domingo, 5 de janeiro de 2014 - Foto: Campos 24 Horas
_ Entrevista /Gilson Gomes Secretário Municipal dos Direitos do Idoso (Leia mais abaixo)
Vai longe no país o tempo em que o idoso, embora não tivesse uma legislação específica para ele como tem hoje (leia-se Estatuto do Idoso, criado em 2003), era respeitado e referenciado como uma pessoa com experiência de vida, principalmente, em família. Campos vem resgatando esse “antigo respeito”, a partir da criação, no ano passado, da Secretaria Municipal dos Direitos do Idoso, liderada pelo advogado e sargento reformado da Polícia Militar,
Gilson de Souza Gomes, confundido por muitos como o ex-jogador do Flamengo, o meia-armador Zinho, por causa da mecha branca no cabelo. A semelhança é só do cabelo, porque Gilson Gomes, nos áureos tempos, foi também atleta, mas jogava futsal.
Brincadeiras à parte, quando se fala nos direitos do idoso, o assunto fica sério e, diante de tantas denúncias de maus tratos, abandono e até violência em família, colocando Campos em 2º lugar no Estado nestes casos, foi preciso criar um núcleo jurídico específico. No entanto, alguns destes são resolvidos pelos advogados do órgão, antes mesmo de serem levados ao Ministério Público, na base da conciliação e conscientização de que o idoso merece respeito e não pode ser tratado fora deste contexto. Gilson faz questão de citar o atendimento dispensado ao idoso em Campos, o prioritário que, embora fosse exercido, não bastava. “Ele não pode ser só prioritário, tem que ser rápido”, acrescenta o secretário.
Campos 24 Horas – Pela sua explicação, por causa do Estatuto do Idoso, os direitos deles estavam garantidos, mas no município não eram exercidos. É isso?
Gilson Gomes – É isso mesmo. Prova disso é o trabalho de conscientização que começamos desde o início da criação da secretaria, observando que nem mesmos os idosos sabiam de seus direitos. Durante um tempo visitamos grupos da terceira idade, com palestras, apresentando o Estatuto. Também fizemos o mesmo trabalho com distribuição de folderes em vários pontos da cidade. E abordando a questão do atendimento prioritário, que está no Estatuto, mas mostrando que não basta, ele tem que ser também rápido.
C24H – E por falar em fiscalização, grande problema dos idosos é o respeito nos coletivos... (Leia mais abaixo)
Gilson – Sim. E nós estamos também trabalhando muito para reverter esse problema que é antigo. Recentemente fizemos ampla campanha de conscientização dos terminais de ônibus, mostrando que eles devem destinar, pelo menos, dois acentos para os idosos, tanto em ônibus quanto em vans. Depois, em parceria com o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) e a Guarda Civil Municipal, começamos a fiscalizar e somente na Rodoviária Roberto Silveira multamos mais de 40 coletivos por descumprimento à lei. Partimos essa semana para a praia de Farol com o mesmo trabalho, incluindo as vans e, na próxima semana, estaremos aqui na cidade novamente, com ônibus e vans.
C24H - E falta o quê para a lei ser cumprida?
Gilson – No que diz respeito aos coletivos, cobrança maior por parte dos motoristas e cobradores. Eu mesmo, numa ação dessa natureza, encontrei vários idosos em pé, cheguei, expliquei a situação do direito do idoso e prontamente as pessoas que estavam nos acentos destinados a eles, se levantaram. E falta também os idosos fazerem prevalecer seus direitos, reivindicando e exigindo. A situação nas agências bancárias, supermercados, entre outros, não é tão grave quanto nos coletivos.
C24H – E quanto esse absurdo, que é a violência contra o idoso? O que a secretaria tem feito para reverter esse quadro?
Gilson – Olha, os números estatísticos estão aí, como disse, colocando Campos em segundo lugar no Estado em casos de violência. Eu não sei se as demais cidades estão maquiando os números para que não apareçam como deveriam ou se nós, por termos toda essa estrutura, estamos desvendando os casos e mostrando. O que é pior é que a maioria destes casos é dentro da própria família, incluindo a violência física, maus tratos, abandono, abuso econômico e por aí vai. Nós aceitamos denúncia anônima, através do (22) 2731-6898, ou pessoalmente na secretaria, com a pessoa não sendo identificada. Trazemos os envolvidos na secretaria, mostramos os crimes que estão cometendo, tentando resolver. Mas tem ainda as outras instâncias que recorremos, como Ministério Público, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Nos últimos dois meses, por exemplo, registramos mais de 100 atendimentos jurídicos. (Leia mais abaixo)
C24H – E quanto à assistência à saúde do idoso? Não falta médico para eles?
Gilson – Não, absolutamente. Eles podem contar com atendimento especializado no Clube da Terceira Idade, no Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Idoso, conhecido como Centro Dia, nos núcleos de Travessão de Campos, de Conselheiro Josino e de Morro do Coco e até na Colônia de Férias do Farol. Inclusive, no Clube da Terceira Idade tem até coleta de sangue, sem fila de espera, num atendimento que subiu de 20 para 120 por semana. Sem falar no atendimento em fisioterapia, psicologia, dentário, prevenção e quedas, nutricionista, diferentes especialidades médicas, hidroginástica, curativos, aferição de pressão e muito mais. Tem também farmácia para eles, com 98% de todos os medicamentos da rede. Os 2% que faltam são os que têm que ser adquiridos a partir de abertura de processo.
C24H – Já que começamos a falar de coisas boas, o que a secretaria oferece em termos de terapia ocupacional?
Gilson – Muita coisa. Recentemente recebemos seis profissionais de artes e ofícios, que fazem revezamento nos clubes e núcleos, com aulas de pintura, música, dança, teatro, artesanato e reciclagem. Temos também nosso coral de música, que, inclusive, se apresentará no dia 25, no Farol de São Thomé, antes do show de Agnaldo Timóteo. E o que eles mais gostam, que são os bailes, acontecem também em todos os locais já citados. Estão parados agora na cidade, porque o foco no momento é a praia.
C24H – E por falar em praia, o que tem para os idosos no Farol? (Leia mais abaixo)
Gilson – Parte de tudo o que é ofertado na cidade e mais alguma coisa. Elaboramos uma programação extensa na Colônia de Férias, o ponto de encontro deles lá, com atendimento de segunda a segunda-feira. Os grupos passam o dia no local, participam de diferentes atividades, como oficinas de crochê, torneios de sinuca, oficinas de pintura, dançam e curtem os shows. No próximo dia 12, por exemplo, vamos realizar junto com a Fundação Municipal de Esportes, os Jogos da Melhor Idade, com torneio de peteca, dominó, xadrez, entre outros. E terá, ainda, a Caminhada da Melhor Idade, pela orla da praia, com o devido acompanhamento de profissionais.
C24H – Parece um mar de rosas. A partir daí o idoso não tem mais problema?
Gilson – Os problemas existem e estamos trabalhando para resolvê-los. Logo depois do verão, vamos fazer um trabalho conjunto com a Secretaria de Educação, Cultura e Esportes, de conscientização nas escolas, mostrando os direitos dos idosos e, o mais importante, tentando fazer a integração dos jovens com eles, porque ainda há muita falta de respeito neste sentido.
C24H – E a antiga questão da transferência dos idosos do prédio do Asilo do Carmo, que vai passar por reforma? Como está isso?
Gilson – Apresentamos um local amplo para a presidente da instituição, mas que precisa, com certeza, passar por algumas reformas. Ela ficou de apresentar a proposta para sua diretoria, mas ainda não nos deu resposta. Estamos aguardando e com o sinal verde, providenciaremos essa reforma. (Leia mais abaixo)
C24H - No início o senhor disse que uma das grandes conquistas da secretaria foi a criação do Fundo Municipal? Do que se trata?
Gilson – Através da criação do Fundo, poderemos conseguir verbas federais para, por exemplo, ampliação dos serviços. Mas não basta só criar o Fundo, vamos a Brasília, vamos fazer contatos, porque sói assim conseguiremos alguma coisa ___________________________ Postado por Fabiano Venancio