 executivos da Odebrecht que fizeram acordo de delação premiada. Os depoimentos começaram esta semana. Advogados e investigadores fizeram planos para concluir o trabalho ainda este mês. Mas, antes mesmo da primeira rodada de interrogatórios, eles começaram a rever as metas. A expectativa agora é que, com muito esforço, concluam os trabalhos em janeiro.
Os delatores estão sendo interrogados em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Curitiba, entre outras cidades.
Fonte: O Globo