25/09/2015 10h - Foto: Folhapress

A tão propalada reforma ministerial que seria anunciada nesta semana pela presidente Dilma Roussef continua na estaca zero, e parte do impasse envolve o vice-presidente do PMDB, Michel Temmer com parlamentares correligionários. O clima político aqueceu em Brasília, e até labareda saiu do helicóptero presidencial que levou a presidente do Palácio da Alvorada para a base aérea de Brasília. Ela voou nesta quinta-feira (24) para participar da Cúpula de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, onde defenderá mudanças no Conselhos de Segurança da instituição, mas viajou sem que antes conseguisse arrefecer os pontos de discórdia no PMDB.
Na negociação diretamente com a presidente para aprovar as duras medidas econômicas para enfrentar a crise, o PMDB deverá abocanhar seis ministérios. A presidente somente voltará a tratar do assunto depois do retorno ao Brasil na semana que vem. Até lá, ela precisará encontrar recursos capazes de contornar as dificuldades para agradar ao Temmer e ao deputado federal da bancada do RJ, Leonardo Picciani. (Saibamais no Box
Picciani ameaça retirar apoio à reforma ministerial)
Ponto nevrálgico - O ponto nevrálgico do impasse está na dificuldadeda presidente da República acomodar ministros aliados de Michel Temer e as indicações que foram feitas pelo PMDB na Câmara. É que a pedido da própria Dilma, a bancada na Câmara combinou de apresentarsete nomes e que a presidente escolhesse um ministro para ocupar oMinistério da Saúde e outro para a infraestrutura.Parlamentares do PMDB criticam a influência de Michel Temer no processo de decisão, tendo em vista que ele havia informado que não participaria das indicações,sinalizando afastamento do governo, a ponto de dizer que Dilma não se sustentará até o final do governo.
Contudo, o vice-presidente intercedeu em favor da permanência do atual ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, e também do deputado licenciado, Henrique Eduardo Alves no Ministério do Turismo. Correndo por fora, o senador paraense, Jader Barbalho (PMDB-PA) se articula para manter o Ministério da Pesca, com o filho Helder Barbalho.
Por sua vez,Dilma quer manter no Ministério da Agricultura, a senadora Kátia Abreu do PMDB do Tocantins, e também o ministro de Minas e Energia, senador Eduardo Braga, liderança peemedebista do Amazonas, já que ambos poderiam configurar a cota das indicações do Senado da República.
Picciani ameaça retirar apoio à reforma ministerial
Ante a possibilidade da bancada da Câmara perderespaço, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), líder do PMDB na Casa, chantageou Dilma. Ele disse que caso não fosse cumprido os acordos com os deputados, que retiraria os nomes indicadose deixaria de apoiar a reforma ministerial.Picciane e seus aliados defendem que o PMDB assuma o comando da Saúde e de um ministério de peso na área da infraestrutura, com dois dos nomes indicados pela bancada. Assessores do Planaltoinformaram aos jornalistas no final desta quinta-feira que o entendimento com a bancada está mantido.
Para conciliar os interesses de Michel Temere dos parlamentares, a presidente deverá ampliar de cinco para seis ministérios que serão entregues ao PMDB, ou seja, na chamada renovação ministerial, o PMDB não perde nada, para assegurar as mudanças que o governo fará e que certamente fará o trabalhador brasileiro perder, porque as medidas reduzem o poder de compra da classe trabalhadora.
Conforme já vazou para a grande imprensa, já estão com Dilma os seguintes nomes indicados pela bancada: deputado Manoel Junior, para o Ministério da Saúde, com alternativas que apontam para Marcelo Castro e Saraiva Felipe. Para a área da infraestrutura,o indicado é o deputado José Prianti Junior . Também compõea lista os deputados Newton Cardoso Junior (PMDB-MG), José Prianti Junior (PMDB-PA), Celso Pansera (PMDB-RJ), Mauro Lopes (PMDB-MG), Saraiva Felipe (PMDB-MG), Manoel Junior (PMDB-PB), e Marcelo Castro (PMDB-PI).