Dilma recorre ao exterior para melhorar imagem do país

Até o fim de 2015, a presidente deve fazer pelo menos oito viagens para fora; objetivo é convencer os mercados de que a situação no país não é tão crítica como parece


10/08/2015    -    às 16h15     -    Foto: Divulgação DILMAAté o fim de 2015, a presidente deve fazer pelo menos oito viagens para fora; objetivo é convencer os mercados de que a situação no país não é tão crítica como pareceEm meio à crise econômica e política, a presidente Dilma Rousseff volta seus olhos para o exterior. Até o final do ano, deve fazer pelo menos oito viagens, incluindo cúpulas como o G20, na Turquia, e visitas de Estado - Colômbia, Japão e Vietnã -, uma média mais alta do que nos anos anteriores. A razão para esse interesse fora das fronteiras é a economia. Mais do que tentar vender o Brasil lá fora, Dilma quer convencer os mercados de que a situação não é tão ruim quanto parece e que seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é o esteio das mudanças econômicas e veio para ficar, apesar das críticas internas. Há duas preocupações centrais no Palácio do Planalto. A primeira delas é mostrar que o Brasil está fazendo o que precisa para contornar a crise, o que se tornou mais urgente depois que o governo brasileiro precisou reduzir fortemente a meta do superávit fiscal, dos 1,1% prometidos por Levy ao assumir o Ministério da Fazenda para meros 0,15% do PIB. Apesar da racionalidade das explicações de economistas - mesmo estrangeiros - de que é mais difícil economizar com uma forte queda da arrecadação, o Planalto reconhece que "pegou muito mal lá fora", nas palavras de um assessor próximo da presidente, o abandono da meta inicial na metade do primeiro ano de governo. Grau de investimento - O abandono da meta ameaça ser a gota d'água que pode tirar o grau de investimento do Brasil. No final de julho, a agência Standard & Poors manteve o grau brasileiro, mas com uma tendência negativa - ou seja, em uma próxima revisão, se nada mudar, o país pode perder o selo de "bom pagador". Se isso acontecer, o Brasil passará a ter mais dificuldade de captar recursos lá fora, tendo de pagar juros mais altos, algo que, na prática, já vem ocorrendo, mas num grau menor do que com a oficialização pelas agências de risco. O périplo da presidente tem como foco mostrar que o país não corre o risco de deixar de pagar suas contas. Apesar da crise, reforçará a presidente, o Brasil ainda recebe investimentos em número razoável e tem mais de 300 milhões de dólares em reservas. A percepção no governo é que os ouvidos no exterior estão mais abertos e são mais racionais do que dentro do país, onde a contaminação pela crise política é maior. A avaliação é que, ao convencer o mercado externo, isso seria aos poucos transferido para o interno. A segunda preocupação da presidente é tentar atrair mais investidores para o pacote de concessões que o governo planeja para o início do próximo ano. Com a crise no Brasil, o interesse pelas obras de infraestrutura fraquejou, mesmo com a desvalorização do real tendo tornado os investimentos mais baratos. Mas, em pleno ajuste fiscal, o governo brasileiro precisa mais do que nunca mostrar que é seguro investir no país. O pacote de concessões, que inclui portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, prevê investimentos de quase 200 bilhões de reais até 2018.



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